Retratos da pobreza e exclusão (5)


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Bombaim (ou Mumbai) é uma cidade de horrores. A miséria da maioria da população contrasta, de forma aviltante, com o luxo de uma minoria.

Todas as noites, mais de 1 milhão de pessoas dorme em valas ao longo da estrada que liga a cidade ao aeroporto, enquanto turistas se divertem e dormem em hotéis luxuosos; hordas de pedintes vasculham em montes de imundície, enquanto homens de negócios se reúnem em jantares cujo custo permitiria matar a fome a uma família indiana durante um ano; políticos discutem nos bares, entre duas bebidas e aperitivos, os problemas da miséria no mundo, enquanto crianças ranhosas, fedendo a miséria, colam os olhos vítreos nas janelas dos autocarros pejados de turistas.

Mais do que pedirem uma esmola, pedem que alguém olhe para a sua miséria. Não querem compaixão, apelam apenas à consciência de quem pode reduzir o seu sofrimento.

10 comentários em “Retratos da pobreza e exclusão (5)”

  1. “consciência de quem pode reduzir o seu sofrimento”.
    Para isso não existe consciência, já que o sofrimento tende a aumentar mediante a falta de valores que a Sociedade regista.
    Todos conhecem esta realidade onde o sofrimento é como um vírus instalado sem vacinas para o erradicar.
    Um entre portas de tamanha desigualdade remete para bem dentro de nós, questionar: afinal onde pára Deus!

  2. Excelente post, com o qual estou inteiramente de acordo.
    A propósito, gostaria de enviar-lhe um mail com umas fotos que comprovam à saciedade o que diz. No entanto, procurei aqui e no Crónicas do Rochedo e não encontrei o seu endereço electrónico. Se quiser, pode contactar-me para o e-mail que deixo.
    Cumprimentos.

  3. Infelizmente a consciência é uma criatura de aparição rara. E tão incómoda que tendemos a baixar os olhos para não nos cruzarmos com ela.

    Gostei muito de ler este seu “retrato”.

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