… mas tem a vantagem de nos mostrar que os EUA poderiam ter tido um presidente que até era capaz de fazer parecer Bush um gajo porreiro.
A imbecilidade (não) tem limites…
imagenscomhistoria,
… mas tem a vantagem de nos mostrar que os EUA poderiam ter tido um presidente que até era capaz de fazer parecer Bush um gajo porreiro.
Viver num país onde as convicções do MP são suficientes para constituir alguém arguido.
Neste Ano Europeu de Luta Contra a Pobreza e a Exclusão, há uma nova Bolsa de Valores de que vale a pena falar: a Bolsa de Valores Sociais (BVS)
Depois do Brasil, em 2003, Portugal é o segundo país do mundo a criar a BVS, cujo objectivo é o financiamento de projectos de luta contra a pobreza e a exclusão.
A iniciativa é da ATITUDE (Associação pelo Desenvolvimento do Investimento Social) e tem o apoio da Euronext e das Fundações EDP e Gulbenkian.
Na altura da apresentação foram lançados em Bolsa quatro projectos, dos quais o mais mediático é “Rir é o Melhor Remédio” da Operação Nariz Vermelho.
“As boas acções estão sempre em alta” é a frase chave da BVS, que pretende elevar a qualidade de resposta aos problemas da pobreza e da exclusão social, apoiando o desenvolvimento de soluções inovadoras.
Os projectos só são cotados em bolsa depois de um exigente processo de selecção e avaliação, que permita à BVS garantir a eficácia dos investimentos e a possibilidade de acompanhar os resultados por parte dos investidores.
Se quer investir num projecto , vá a www.bvs.org.pt e torne-se um investidor social. O retorno é garantido (no mínimo) pela satisfação de estar a ajudar quem precisa.
A indústria farmacêutica está sob suspeita do Conselho da Europa. Em causa a possibilidade de pressões (ou conluio?) sobre a OMS para que aquela organização declarasse a pandemia. Qual é o espanto?
Quando os médicos cubanos vieram para Portugal, ergueram-se muitas vozes revoltadas com a sua presença. Falou-se então da incompetência dos médicos e tentou escamotear-se o fundamental: os médicos cubanos vinham preencher vagas que tinham sido recusadas em diversos concursos por médicos portugueses, para quem trabalhar fora das grandes cidades é um grande incómodo.
Volvidos escassos meses, confirma-se o que escrevi na altura aqui no DO: a vinda dos médicos cubanos foi uma mais-valia. A reacção de técnicos de saúde e utentes, nas páginas do “Público” do último domingo (sem link), confirma-o. Todos estão satisfeitos e desdobram-se em elogios aos médicos cubanos.
Escandaloso é que estes médicos estejam a receber 500 euros por mês! Na opinião de Carlos Arroz, secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (citado no “Público”) os médicos cubanos estão sujeitos a condições laborais e remuneratórias “ilegais, inaceitáveis e humilhantes”. No entanto, honra seja feita aos médicos, não ouvi nenhum responsável da Ordem, ou do SIM, pôr em causa a competência dos cubanos, nem a sua vinda para Portugal. As críticas vieram dos exaltados do costume, que viram em cada médico cubano que veio para o Alentejo um perigoso comunista, capaz de perverter a ordem e a democracia.

Isabel Alçada
Ainda há dias escrevi que, se continuasse a esgrimir os mesmos argumentos de Maria de Lurdes Rodrigues para congelar a progressão dos professores, estaria condenada ao fracasso e os professores voltariam a sair para a rua.
Na madrugada de sexta-feira conseguiu um acordo com os sindicatos, pondo termo a uma luta que durava há mais de quatro anos e parecia eternizar-se. Haverá quem a acuse de ter feito cedências inaceitáveis. Pessoalmente, penso que foi sagaz. Cedeu (parcialmente) numa matéria onde terá percebido que não haveria recuo dos sindicatos, mas ganhou força para impor outras medidas. A luta com os professores está longe de terminar, mas a verdade é que ao conseguir este acordo, Isabel Alçada terá reduzido a margem de manobra da Fenprof. Dificilmente a opinião pública aceitará, com simpatia, o regresso dos professores à rua para reivindicarem novos métodos de avaliação.
Bem diferente foi o sucesso da muher que escolhi para cromo da semana.
Mãe, vou casar!
– Jura, meu filho ?! Estou tão feliz ! Quem é a moça ?
– Não é moça. Vou casar com um moço. O nome dele é Murilo.
– Você falou Murilo… Ou foi meu cérebro que sofreu um pequeno surto psicótico?
– Eu falei Murilo. Por que, mãe? Tá acontecendo alguma coisa?
– Nada, não.. Só minha visão que está um pouco turva. E meu coração, que talvez dê uma parada. No mais, tá tudo ótimo.
– Se você tiver algum problema em relação a isto, melhor falar logo…
– Problema ? Problema nenhum. Só pensei que algum dia ia ter uma nora… Ou isso.
– Você vai ter uma nora. Só que uma nora… Meio macho. Ou um genro meio fêmea. Resumindo: uma nora quase macho, tendendo a um genro quase fêmea…
– E quando eu vou conhecer o meu. A minha… O Murilo ?
– Pode chamar ele de Biscoito. É o apelido.
– Tá ! Biscoito… Já gostei dele… Alguém com esse apelido só pode ser uma pessoa bacana. Quando o Biscoito vem aqui ?
– Por quê ?
– Por nada. Só pra eu poder desacordar seu pai com antecedência.
– Você acha que o Papai não vai aceitar ?
– Claro que vai aceitar! Lógico que vai. Só não sei se ele vai sobreviver… Mas isso também é uma bobagem. Ele morre sabendo que você achou sua cara-metade… E olha que espetáculo: as duas metade com bigode.
– Mãe, que besteira … Hoje em dia … Praticamente todos os meus amigos são gays.
– Só espero que tenha sobrado algum que não seja… Pra poder apresentar pra tua irmã.
– A Bel já tá namorando.
– A Bel? Namorando ?! Ela não me falou nada… Quem é?
– Uma tal de Veruska.
– Como ?
– Veruska…
– Ah !, bom! Que susto! Pensei que você tivesse falado Veruska.
– Mãe !!!…
– Tá…, tá…, tudo bem… Se vocês são felizes. Só fico triste porque não vou ter um neto…
– Por que não ? Eu e o Biscoito queremos dois filhos. Eu vou doar os espermatozóides. E a ex-namorada do Biscoito vai doar os óvulos.
– Ex-namorada? O Biscoito tem ex-namorada?
– Quando ele era hétero… A Veruska.
– Que Veruska ?
– Namorada da Bel…
– "Peraí". A ex-namorada do teu atual namorado… E a atual namorada da tua irmã. Que é minha filha também… Que se chama Bel. É isso? Porque eu me perdi um pouco…
– É isso. Pois é… A Veruska doou os óvulos. E nós vamos alugar um útero.
– De quem ?
– Da Bel.
– Mas . Logo da Bel ?! Quer dizer então… Que a Bel vai gerar um filho teu e do Biscoito. Com o teu espermatozóide e com o óvulo da namorada dela, que é a Veruska…
– Isso.
– Essa criança, de uma certa forma, vai ser tua filha, filha do Biscoito, filha da Veruska e filha da Bel.
– Em termos…
– A criança vai ter duas mães : você e o Biscoito.E dois pais: a Veruska e a Bel.
– Por aí…
– Por outro lado, a Bel…,além de mãe, é tia… Ou tio…. Porque é tua irmã.
– Exato. E ano que vem vamos ter um segundo filho. Aí o Biscoito é que entra com o espermatozóide. Que dessa vez vai ser gerado no ventre da Veruska… Com o óvulo da Bel. A gente só vai trocar.
– Só trocar, né ? Agora o óvulo vai ser da Bel. E o ventre da Veruska.
– Exato!
– Agora eu entendi! Agora eu realmente entendi…
– Entendeu o quê?
– Entendi que é uma espécie de swing dos tempos modernos!
– Que swing, mãe?!!….
– É swing, sim! Uma troca de casais… Com os óvulos e os espermatozóides, uma hora no útero de uma, outra hora no útero de outra…
– Mas..
– Mas uns tomates! Isso é um bacanal de última geração! E pior… Com incesto no meio…
– A Bel e a Veruska só vão ajudar na concepção do nosso filho, só isso…
– Sei!!!… E quando elas quiserem ter filhos…
– Nós ajudamos.
– Quer saber? No final das contas não entendi mais nada. Não entendi quem vai ser mãe de quem, quem vai ser pai de quem, de quem vai ser o útero, o espermatozóide… A única coisa que eu entendi é que…
– Que.. ?
– Fazer árvore genealógica daqui pra frente… vai ser f…
* ( Crónica de Luiz Fernando Veríssimo na Folha de S. Paulo) que dedico, com amizade, aos homofóbicos
A propósito deste post da Ana, escrevi um comentário aludindo ao facto de muitas estrelas do mundo do desporto e do espectáculo terem sido sujeitas, pelos pais, a trabalhos forçados para atingirem o estrelato. Falei do caso específico do ténis feminino, onde abundam os exemplos de pais tiranos que condicionam o futuro dos filhos em prol da sua própria vaidade. Poderia também ter feito referência aos regimes de Leste, onde o Estado fabricava estrelas – nomeadamente na ginástica, natação e atletismo.
Hoje, ao ler na “Pública” excertos da biografia deste homem, fui obrigado a reflectir sobre outras questões, que seriam pertinentes, não se desse o caso de vivermos numa sociedade onde a ideia de lucro parece tudo justificar.
Quando pediram a opinião a Cavaco Silva sobre o casamento entre homossexuais, o PR respondeu que neste momento está é preocupado com o desemprego e a situação económica do país.
Ficamos agora a saber que Cavaco, afinal, também se preocupa com questões mais prosaicas e até assina petições a pedir a introdução das novas tecnologias no futebol, patrocinada por essa emérita figura que é Rui Santos.
Um dia destes ainda o vamos ver a assinar uma petição para acabar com o desemprego. Agora direitos dos homossexuais? Isso não é coisa que preocupe um PR. Provavelmente, considera-os cidadãos de segunda, cujos direitos são menosprezáveis.
Os jornais de hoje noticiam que a disciplina de voto na questão do casamento homossexual, imposta por Sócrates, acentua tensões no PS Não duvido. Apesar de ser, maioritariamente, um grupo de cãezinhos amestrados, o grupo parlamentar do PS ainda tem deputados com opinião própria, como é o caso de Maria Antónia Almeida Santos, que veio a público manifestar o seu desconforto perante esta decisão.
Gostava, porém, que os deputados do PS também ficassem tensos por outras razões, se insurgissem e denunciassem situações como a ocorrida na TAP.
A transportadora decidiu não pagar prémios de desempenho às trabalhadoras grávidas que, por causa do seu estado e no exercício dos direitos que a lei lhes confere, estiveram ausentes do serviço 6 meses ou mais.
Esta decisão discriminatória não só não mereceu a crítica do governo, como ainda teve o seu apoio, através do ministro das obras públicas.
António Mendonça – ao que diz com a concordância do PM – saiu a terreiro para defender a decisão, argumentando que “o acordo da empresa o permitia”.
Não conheço o acordo, mas não tenho dúvidas que, se essa regra lá estiver estipulada, viola a Constituição (artigos 13º e 68º proíbem a discriminação contra trabalhadoras por virtude da sua gravidez e conferem o direito à licença de maternidade sem perda de quaisquer direitos e regalias) e o artº 65º do Código do Trabalho (determina que quaisquer direitos ou regalias nesta matéria contam para todos os efeitos como tempo de serviço efectivo).
Ignorância de ministro, ou apenas fidelidade canina e subserviência do governo ao patronato?
Em qualquer das circunstâncias, gostaria de ver alguém, no grupo parlamentar do PS, incomodado com esta situação discriminatória que contraria as apregoadas políticas de apoio à natalidade proclamadas por este governo.

Não é apenas por ter uma costela tripeira que exulto com a distinção atribuída pelo Times à Casa da Música. É também porque sempre gostei da sua arquitectura e do seu espaço interior. Admito que talvez merecesse mais espaço para respirar, mas sempre considerei as críticas à Casa da Música um bocado absurdas.
O Times classificou o projecto como “louco, perverso, mas brilhante” e por isso escolheu a Casa da Música como um dos cinco edifícios da década.
Boa notícia numa altura em que se tecem tantas loas a outro tipo de construções bem mais megalómanas e susceptíveis de provocar divagações um pouco perversas…
Viver na capital de um país onde a estação dos correios do nosso bairro funciona das 9 às 18 e encerra das 12.30 às 14.30 para almoço. Deve dar imenso jeito aos reformados.
Para quem trabalha e precisa de levantar uma encomenda registada é dispensável.

Ausente de Portugal na última semana, tencionava retomar apenas no dia 11 as nomeações da figura e do cromo da semana. Mudei de ideias enquanto lia os jornais portugueses, na viagem de regresso a Lisboa, mesmo sabendo que a escolha baseada apenas em leituras de jornais implica alguns riscos.
A leitura de excertos da homilia de Ano Novo de D. José Policarpo levou-me a escolhê-lo como figura da semana. Embora seja avesso à intromissão da Igreja na vida política, apreciei a forma lúcida como abordou alguns temas que dividem a sociedade portuguesa, na homilia de Ano Novo. Também a sua posição sobre o referendo ao casamento entre homossexuais (numa entrevista dada à “Ecclesia”, citada pelo DN), que considera ser matéria “não referendável,” merece referência positiva. Os agitados membros da Plataforma deveriam meditar nas palavras de D. José Policarpo e reflectir um pouco. Gostava de perceber a razão do incómodo dos Plataformistas perante uma lei que não lhes diz respeito, em nada afecta a sua vida pessoal, nem põe em causa a sua liberdade. A posição de D. José Policarpo parece-me sensata e coerente com os princípios da Igreja Católica. Falou para os homofóbicos e para dentro da Igreja, cujos membros mais conservadores têm tomado posições pouco consentâneas com o que devia ser a postura da Igreja em determinadas matérias.
Foi também a leitura da imprensa que me levou a escolher o cromo da semana.
Cumprindo uma tradição, que remonta a 2007, foram hoje divugados os Prémos Escorpião de Ouro.
Todos os anos , em plena época natalícia, a comunicação social faz questão em brindar-nos com notícias destas. Já era tempo de perceberem que nos estão a vender "gato por lebre", porque as contas que fazem não são verdadeiras e só enganam alguns incautos.
Este ano, porém, introduziram um dado novo. Falam-nos de pontes, como se de verdadeiros feriados se tratassem, e fazem coro com estes propagandistas.

Há quem diga que “Natal é quando um homem quiser”. Discordo. Tal como as frases ou comentários citados fora do seu contexto podem permitir uma interpretação diferente da que lhe pretendia dar quem a proferiu, também o Natal, fora do contexto da época em que a data se assinala, perde o seu significado original.
Não são os dias frios que fazem o Natal. Se assim fosse, não haveria Natal no hemisfério sul e, afianço-vos, já passei alguns belos Natais em climas bem quentes. Se é verdade que o Natal ganha maior expressão quando vivido num contexto de Fé (como pude testemunhar em Goa ou Malaca onde senti, como em nenhuma outra parte, o verdadeiro espírito natalício), tal não significa que o Natal não possa ser vivido com o mesmo fervor por ateus ou perigosos comunistas. Conheço muitos que o comemoram.
Em minha opinião, o que faz com que o Natal só possa ser vivido uma vez no ano é essa corrente de harmonia que se gera e torna as pessoas mais receptivas a ajudar o seu semelhante. Como se alguma força magnética lançada sobre o mundo tornasse as pessoas mais solidárias, mais afectivas, mais humanas. Reforça-se o espírito de família, paira no ar uma certa magia, consubstanciada na noite de Natal pela figura do Pai Natal, que desperta nas crianças um poder imagético do agrado dos adultos, felizes por reviverem, através das suas proles, momentos de criança.
É este espírito de solidariedade “universal”- impossível de prolongar ao longo do ano – que torna o Natal mágico. É certo que o triunfo da sociedade de consumo, as alterações sociais e a mudança das estruturas familiares, transformaram o Natal numa orgia consumista, que suplantou o significado de Festa da Família e relegou a solidariedade para segundo plano.
Talvez porque muitos foram perdendo ao longo da vida as fontes de onde brotava a magia desta época e em seu lugar encontram agora apenas lugares vazios, o Natal perdeu para eles o significado de outros tempos, mas continua a ser um momento único e irrepetível em cada ano.
Desejo por isso, a todos os delituosos, amigos e leitores, um Feliz Natal. Até 2010.


Não é preciso explicar a razão da escolha, pois não? Pelo menos dois dias em cada ano, o Menino Jesus une crentes, agnósticos e não crentes, na celebração do Natal. É pena que a maioria das pessoas apenas se lembre dele durante este período natalício e, ao longo do ano, as suas práticas contrariem, diariamente, o espírito de solidariedade desta época. Talvez por sentirem essa contradição, é que muitos preferem associar o Natal ao cromo da semana.
Ao contrário do que já vi escrito, Copenhaga não foi decepcionante para todos. Houve quem saísse de lá clamando vitória, com um sorriso nos lábios.
Em primeiro lugar, os ambientalistas cépticos radicais, que encaram as questões ambientais como uma moda ou uma religião. Há sempre quem esteja disposto a negar as provas científicas, desde que isso sirva para lhe aliviar a consciência mas, encarar um problema discutido no mundo inteiro desde 1964 e sempre presente nos grandes debates sobre o futuro do Planeta, desde 1972, como um “modismo”, é uma forma no mínimo “sui generis” de analisar as questões ambientais.
Também não se trata de uma questão de crença. As questões ambientais não se reduzem ao campo das hipóteses ou da Fé. Não se resolvem com meia dúzia de orações e missas ao domingo!
Diariamente, há exemplos da degradação ambiental, quer a nível da biodiversidade, quer na destruição dos recursos naturais. Todos os dias se extinguem espécies, pondo em risco o equilíbrio ecológico. Um dia, inevitavelmente, será a vez da espécie humana. Levará ainda muitos anos até que isso aconteça? É possível, mas essa forma de pensar e encarar a questão leva-nos ao terreno do outro grande vencedor da cimeira de Copenhaga: o egoísmo.
Só o egoísmo justifica que as pessoas não se preocupem com o futuro dos seus descendentes e foi esse mesmo egoísmo que impediu os líderes mundiais de concretizarem um acordo vinculativo, que assegurasse desde já a continuidade do protocolo de Quioto.
É certo que nada está perdido, porque o protocolo de Quioto está em vigor até 2012 e, já em 2010, no México, os grandes líderes mundiais terão uma nova oportunidade para um acordo.
Mas nem só de acordos, vitórias e derrotas se fez a cimeira de Copenhaga. Dela emergiu, surpreendentemente, a África do Sul, enquanto países como a China e a Índia abandonaram as suas posições rígidas e manifestaram o seu empenho em contribuir para uma solução justa e equitativa. Obama, condicionado pelo Senado, mostrou-se irredutível e foi uma das grandes decepções, a par do Canadá. Enigmático foi o silêncio da Rússia, um dos últimos países a assinar o protocolo de Quioto. Decepcionante foi a posição da UE, incapaz de sustentar e fazer valer perante os restantes parceiros a sua ambiciosa proposta.
Finalmente, esta proposta de Arnold Schwarzenneger– de que pouco se falou por cá, mas foi muito discutida nos bastidores – merece ser encarada com alguma pertinência. Inverter a pirâmide das decisões pode ser um verdadeiro ovo de Colombo.