
Há quem diga que “Natal é quando um homem quiser”. Discordo. Tal como as frases ou comentários citados fora do seu contexto podem permitir uma interpretação diferente da que lhe pretendia dar quem a proferiu, também o Natal, fora do contexto da época em que a data se assinala, perde o seu significado original.
Não são os dias frios que fazem o Natal. Se assim fosse, não haveria Natal no hemisfério sul e, afianço-vos, já passei alguns belos Natais em climas bem quentes. Se é verdade que o Natal ganha maior expressão quando vivido num contexto de Fé (como pude testemunhar em Goa ou Malaca onde senti, como em nenhuma outra parte, o verdadeiro espírito natalício), tal não significa que o Natal não possa ser vivido com o mesmo fervor por ateus ou perigosos comunistas. Conheço muitos que o comemoram.
Em minha opinião, o que faz com que o Natal só possa ser vivido uma vez no ano é essa corrente de harmonia que se gera e torna as pessoas mais receptivas a ajudar o seu semelhante. Como se alguma força magnética lançada sobre o mundo tornasse as pessoas mais solidárias, mais afectivas, mais humanas. Reforça-se o espírito de família, paira no ar uma certa magia, consubstanciada na noite de Natal pela figura do Pai Natal, que desperta nas crianças um poder imagético do agrado dos adultos, felizes por reviverem, através das suas proles, momentos de criança.
É este espírito de solidariedade “universal”- impossível de prolongar ao longo do ano – que torna o Natal mágico. É certo que o triunfo da sociedade de consumo, as alterações sociais e a mudança das estruturas familiares, transformaram o Natal numa orgia consumista, que suplantou o significado de Festa da Família e relegou a solidariedade para segundo plano.
Talvez porque muitos foram perdendo ao longo da vida as fontes de onde brotava a magia desta época e em seu lugar encontram agora apenas lugares vazios, o Natal perdeu para eles o significado de outros tempos, mas continua a ser um momento único e irrepetível em cada ano.
Desejo por isso, a todos os delituosos, amigos e leitores, um Feliz Natal. Até 2010.

Obrigada, Carlos!
Um Feliz Natal!
Ana
Ora então, leve lá mais outra arvorezinha.
___________________Paz a nto
__________________União
_________________Alegrias
________________Esperanças
_______________Amor.Sucesso
______________Realizações★Luz
_____________Respeito★harmonia
____________Saúde★..solidariedade
___________Felicidade★…Humildade
__________Confraternização★..Pureza
_________Amizade★Sabedoria★.Perdão
________Igualdade★Liberdade.Boa-.sorte
_______Sinceridade★Estima★.Fraternidade
______Equilíbrio★Dignidade★..Benevolênci
_____Fé★Bondade_Paciência.★.Gratidão_Força
____Tenacidade★Prosperidade★.Reconhecime
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Tem toda a razão.
Sempre achei essa frase idiota.
Nata é agora e o resto é conversa.
Por isso, FELIZ NATAL
Beijinhos
“Sempre achei essa frase idiota”.
Também eu. Mas, olhe, é um verso do defunto poeta do PC Ary, quem diria? O mesmo da “minha lã, meu amor”, claro.
Obrigada, Carlos.
Com pronúncia dum certo hemisfério sul, aqui fica o poema e a ligação para o ouvir dito por dois grandes actores, digo eu;))
Poema de Natal
Para isso fomos feitos: aQ
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos…
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.
Vinicius de Morais in “Antologia Poética”, Editora do Autor – Rio de Janeiro, 1960
http://www.youtube.com/watch?v=Ml074nMA0
Feliz Natal, Carlos!
Bom Natal, Carlos. E calma, com essa velocidade toda ainda vai directo para a passagem do ano….
:)))
Concordo contigo, Carlos. Natal é no Natal, não é ‘quando um homem quiser’. Essa mentalidade ‘new age’ faz equivaler o tudo ao nada.
Desejo-te um Natal feliz.
Meu Natal perdeu seu significado, mas aos poucos ando resgatando-o e confesso que textos como os seus colaboraram muito para esta mudança :o)
Feliz Natal com muito hohoho para vc tb!
E que venha 2010…
Bom dia. Este post está em destaque na Homepage do SAPO.
Boas festas 🙂
Tenho pena, mas na minha opinião trata-se de um texto revivalista, virado para o passado e não para o futuro que se quer diferente e, porque não, utópico?!
A frase em relevo tem um alcance que só os utopistas entendem…Porém, são as utopias e utopistas e só eles que transformam o Mundo “arrastando” o “peso morto” dos incrédulos, cépticos , imobilistas.
Espírito de Natal num só dia (época) é restritivo;tem que ser de todos os dias, no meu entender. Só isso transformará o mundo. Espírito de Natal num só dia (época) é hipocrisia, abafa consciência, demonstração de uma maior parte do ano frustrante. Desejar isso apenas, estagna, não transforma.
Um abraço
Parabéns, Carlos.
Belo texto e delicioso Pai Natal…
Passo a vida à procura dessa magia, que sem querer, acabo por encontrar só um bocadinho…
São os filhos.
Um dia serão os netos…
Dia feliz..
:))
Bem, Carlos, eu não me admiro nada com esta publicação no “Delito de Opinião”, porque este texto está uma delícia. Gostei imenso.
Maria Letra
Não comemoro o Natal mas considero que é um período que junta as pessoas, há em maior ou menor escala alguma preocupação para com os outros e, não obstante o consumismo, há ainda uma luzinha no coração de alguns o sorriso nos lábios das crianças.
Até para o ano
e parabéns pelo excelente post
Obrigado, Carlos Oliveira, pelos votos de um Feliz Natal, ao qual venho retribuir do mesmo modo.
Quanto ao comentário posso dizer que estou de pleno acordo.