Desabafo natalício


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Há uns meses escrevi  alguns  posts, tentando explicar  a emergência do bolivarismo e de figuras como Chavez ou Evo Morales,  como  resposta às ditaduras sanguinárias que fizeram milhares de vítimas na  América Latina. Entre os episódios que relatei, fiz referência ao facto de, na Argentina, os militares meterem dissidentes em helicópteros e os lançarem ao mar, ao largo de Península Valdez.

Pensava que, escrevendo sobre a realidade latino-americana, estava a contribuir para o esclarecimento dos leitores. Infelizmente, enganei-me.Com alguma surpresa, recebi alguns comentários de uns cobardolas que, a coberto do anonimato, me insultaram e acusaram de esquerdista e mentiroso. Poder-lhes-ia ter respondido com uma história  que contei aqui no Natal de 2008, ocorrida com uma pessoa muito próxima, mas preferi não dar troco, porque há “fachos” com cabeça tão dura, que só acreditam na sua própria verdade.

Recomendo a esses comentadores que leiam uma reportagem, na “Pública” de hoje, onde se relatam alguns casos de vítimas da ditadura argentina que confirmam o que venho escrevendo há anos, aqui e noutros blogs. É provável que essas cabeças duras – que provavelmente se preparam para comemorar o Natal, comendo bacalhau em baixelas de prata, indiferentes ao sofrimento dos outros e gritando morte ao comunismo – continuem a duvidar. Não será por isso que lhes vou desejar que passem, neste Natal, pelo mesmo sofrimento com que sou obrigado a conviver, desde que uns militares filhos da puta me  arruinaram a vida. Nem faço votos para que um dia destes  lhes aconteça isto.

Desejo-lhes apenas boas masturbações  enquanto escrevem comentários insultuosos, onde tresanda um anti-comunismo primário e abjecto,  e que  depois lavem bem os rabinhos, para poderem ter um Natal feliz e tranquilo, na companhia do que mais apreciam.

 

(Comunico aos meus colegas de Delito – de quem espero compreensão pelo teor deste desabafo – que, a partir de hoje, pretendo ser apenas eu a moderar os comentários aos meus posts, pelo que agradeço que se abstenham de viabilizar insinuações e insultos  de cobardes a coberto do anonimato. Censura? Obviamente que sim. Quando alguns comentadores não respeitam a opinião e, aproveitando a bonomia do DO, se escudam no anonimato para replicar com insinuações torpes, ou lançar insultos, a única solução é cortar-lhes o pio. Para manter a blogosfera asseada). 

Síndrome do papagaio


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Parece que Medina Carreira afirmou há dias, na Figueira da Foz, que o programa “Novas Oportunidades” é uma trafulhice e uma aldrabice.

O ex-ministro das finanças perdeu uma boa oportunidade para estar calado. Falou de cor, à espera dos aplausos  da plateia, provavelmente sem pensar no que disse. Desafio Medina Carreira a alicerçar a sua opinião em factos.

Visitei muitos  Centros Novas Oportunidades, visitei empresas que implementaram o programa,  falei com  dezenas de formadores e de formandos, conheço os referenciais, sei como são aplicados, conheço o grau de exigência que obriga muitos candidatos a abandonarem os CNO, constatei como o PNO mudou a vida de muitos cidadãos deste país  e estou em condições de garantir que as afirmações de Medina Carreira são mais uma das suas “boutades” popularuchas, completamente descabidas, que lhe vão granjeando enorme popularidade, mas carecem de veracidade e não encontram eco nas empresas que desenvolvem o programa.

Medina Carreira  fala de tudo, diz mal de tudo, parece  um  papagaio a declamar  aquilo que os  tugas gostam de ouvir.  Antes de dizer disparates, seria bom informar-se. Lendo testemunhos, ou auscultando a opinião das empresas que estão a implantar o programa . As suas afirmações sobre o  “Novas Oportunidades” além de revelarem ignorância, são um insulto a empresas, formandos e formadores. Haverá, certamente, melhorias a introduzir, detalhes a corrigir, mas afirmar que  é uma trafulhice revela falta de senso e ignorância. 

Se é verdade  que ele disse  que os alunos do PNO vão lá,” entregam um papel e voltam passado um ano para receber o diploma”, tenho de lhe dizer que, além de ignorante, é MENTIROSO! (desculpa as maiúsculas, João). Provavelmente MC está a confundir o PNO com as passagens administrativas do PREC, que  permitem a alguns andarem a pavonear-se com títulos académicos  obtidos na secretaria a troco de algumas notas de mil escudos.

Com a preciosa ajuda de alguma  comunicação social( sempre disposta a reproduzir  críticas, mas pouco interessada em saber a verdade e que alegremente confunde o “Novas Oportunidades” com o ensino secundário, (escamoteando que essa via é assegurada apenas pelos cursos EFA)  e animado com os aplausos  babados  de bloguistas como João Miranda ou Helena Matos, Medina Carreira  almeja  ser o  papagaio da República, mas é apenas um “velho do Restelo”, porta-voz da inveja e frustração dos tugas. 

No entanto, admito, algum mérito deve ter  para figurar nesta lista.

Eu não acredito(2)


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Que o  deputado do BE eleito pelo Porto, João Semedo, reduza isto a “um espectáculo comercial que não merece tanto alarido”.

Se ele não sabe que, para além de espectáculo, se trata de um cartaz turístico de grande interesse para toda a região, pelo impacto turístico resultante das transmissões televisivas, não percebo o que estará a fazer na AR como deputado  eleito pelo Porto.

Eu não acredito!


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Que alguém tenha escrito isto:

"Pelo menos no aspecto essencial da reprodução, uma união de um par homossexual não é igual a uma união de um casal humano"

(Mário Pinto, Pofessor Universitário, in "O Público" de 16/12/09)

Tempos difíceis…


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Desde que entrámos  na Europa, a primeira preocupação de qualquer primeiro-ministro português tem sido mostrar aos seus congéneres que Portugal é um país bem comportado, sempre disposto a acatar, de forma obediente, as ordens vindas de Bruxelas. O importante é  os dinheiritos continuarem a cair, como recompensa pela nossa obediência e bom comportamento. Poderia enunciar uma longa lista de situações, remontando ao tempo de Cavaco, mas limito-me a recordar a prioridade no combate ao défice, iniciada por Durão Barroso e Ferreira Leite e continuada por Sócrates e Teixeira dos Santos.

Todos estamos lembrados dos sacrifícios que nos foram pedidos pelo anterior governo, obcecado em reduzir o défice em quatro anos, de 6,5 para 2 por cento. Foi um apertar de cinto violentíssimo, especialmente para quem trabalha por conta de outrem, que é sempre o bombo da festa.

Vejo por isso, com grande preocupação, a forma disciplinada (e displicente) como Teixeira dos Santos aceitou, sem pestanejar,  reduzir o défice – possivelmente superior a 8 por cento – para 3 por cento até 2013. Adivinho dias difíceis nos próximos anos. Não para os empresários, nem para os banqueiros, ou  quem trabalha em gabinetes ministeriais, mas sim para os trabalhadores deste país. 

A crise não está ultrapassada e, como ainda ontem lembrou Obama, corremos sério risco de uma recaída, cujos efeitos serão ainda piores do que os que estamos a viver. Temo que o povo, cansado de suportar tantos sacrifícios, de ser sempre obrigado a pagar os erros dos outros,  não aguente  e um dia  a corda, de tanto esticar, rebente. Com estrondo e consequências imprevisíveis.

Figura da semana (5)


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Manoel de Oliveira

 

Este homem é um fenómeno! Completou na sexta-feira 101 anos e ainda há semanas, num restaurante de Lisboa, pude testemunhar a sua pujança  física e o seu vigor intelectual. Não é para qualquer um fazer projectos aos 101 anos!

Para além de uma vida cheia, onde não faltou a prática desportiva, o amor pelos automóveis e pela velocidade (chegou a entrar em corridas), Manoel de Oliveira ainda teve tempo para ser um realizador profícuo, cuja obra ficará iniludivelmente gravada nas páginas da história do cinema. Mal amado em Portugal, mas constantemente elogiado pela crítica estrangeira, aplaudido de pé em Cannes, Berlim ou Veneza e alvo de indiferença (quando não azeda crítica) caseira, Manoel de Oliveira cumpriu o calvário de muitos génios portugueses, a quem a generosidade da alma lusa sempre regateou elogios.

Não vou ser hipócrita e dizer que sempre tive grande admiração pelo realizador. Estaria a mentir se dissesse que não bocejei ao ver “Benilde ou a Virgem Mãe” ou “Le Soulier de Satin”. Isso não me impede, porém, de dizer que, a seguir a “Cinema Paraíso”, “Aniki-Bobó” foi o filme que mais me marcou em toda a vida.

Manoel de Oliveira fez o seu caminho sem cedências, certo de que estava a cumprir o seu percurso. As críticas de que foi alvo em Portugal não o impediram de percorrer o país e gravar em imagens o seu retrato, iniciado com o documentário “Douro Faina Fluvial”.

Foram também autores portugueses (especialmente Agustina) que inspiraram muitos dos seus filmes, talvez porque Manoel de Oliveira encontre neles a atmosfera apropriada ao seu estilo.

Por tudo isto, escolhi Manoel de Oliveira para figura da semana. Uma personalidade  bem contrastante com a figura que mereceu o destaque de Cromo e podem ver aqui

Tuvalu – um país (quase) virtual


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               Praia de Funafuti (Tuvalu)

 

Alguns países estão sob ameaça de desaparecimento, se a temperatura  aumentar, provocando a subida do  nível das águas  do mar. Nos últimos tempos muito se falou das Maldivas, cujo governo, numa tentativa de alertar o mundo para o perigo  de submersão que corre aquele estado-arquipélago, reuniu o conselho de ministros debaixo de água. .

Durante a Cimeira de Copenhaga, foi a vez de uma habitante das ilhas Fiji rebentar em lágrimas quando relatava aos participantes o destino do seu país, se nada fizessem para o salvar. Mais antigo – e porventura por já muitos esquecido – foi o episódio protagonizado em 1999 pelo primeiro-ministro do Tuvalu, Ionatana Ionatana.

Situado algures entre a Austrália e o Hawai, este pequeno país composto por nove ilhotas habitadas por pouco mais de 10 mil almas também corre o risco de desaparecer .

Em 1999, quando o mundo aguardava, expectante,  o “Bug” do ano 2000, Tuvalu foi notícia porque o primeiro-ministro decidiu adiantar os ponteiros do relógio uma hora. Com essa artimanha, Tuvalu passava  a ser o primeiro país a entrar no novo milénio em vez de ser o último e esperava, como retorno, uma grande cobertura mediática. O estratagema não resultou, tendo Tuvalu sido quase ignorado pelas imagens televisivas que, ao longo de 24 horas, foram mostrando a passagem de milénio em todo o mundo. Meses mais tarde, o PM de Tuvalu dizia que o seu propósito fora apenas chamar a atenção do mundo para o perigo que o país corria, mas poucos foram os órgãos de comunicação social que lhe deram ouvidos.

Na altura publiquei um artigo, na revista de que era editor, sobre Tuvalu. No entanto, não foi este episódio da “dança das horas” a razão do destaque. Acontece que, no início de 2000, chegou-me às mãos uma notícia que achei interessante: o governo de Tuvalu garantia grande parte das suas receitas graças ao negócio das linhas de telefones eróticas.  Comecei a pesquisar algumas curiosidades sobre o país e acabei por descobrir que dias  depois do falhado “Bug” chegou a Funafuti (capital do país) um emissário da empresa californiana Idealab com o objectivo de adquirir, por 50 milhões de dólares e uma garantia de rendimentos anuais de pelo menos mais 5 milhões, o domínio “.tv” que a UCI ( União Internacional de Comunicações) atribuiu ao país na Internet.

A proposta caiu como “sopa no mel” . Ionatana Ionatana apressou-se a anunciar à pouco alfabetizada população, cujo principal rendimento é a pesca, que as receitas provenientes do acordo seriam aplicadas em infra-estruturas, na melhoria das ligações marítimas entre as ilhas e na educação. O mais curioso é que, naquela época, nenhum dos habitantes de Tuvalu tinha acesso à Internet, desconhecia em absoluto o correio electrónico e o significado de Web.

O espaço virtual transformou-se para os habitantes de Tuvalu na garantia de melhores condições de vida, pelo menos até ao dia em que as águas do Pacífico submirjam definitivamente as pequenas ilhotas, reduzindo-as a um país tão virtual como a pequena e abandonada plataforma do Mar do Norte que um dia proclamou a independência, sobrevivendo à custa das receitas proporcionadas pela venda de passaportes diplomáticos de um pais de faz de conta.

Entretanto, as autoridades de Tuvalu anunciaram que em 2020 o país utilizará exclusivamente energias limpas, de origem solar,  hídrica e eólica. Resta saber se isso será suficiente para o manter no mapa…

Estes exemplos não são únicos. No Pacífico e no Índico há muitos territórios paradisíacos como as Maldivas, as Fiji ou Tuvalu (este não conheço, mas a avaliar pela foto tenho pena…) que correm o risco de desaparecer, graças à incúria dos homens. Serão menos uns quantos destinos de férias paradisíacos para optar. Não vos parece que é uma pena os vossos filhos não os poderem apreciar?

(Texto também publicado nas cronicasdorochedo)

O ambientalista céptico


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A receita não é nova. Quando se discute a necessidade de tomar medidas em defesa do ambiente, há sempre alguém que sai à liça com argumentos que procuram desvalorizar os estudos sobre as alterações climáticas ou, como é agora o caso, pôr em causa  a sua credibilidade. São sempre os mesmos, já todos os conhecem de ginjeira e têm o seu guru: Bjorn Lomborg- o ambientalista céptico.

A doutrina deste excêntrico dinamarquês não assenta na negação das alterações climáticas, a sua originalidade reside nas soluções que propõe. Combater a SIDA, a malária e a sub-nutrição, e liberalizar os mercados são as medidas base do seu projecto a que, curiosamente, chamou Consenso de Copenhaga.

Ler mais aqui

Copenhaga: à procura de consensos


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Resisto à tentação de escrever  sobre a Cimeira de Copenhaga, convicto que  nada acrescentaria ao que os jornais vão noticiando.

Sou  um “burro velho” nestas andanças. Quando, em 1992, voei de Hong-Kong para o Rio de Janeiro, com o objectivo de fazer a cobertura da “Cimeira da Terra para a “Tribuna de Macau” e para a TDM, ia cheio de esperança. Apesar das reservas que sempre manifestei quanto à possibilidade de um acordo, era a minha estreia em cimeiras sobre ambiente e tinha esperança que, à última hora, pudesse ser o primeiro a dar, em directo, a notícia para Macau: os líderes mundiais tinham ganho juízo e resolveram entender-se. Ingenuidade de principiante, admito hoje sem qualquer rebuço.

É sabido que o programa de acção da  Carta da Terra, estabelecido na Agenda 21, acabou por ser o acordo possível. Embora muito aquém do que já nessa altura seria necessário, o texto enunciava um conjunto de propostas razoáveis que, sendo seguidas pelos vários países, poderiam servir de travão a certas práticas ecologicamente incorrectas. A frase  chave – “Pensar globalmente, agir localmente” – parecia também, na época, ajustar-se à ideia de que cada país deveria tomar as medidas adequadas à sua realidade, numa perspectiva global. Olhando para trás, há quem diga que o fracasso da Cimeira do Rio não foi tão rotundo como se possa pensar. Foi a partir daí que se começou a falar de desenvolvimento sustentável, biodiversidade, consumo responsável dos cidadãos ou Responsabilidade Social das Empresas. Na realidade, as medidas  Agenda 21 exerceram, na salvação do Planeta, o mesmo efeito de uma Aspirina ministrada a um doente com cancro mas, sem a Cimeira da Terra, talvez não tivesse sido possível a existência do Protocolo de Quioto.

Desde o Rio de Janeiro estive presente em diversas conferências e convenções internacionais. Em Montreal, Buenos Aires, Nova Iorque, Quioto, Joanesburgo, Cairo, Istambul ou Bali, pude testemunhar que,  apesar de tímidos, os passos que foram  dados permitiram algum progresso.

Copenhaga é, para muitos, a última esperança. Não será tanto assim. Quando a água for paga a peso de ouro e os gases com efeito de estufa esturricarem os terráqueos, a maioria de nós já cá não estará para ver. Os nossos descendentes que se amanhem, porque o importante, para a geração actualmente no poder em todo o mundo é deixar-lhes, como herança, tecnologias de ponta, off shores, uma boa conta bancária, e um modelo social e económico assente na doutrina ultra-liberal cujo único dogma é o “Eu, Ldª”.

Ao longo destes 17 anos os protagonistas políticos têm mudado, mas os seus discursos são os mesmos. Os interesses de cada um dos países está acima do interesse global, porque a globalização só serve para alguns e, no momento de pedir sacrifícios a todos os mais poderosos fazem-se distraídos. Em Copenhaga, o discurso e a prática de Obama, por exemplo,  pouco diferem do discurso e prática de Bush pai durante a Cimeira do Rio. 

Os diversos blocos têm tido dificuldade em falar a uma só voz. Nos países do Mercosul, a Argentina e o Brasil entraram em confronto; no G-77 a Malásia demarcou-se dos restantes países; há dificuldades sérias em estabelecer um consenso entre os países africanos sobre as regras do mercado de carbono. Apenas a UE parece ter uma estratégia concertada e falar a uma só voz, embora seja ainda difícil prever  o que custará a cada um dos estados-membros este consenso (es)forçado. E, como se não bastasse, há cada vez mais adeptos do ambientalista céptico Bjorn Lomborg

Nas ONG  e na comunicação social há muitas caras que já conheço desde o Rio de Janeiro e, como sempre acontece, recordam-se alguns episódios ocorridos noutros cenários.  Talvez, nos próximos dias, tenha oportunidade de partilhar alguns convosco. Até lá, se quiserem saber um pouco do ambiente que se vive em Copenhaga, convido-vos a ler aqui.

A figura da semana (4)


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Carlos Pimenta

Na semana em que se inicia a Cimeira de Copenhaga sobre as Alterações Climáticas, parece-me oportuno recordar Carlos Pimenta.

Nomeado secretário de estado do ambiente em 1986, este então jovem engenheiro foi o primeiro governante a colocar a temática ambiental no centro do debate político. Competente e corajoso, mas incómodo, mandou demolir  construções clandestinas na Arrábida, Fonte da Telha e Ria Formosa, o que lhe valeu alguma impopularidade, mesmo junto dos seus pares do governo.

Como aconteceu com outros governantes, a sua noção correcta de  defesa do interesse público valeu-lhe de pouco. Rapidamente trataram de o enviar para Bruxelas como deputado europeu.  Ninguém lhe pode, porém, tirar o mérito de ter  sido o primeiro governante a apoiar de forma sistemática as associações  ambientais e a alertar a opinião pública para temas como a biodiversidade,  ou o consumo sustentável. Foi nessa altura que estes temas começaram a ser abordados na comunicação social, graças ao empenho de alguns jornalistas, como Luísa Schmidt, que se especializaram em questões ambientais.

Depois dele, houve outro secretário de estado do ambiente que também tomou medidas corajosas e deixou uma marca forte na sua passagem por aquela pasta. Mas esse apenas justifica, hoje em dia, a escolha de cromo da semana.

Estão a mangar comigo!


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Na primeira página do “Publico” de ontem, podia ler-se em grande destaque: “Facebook -Desamigar é a nova palavra”.

Nova? Porquê?  Porque o New Oxford American Dictionary assim o determinou? Só podem estar a mangar comigo! Conheço a palavra desde miúdo. No meu Porto, quando perguntávamos:

“Então o Beto e a Nanda continuam amigados?“ e recebíamos como resposta “Não, desamigaram-se o mês passado”, todos sabíamos que o Beto e a Nanda  tinham juntado os trapinhos  mas, por qualquer volta da vida, tinham acabado por se separar. Sem casamentos ou divórcios, nem padres ou juízes. Apenas por vontade própria. Porque lhes apeteceu e ninguém tinha nada a ver com isso.

Será que no “Público” ninguém conhece o verbo  “desamigar”?  Estou a pensar enviar-lhes  um exemplar deste dicionário  (ainda em construção).

Retratos da pobreza e exclusão (2)


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A Comissão Europeia  utiliza expressões como “infopobres” ou “exclusão social” para  enquadrar o novo conceito de pobreza

A expressão “exclusão social” radica na tradição francesa e é definida por Robert Castel como “a fase extrema do processo de marginalização, entendido este como um percurso descendente, ao longo do qual se verificam sucessivas rupturas na relação do indivíduo com a sociedade”.

No livro “Exclusões Sociais” (ed Gradiva), Alfredo  Bruto da Costa  refere como uma das  causas dessa exclusão “a ruptura em relação ao mercado de trabalho, que se traduz em desemprego ou mesmo num desligamento irreversível face a esse mercado”.

O caso de Ângela enquadra-se perfeitamente nesta terminologia de pobreza.

Retratos da pobreza e exclusão (1)


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Cerca de dois milhões de portugueses vivem com rendimentos inferiores a 60 por cento da média nacional, o que faz de Portugal o país da União Europeia com maior desigualdade na distribuição de riqueza e um dos que tem mais elevada percentagem de população em risco de pobreza.

A pobreza manifesta-se de diversas formas, mas é muito diferente da que se vivia em Portugal até aos anos 70. Normalmente, nas cidades, não passa sequer pela fome, pois existe uma rede social, de iniciativa pública e privada, que permite suprir as carências essenciais. Hoje em dia, as situações de pobreza aparentemente mais problemáticas e de mais difícil solução, ocorrem em zonas de populações envelhecidas e isoladas. É uma pobreza estrutural, difícil de ultrapassar,   que resulta em grande parte do subdesenvolvimento de alguma zonas do país e que podemos constatar quando viajamos pelo interior. De acordo com dados do Eurostat, Portugal é o país onde é mais difícil ultrapassar a situação de pobreza, estimando em cerca de 15% a percentagem da população que é pobre há pelo menos dois anos. A mesma fonte estima em 10,9% os empregados por conta de outrem que vivem em situação de pobreza. 

 Convém no entanto referir que, no conceito actual, ser pobre não significa apenas  escassez de recursos económicos , existindo mesmo uma tendência generalizada, a nível mundial, para não  incluir os rendimentos em termos quantitativos ou de poupança, nos estudos sobre a pobreza.

A definição de pobreza actualmente utilizada quer pela ONU, quer por instituições nacionais- cuja reformulação está a ser estudada- contempla um espectro mais vasto de situações para caracterizar a pobreza:

“É uma situação de privação, persistente e grave, relativamente à satisfação de uma ou mais necessidades básicas tal como estas se exprimem numa dada sociedade, destacando-se entre elas a alimentação, o vestuário, a habitação e respectivas condições de utilização, os consumos essenciais, o apoio social, a saúde  e até determinados consumos de carácter extraordinário.”

Às portas de Lisboa, paredes meias com Vila Franca de Xira,  o casal Sousa é um exemplo ilustrativo dessa situação.

 

A figura da semana (3)


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António Guterres

A revista Forbes publicou, há semanas, uma lista das pessoas mais poderosas do mundo. Muitos terão ficado surpreendidos por António Guterres  ser  o único português  que consta dessa lista e de ela não incluir  o nome do presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso.

Se perguntássemos aos portugueses qual era o português mais poderoso do mundo,  Durão Barroso recolheria, certamente, o maior número dos votos e poucos se lembrariam de António Guterres, presidente de um organismo que a maioria dos portugueses desconhece: o Alto Comissariado das Nações Unidas  para os Refugiados (ACNUR).

A reacção de surpresa é bem reveladora da forma distorcida como vemos o mundo, incapazes de olhar  para além do nosso umbigo. A comunicação social portuguesa padece do mesmo mal. Raras vezes fala do ACNUR e da sua importância. Provavelmente, porque também não  se preocupa muito com o trabalho desenvolvido pelo ACNUR

Goste-se ou não de Guterres, a sua escolha para figura da semana parece-me justa.  Tal como o cromo da semana, que podem ver aqui.

Figura da semana (2)


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Carlos Queiroz não merecia ter sido tão vilipendiado pelos fãs saudosistas de Scolari. É bom lembrar que foi o treinador dos dois únicos  Campeonatos do Mundo  que Portugal  conquistou (sub-21).  

É verdade que Portugal teve um grupo de apuramento fácil e devia ter-se qualificado directamente, mas Queiroz não pode ser culpado por alguns jogadores terem  andado a passear em alguns jogos. Scolari também teve grupos fáceis  no Mundial de 2006 e no Euro 2008, mas isso não impediu  empates com o Azerbeijão  ou o Liechtenstein. E é bom lembrar que, no apuramento para o Euro-2008, só nos qualificámos no último jogo, contra a tosca Finlândia, com um empate a zero no Dragão.

Nos dois melhores jogos que fez durante a qualificação (contra a Dinamarca) Portugal teve azar e não encontro razões  para criticar Queiroz. Por outro lado, Portugal encerrou 2009 sem qualquer derrota em 12 jogos (9 vitórias e 3 empates). Vale também a pena lembrar que Portugal ocupa o 5º lugar no ranking da FIFA, posição que nunca ocupou no tempo de Scolari. Ah, pois é!….

Queiroz não é o meu treinador, mas nunca o culpei pelos desaires. Apontei o dedo a alguns jogadores, pela sua falta de empenho nos jogos contra a Suécia, ou contra a Albânia em Braga. Curiosamente, foram dois jogadores a actuar em Portugal que acabaram por qualificar Portugal para a África do Sul… Estamos lá e o mérito não pode deixar de ser atribuído ao treinador pois, se tivéssemos sido eliminados, seria ele a arcar com as culpas do insucesso e muitos – agora caladinhos – estariam a exigir a sua demissão.

O apuramento foi uma bofetadinha nos velhos do Restelo que suspiravam pelo regresso de Scolari. Por tudo isto, é a minha figura da semana. Aqui, podem encontrar o cromo correspondente.

Direitos das crianças


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Este ano assinalaram-se os 50 anos da Declaração dos Direitos da Criança.

Hoje, comemora-se o 20º aniversário da assinatura da Convenção dos Direitos da Criança. Estados Unidos e Somália continuam a ser os únicos países que não a subscreveram. É habitual assinalar estas datas com celebrações mas não haverá razões para grandes festejos enquanto algumas empresas agirem assim. Ou houver crianças a ser tratadas assim

 

A Cimeira da Fome


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Neste maravilhoso mundo de abundância onde vivemos, uma em cada seis pessoas  tem fome. Ou seja: neste mundo de prosperidade, um sexto da população não tem acesso àquele que deveria ser o mais elementar direito de qualquer ser humano: a satisfação das suas necessidades básicas.

Neste mundo tão preocupado com as crianças, morrem 17 mil crianças por dia… COM FOME!

De quando em vez, o mundo preocupa-se com a questão. Em 1996, por exemplo, o combate à fome foi o “Objectivo do Milénio” estabelecido pela ONU.

Treze anos depois… o problema agravou-se. Os governos de todo o mundo continuam mais preocupados em salvar os bancos, do que as pessoas. No entanto, 2010 é o Ano Europeu da Luta contra Pobreza e Exclusão Social, pelo que era necessário dar um sinal de que, apesar da crise, a preocupação permanece.

Por razões que não vêm por agora à colação, a ONU considerou ser  Roma a cidade ideal para discutir os problemas da fome. Sessenta países responderam à chamada. Curiosamente, os países mais ricos do mundo – que integram o G-8- não compareceram.  Surpresa? Nem por isso. A razão está aqui explicada para quem, eventualmente, tenha lapsos de memória.

Figura da semana (1)


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Quando foi indigitado pelo PS, para presidir ao Tribunal de Contas, a oposição teceu duras críticas à sua isenção. Levantaram-se vozes inflamadas, dizendo que o PS pretendia controlar o Tribunal de Contas, nomeando uma pessoa dócil que fechasse os olhos a eventuais irregularidades.

O tempo encarregou-se de demonstrar que as acusações  não tinham qualquer fundamento. Guilherme de Oliveira Martins tem sido uma figura incómoda para o governo socialista, suscitando dúvidas sobre inúmeras questões. A mais recente dúvida levantada pelo Tribunal de Contas prende-se com uma das medidas mais emblemáticas do governo Sócrates: o Magalhães .

Acredito que, hoje em dia, ninguém tenha dúvidas sobre a isenção de Guilherme de Oliveira Martins  e o seu contributo para uma maior transparência das contas públicas. De realçar, também, a forma serena como tem desempenhado o seu cargo, evitando os holofotes da comunicação social. A oposição teria muito a ganhar se aprendesse com o exemplo do ex-ministro da educação e das finanças de Guterres.

Nem só de bons exemplos se faz a democracia portuguesa. Também há muitos cromos, suficientes para embelezar uma caderneta. O desta semana está aqui.