O ambientalista céptico


imagenscomhistoria,

A receita não é nova. Quando se discute a necessidade de tomar medidas em defesa do ambiente, há sempre alguém que sai à liça com argumentos que procuram desvalorizar os estudos sobre as alterações climáticas ou, como é agora o caso, pôr em causa  a sua credibilidade. São sempre os mesmos, já todos os conhecem de ginjeira e têm o seu guru: Bjorn Lomborg- o ambientalista céptico.

A doutrina deste excêntrico dinamarquês não assenta na negação das alterações climáticas, a sua originalidade reside nas soluções que propõe. Combater a SIDA, a malária e a sub-nutrição, e liberalizar os mercados são as medidas base do seu projecto a que, curiosamente, chamou Consenso de Copenhaga.

Ler mais aqui

9 comentários em “O ambientalista céptico”

  1. Lomborg foi alguém com desejos de fama e notoriedade e soube procurar habilmente a forma de atingir os seus objectivos. Distorcendo, alterando e mentindo no seu livro e arranjando quem tivesse interesse em subscrever as suas ideias. Curiosamente, e no que diz respeito ao impacto económico das medidas que pudessem reduzir a emissão de gases com efeito de estufa, os economistas estão divididos quanto ao assunto. Uns acham que será minímo, outros que será neutro e outros que até será positivo para a economia. Muito poucos são entusiastas defensores da tragédia ou euforia económica com tais medidas. Quanto ao assunto, dever-se-ia ler o relatório especial que a Economist preparou para a sua edição da passada sexta-feira.

  2. Ainda não consegui detectar nenhum consenso científico face a esta matéria. Daí, em parte, deriva o meu cepticismo relativamente ao tema do aquecimento global. Mais: a questão tornou-se francamente política, e não científica, como deveria ser. E como escolher entre o “excêntrico” Bjorn Lomborg e o hipócrita Al Gore? Afinal, se o dinamarquês é o “guru” dos eco-cépticos, então o americano será o “paladino dos eco-alarmistas.

    Talvez por isso – e por me parecer, à luz das minhas limitações (são muitas), que há muitos factores que normalmente não são considerados – que o alarmismo em redor desta questão é francamente despropositado. Tal como é francamente despropositado tratar-se os “cépticos” como atrasados mentais.

    1. Caro john, antes de mais há um ponto fundamental a apontar: a questão é realmente política. E é-o porque, ainda que houvesse unanimidade científica sobre o assunto (não há), os cientistas por si nada podem fazer. Têm que ser os políticos a tomar medidas e a apontar direcções, além de terem que dar os sinais inequívocos à iniciativa privada, sobre o que fazer.

      Quanto à questão do consenso científico, este existe e é bastante alargado. O que não há é unanimidade, coisa que nunca foi afirmada. Se há a impressão de não haver consenso isso deve-se essencialmente a duas coisas: os cépticos muitas vezes são mais ruidosos (até pelo apoio dos interesses económicos que querem manter o status quo) e porque as regras jornalísticas mandam que se dê tanto espaço quanto possível a visões opostas de uma realidade, o que acaba por dar mais tempo de antena público aos cépticos do que aquele de que gozam nas revistas científicas, uma vez que ou não conseguem suportar as suas teorias ou as evidências que apresentam não passam no crivo do peer-review.

      Isto não quer dizer que seja 100% garantido que existe aquecimento global e que o mesmo está a levar a alterações climáticas. Isto nem sequer é dito a 100% por qualquer cientista sério. Continua a existir a possibilidade de estas alterações climáticas serem causadas por fenómenos naturais e é por isso que não se deixa de investigar estas possibilidades. Isso não implica, contudo, que a hipótese cientificamente mais sólida seja a do aquecimento global antropogénico e as evidências cada vez mais apontam nessa direcção.

      Por fim: não se tratam os cépticos como atrasados mentais, mas muitos cépticos, dos que têm mais opinião que juízo, são excessivamente barulhentos e não apresentam evidências sérias seja do que for. É portanto normal que os cientistas (especialmente estes) os ignorem como quem ignora um tolinho e que outros apoiantes da tese do aquecimento por origem antropogénica, menos versados em ciência e mais em barulho, os acusem de tudo e mais alguma coisa.

      1. João, discordo da sua referência à questão mediática. Defender a causa ambientalista faz parte do actual “politicamente correcto”. Nos meios de comunicação nacional, não se dá uma linha a teses de sinal contrário. A título de exemplo, recomendo-lhe a leitura do editorial do Público de dia 7, segunda-feira. Parece a sinopse de um filme como Deep Impact ou Armageddon… De resto, em qualquer conversa, defender a tese oposta traz logo uma série de rótulos. Faz-me lembrar outras discussões, algumas bem na moda…

        Relativamente aos lobbies… eles existem de ambos os lados. Sinceramente, tenho muitas dúvidas de que um seja melhor do que o outro. Daí eu dizer que a questão é política. Diz-me o João que os cientistas por si só nada podem fazer. Verdade. Mas ver ambos os lados – sim, ambos os lados, ou para voltar aos exemplos iniciais, Bjorn Lomborg e Al Gore – a manipular a ciência em nome do seu lobby é um tanto ou quanto degradante, não é?

        Pessoalmente, continuo a ler, aqui e ali, artigos “cépticos”. Continuo a duvidar de que exista, de facto, um “consenso científico bastante alargado”, admitindo porém a possibilidade de necessitar de mais informação. Não questiono o facto de as actividades humanas terem impacto no meio ambiente (obviamente!), mas creio que há muitos outros factores que poderão ter (ou não) mais influência. Afinal, sou um leigo na matéria. Por isso, e por enquanto, permito-me duvidar. Ou, pelo menos, considerar que o alarmismo de Al Gore, do Público e de tantos outros é mais irracional que racional.

        (Ou então é muito racional, o que torna a coisa ainda mais preocupante)

        1. Caro John, quando se refere a artigos de cépticos está a falar de artigos científicos ou na imprensa genérica? Há uma grande diferença. Seja como for, o simples facto de os ler significa que não estão a ser ignorados.

          1. Ambos. Normalmente através da Internet – blogues, artigos estrangeiros, hiperligações. Enfim, o costume.

            Nunca nos meios de comunicação nacionais. Não fosse a Internet e eu, lendo o tal editorial do Público, iria pensar que a NASA ia mandar o Bruce Willis para o espaço novamente 🙂

            Agora a sério, há quem leia, sim. Felizmente. Creio ser importante ler de tudo, mesmo disparates. Mas a Internet, por mais abrangente que já seja, ainda não dá para tudo.

  3. Carlos, permito-me sublinhar parte do seu post no Rochedo : …” Resumidamente, este “Consenso” assenta numa premissa falaciosa: o aquecimento global é uma realidade, mas há formas mais lucrativas e eficazes de o combater. Como? Combatendo a SIDA, a malária e a sub-nutrição , e liberalizando os mercados….”
    Foi exactamente esta teoria que ele esteve a vender o Estoril, ouro sobre azul nos interesses da assistência presente. Eu que não o conhecia, nem queria acreditar nos meus ouvidos. A capacidade que a humanidade tem em acreditar só naquilo que lhe convém é espantosa.

  4. «On n’avance pas vers la vérité; on change de dogmes, c’est tout». Deve haver poucas áreas em que esta máxima seja tão verdadeira como a do ambientalismo.

    Quanto ao apodo de “excêntrico” a Bjorn Lomborg: a href=”http://www.ionline.pt/conteudo/36604-da-facilidade-acreditar”>este artigo</a> de Paulo Tunhas no i de ontem é lapidar.

  5. Carlos, tenho-o lido com atenção sobre o tema da Cimeira Tenho, também, tentado acompanhar o que vai saindo nos outros meios de comunicação mas, sinceramente, para além de já ser ignorante, estou a ficar baralhada – não querendo também ficar séptica ou parecer – ponho-me a pensar no esforço que faço para reduzir a minha “pegada ecológica”(como se usa dizer) nem sempre fácil e a correr o risco de se tornar desmotivante.
    Obrigada Carlos e vou continuar a lê-lo para ver se fico esclarecida…

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *