Retratos da pobreza e exclusão (1)


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Cerca de dois milhões de portugueses vivem com rendimentos inferiores a 60 por cento da média nacional, o que faz de Portugal o país da União Europeia com maior desigualdade na distribuição de riqueza e um dos que tem mais elevada percentagem de população em risco de pobreza.

A pobreza manifesta-se de diversas formas, mas é muito diferente da que se vivia em Portugal até aos anos 70. Normalmente, nas cidades, não passa sequer pela fome, pois existe uma rede social, de iniciativa pública e privada, que permite suprir as carências essenciais. Hoje em dia, as situações de pobreza aparentemente mais problemáticas e de mais difícil solução, ocorrem em zonas de populações envelhecidas e isoladas. É uma pobreza estrutural, difícil de ultrapassar,   que resulta em grande parte do subdesenvolvimento de alguma zonas do país e que podemos constatar quando viajamos pelo interior. De acordo com dados do Eurostat, Portugal é o país onde é mais difícil ultrapassar a situação de pobreza, estimando em cerca de 15% a percentagem da população que é pobre há pelo menos dois anos. A mesma fonte estima em 10,9% os empregados por conta de outrem que vivem em situação de pobreza. 

 Convém no entanto referir que, no conceito actual, ser pobre não significa apenas  escassez de recursos económicos , existindo mesmo uma tendência generalizada, a nível mundial, para não  incluir os rendimentos em termos quantitativos ou de poupança, nos estudos sobre a pobreza.

A definição de pobreza actualmente utilizada quer pela ONU, quer por instituições nacionais- cuja reformulação está a ser estudada- contempla um espectro mais vasto de situações para caracterizar a pobreza:

“É uma situação de privação, persistente e grave, relativamente à satisfação de uma ou mais necessidades básicas tal como estas se exprimem numa dada sociedade, destacando-se entre elas a alimentação, o vestuário, a habitação e respectivas condições de utilização, os consumos essenciais, o apoio social, a saúde  e até determinados consumos de carácter extraordinário.”

Às portas de Lisboa, paredes meias com Vila Franca de Xira,  o casal Sousa é um exemplo ilustrativo dessa situação.

 

12 comentários em “Retratos da pobreza e exclusão (1)”

  1. Muitíssimo oportuno, Carlos, o teu texto e o exemplo. Mais ainda quando, ainda há meses, o primeiro-ministro insistia que a pobreza estava a baixar e que os dados disponíveis sobre a nossa realidade, contidos em estudos lá de fora, eram antigos e ultrapassados.

  2. Bem oportuno, o teu post. É bom não esquecermos a situação real do país. Para bem de todos nós, este faz-de-conta promovido pelo governo tem de acabar de uma vez por todas e as dificuldades extremas têm de ser enfrentadas.

    1. Quem, como eu, percorre o país durante o ano em busca de histórias reais, sabe que o país de que se fala em Lisboa é bem diferente do país real, Ana. Nos próximos dias, trarei aqui outras situações, noutros pontos do país, que dmonstram que também nós, cidadãos, temos culpas no cartório.
      Infelizmente, não partilho do teu optimismo e penso que a situação de desigualdade se irá ainda agravar mai na próxima década.

      1. Não estou optimista, Carlos. Digo só que que vamos ter obrigatoriamente de ver a realidade, mais cedo ou mais tarde. Pelo andar da carruagem, será o mais tarde que pudermos.

  3. Belo texto do exemplo do casal Sousa. Post muito oportuno Carlos, é uma vergonha e sintoma de subdesenvolvimento que Portugal tenha tamanha desigualdade na distribuição da riqueza.

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