
Carlos Pimenta
Na semana em que se inicia a Cimeira de Copenhaga sobre as Alterações Climáticas, parece-me oportuno recordar Carlos Pimenta.
Nomeado secretário de estado do ambiente em 1986, este então jovem engenheiro foi o primeiro governante a colocar a temática ambiental no centro do debate político. Competente e corajoso, mas incómodo, mandou demolir construções clandestinas na Arrábida, Fonte da Telha e Ria Formosa, o que lhe valeu alguma impopularidade, mesmo junto dos seus pares do governo.
Como aconteceu com outros governantes, a sua noção correcta de defesa do interesse público valeu-lhe de pouco. Rapidamente trataram de o enviar para Bruxelas como deputado europeu. Ninguém lhe pode, porém, tirar o mérito de ter sido o primeiro governante a apoiar de forma sistemática as associações ambientais e a alertar a opinião pública para temas como a biodiversidade, ou o consumo sustentável. Foi nessa altura que estes temas começaram a ser abordados na comunicação social, graças ao empenho de alguns jornalistas, como Luísa Schmidt, que se especializaram em questões ambientais.
Depois dele, houve outro secretário de estado do ambiente que também tomou medidas corajosas e deixou uma marca forte na sua passagem por aquela pasta. Mas esse apenas justifica, hoje em dia, a escolha de cromo da semana.

Boa lembrança, Carlos.
Com tua permissão, aproveito para lembrar um ministro do Ambiente mais recente do que esta Figura da Semana e o «cromo da semana», aquele que fez parte de um governo de coligação e que também garantiu que ia demolir todas as construções clandestinas.
Acabou por demolir apenas sobreiros. Por acaso, tinha erguido uma casa de férias em zona protegida.
Bem lembrado, o Pimentinha 🙂
E se deu que falar!
Houve aí uma macumba qualquer contra os ambientalistas laranjas. Estou-me a lembrar do Carlos Borrego…
Luísa Schmidt é socióloga.
Boa escolha, Carlos. Para não variar: até agora, tem sido tudo a cem por cento.