Figura da semana (5)


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Manoel de Oliveira

 

Este homem é um fenómeno! Completou na sexta-feira 101 anos e ainda há semanas, num restaurante de Lisboa, pude testemunhar a sua pujança  física e o seu vigor intelectual. Não é para qualquer um fazer projectos aos 101 anos!

Para além de uma vida cheia, onde não faltou a prática desportiva, o amor pelos automóveis e pela velocidade (chegou a entrar em corridas), Manoel de Oliveira ainda teve tempo para ser um realizador profícuo, cuja obra ficará iniludivelmente gravada nas páginas da história do cinema. Mal amado em Portugal, mas constantemente elogiado pela crítica estrangeira, aplaudido de pé em Cannes, Berlim ou Veneza e alvo de indiferença (quando não azeda crítica) caseira, Manoel de Oliveira cumpriu o calvário de muitos génios portugueses, a quem a generosidade da alma lusa sempre regateou elogios.

Não vou ser hipócrita e dizer que sempre tive grande admiração pelo realizador. Estaria a mentir se dissesse que não bocejei ao ver “Benilde ou a Virgem Mãe” ou “Le Soulier de Satin”. Isso não me impede, porém, de dizer que, a seguir a “Cinema Paraíso”, “Aniki-Bobó” foi o filme que mais me marcou em toda a vida.

Manoel de Oliveira fez o seu caminho sem cedências, certo de que estava a cumprir o seu percurso. As críticas de que foi alvo em Portugal não o impediram de percorrer o país e gravar em imagens o seu retrato, iniciado com o documentário “Douro Faina Fluvial”.

Foram também autores portugueses (especialmente Agustina) que inspiraram muitos dos seus filmes, talvez porque Manoel de Oliveira encontre neles a atmosfera apropriada ao seu estilo.

Por tudo isto, escolhi Manoel de Oliveira para figura da semana. Uma personalidade  bem contrastante com a figura que mereceu o destaque de Cromo e podem ver aqui

18 comentários em “Figura da semana (5)”

  1. Em Abril deste ano cruzei-me com ele num evento em Lisboa, e também fiquei impressionado: aos 100 anos, Manoel de Oliveira tem mais “genica” do que eu, e eu tenho cerca de um quarto da idade dele.

    Da sua obra cinematográfica conheço muito pouco, o que para todos os efeitos é uma falha minha. Corrigi-la-ei em breve, espero.

  2. Muito bem escolhido Carlos. Aniki-Bobó é um filme à parte, mas tem outros para mim magníficos como Non ou a vã Glória de Mandar, Vale de Abraão, Um Filme Falado, o Convento”… só para citar alguns. Quanto ao cromo, sem comentários, é o tipo de gentinha que acorda a Passionária que há em mim :)))

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