
Ausente de Portugal na última semana, tencionava retomar apenas no dia 11 as nomeações da figura e do cromo da semana. Mudei de ideias enquanto lia os jornais portugueses, na viagem de regresso a Lisboa, mesmo sabendo que a escolha baseada apenas em leituras de jornais implica alguns riscos.
A leitura de excertos da homilia de Ano Novo de D. José Policarpo levou-me a escolhê-lo como figura da semana. Embora seja avesso à intromissão da Igreja na vida política, apreciei a forma lúcida como abordou alguns temas que dividem a sociedade portuguesa, na homilia de Ano Novo. Também a sua posição sobre o referendo ao casamento entre homossexuais (numa entrevista dada à “Ecclesia”, citada pelo DN), que considera ser matéria “não referendável,” merece referência positiva. Os agitados membros da Plataforma deveriam meditar nas palavras de D. José Policarpo e reflectir um pouco. Gostava de perceber a razão do incómodo dos Plataformistas perante uma lei que não lhes diz respeito, em nada afecta a sua vida pessoal, nem põe em causa a sua liberdade. A posição de D. José Policarpo parece-me sensata e coerente com os princípios da Igreja Católica. Falou para os homofóbicos e para dentro da Igreja, cujos membros mais conservadores têm tomado posições pouco consentâneas com o que devia ser a postura da Igreja em determinadas matérias.
Foi também a leitura da imprensa que me levou a escolher o cromo da semana.

D. José Policarpo é um grande bispo, na linha dos melhores que Portugal teve e tem (muitos dos quais fazem figuras bem pouco recomendáveis). E teria dado um belo papa. Talvez ainda vá a tempo.
Assino por baixo conforme o BI…
Muito bem Carlos, subscrevo como sempre. Não adianto mais nada sobre o cromo, é persona non grata cá em casa, eu era capaz de dizer coisas desagradáveis e quero começar o ano só com bons sentimentos.
:))
Muito bem escolhido, Carlos. Um homem inteligente, culto e arejado. Poderia vir a ser um bom Papa, sim.
Muito bem escolhido e apropriado, Carlos. Tive oportunidade de fazer uma viagem de longo curso na companhia (ocasional) de D. José Policarpo, e de um conhecido pintor Angolano, nos tempos em que se fumava nos aviões, e posso-te dizer que foi dos momentos mais divertidos e interessantes que passei dentro de uma aeronave. Não fiquei convertido, mas deu para perceber como cultura, religião e inteligência podem conviver num homem comum que tem os destinos dos fiéis nas suas mãos. E estão bem entregues. Um abraço e bom Ano para ti.
Rui Daniel
Continua a ser uma figura de referência no pântano cultural e ideológico em que grassa a nossa democracia.
Tem o condão de nos ajudar a pensar sobre o essencial e essa é uma bênção mesmo para ateus e agnósticos.
Cavaco Silva, José Sócrates e os demais líderes políticos tinham muito a aprender se o escutassem mais.