Cantava, com ar "malandreco" e prosápia, umas canções ordinarotas que lhe granjearam enorme sucesso. Aos 10 anos sonhava com um Lamborghini e ganhou dinheiro suficiente para os pais trocarem a roulotte por uma mansão. Aos 10 anos, era o sustento da família.
Tinha direito a sonhar com uma vida desafogada mas, quando chegou a adulto, despertou para um enorme pesadelo. O Lamborghini com que sonhou em criança virou abóbora, como nos contos de fadas. Alguém se encarregou de lhe roubar os sonhos.

Este caso tem dois lados: o lado triste e o lado deplorável.
O lado triste é o do “estrelato” precoce forçado, facto semelhante aos que há poucos dias aqui se referiam.
O lado deplorável é o da fraude que a exploração de menores facilita, uma exploração que é feita à vista de todos.
O caso em apreço, ainda por cima, era já lamentável em todos os seus contornos: o rapaz andava pelas feiras em lugar de andar na escola e parecia saído dos tempos em que havia anões que eram figuras de circo. Do bigode colado ao acordeão falso, das letras impróprias à língua aguçada, só num estado de subcultura se tem por normal.
Não se adivinhava o desfecho. Mas adivinhava-se a possibilidade.
Uma história lamentável em que o papel dos pais num país decente daria prisão.
Vi esta história há uns tempos no programa da sic-n “perdidos e achados”. Não sei o que me tocou mais, se os aspectos que o Carlos aqui levanta, se a serenidade, a compostura e a vontade de se reerguer que o agora jovem Saúl demonstrou. Fiquei impressionada e a desejar que ele encontre o seu caminho. O Saúl não falou de pormenores, nem se fez de vítima, mas pelo que depreendi a partir de outros dados, o que aqueles pais fizeram, não tem classificação.
é mesmo de ver três a gritarem na mesa dum restaurante a necessidade de calar o crespo… como diz a minha avó: ó crespo enxerga-te .
Penso que o comentário está um bocadiho dedslocado, mia!