Exmo. Dr. Passos Coelho,
Dirijo-me a Vª. Exa. em estado de necessidade. Como compreenderá, é-me absolutamente impossível votar em José Sócrates nas próximas eleições. Mais do que isso, tenciono entreter boa parte dos próximos dois meses a malhar no dito cujo. Embora Vª. Exa. não me tenha perguntado, sempre lhe direi que me apoquenta uma febre dos fenos crónica que me obriga a permanecer boa parte da estação primaveril apartado de pólenes e gramíneas. Enclausurado como estarei, restar-me-á duplicar a produção diária de posts que actualmente se há-de cifrar, em média, em 3,27. Ou coisa que o valha. E, estimo, aqui e agora, com convicção mas sem a infalibilidade de um Teixeira dos Santos ou, é dizer o mesmo, de um Sinel de Cordes, que cerca de 99,34% dessa produção há-de ser ocupada por crítica acirrada ao ainda Primeiro-Ministro. Assim sendo, e apesar de tudo quanto Vª Exa. tem feito para me desiludir, confesso que é ainda minha intenção, tão firme quanto possam ser as convicções de Vª. Exa., votar no partido que dirige e que tem a particularidade de se diferenciar do PS pela aposição à sigla, afortunada e inspiradoramente, de um D que, sendo de “Democrata”, bem gostaria que fosse também de “Sério”, “Responsável” e “Politicamente Maduro”. Isto dito, perceberá Vª. Exa. que votar no actual PSD envolve alguma violência. De momento, esta poderá ainda ser justificada pela invocação de legítima defesa face ao ataque selvagem levado a cabo pelo PS nos últimos anos. Todavia, é importante que compreenda que um eleitor comum, como é o meu caso, ainda por cima diminuído por estas alturas por espirros, irritação ocular e corrimento nasal, não é obrigado a estar disponível para abandonar a assembleia de voto todo partido. Certo de que ainda está em tempo de tomar boa nota deste meu lancinante apelo, não me despeço sem lhe enviar o objecto ali mais acima. Impedido como estou de cortar relvas e outra vegetação rasteira nos próximos tempos, estou em crer que será para si da maior utilidade.