Ilusões, alucinações e o Congresso do PS (Partido de Sócrates)


Rui Rocha,

O Congresso do PS (Partido de Sócrates) não pode ser entendido sem que se enuncie uma distinção entre os conceitos próximos, mas não coincidentes, de ilusão e de alucinação. A ilusão não vive sem a realidade. Constrói-se a partir dela, transformando-a e deformando-a. A alucinação é uma percepção sem objecto. Vive por si, sem qualquer dependência da realidade. Sócrates já foi um vendedor de ilusões. E os resultados eleitorais demonstram que teve um certo talento nesse ramo de actividade. O problema de Sócrates é que tem tanto mérito na venda de ilusões como demérito na actividade de pagador de promessas. E isso é fatal no ramo das ilusões. Recorde-se: estas não sobrevivem na ausência de um nadinha de realidade. A reserva de realidade nas ilusões vendidas por Sócrates esgotou-se. Por isso, Sócrates decidiu mudar de ramo. Agora, está no negócio das alucinações. A moção global de Sócrates aprovada no Congresso de Matosinhos com mais de 97% dos votos é um bom exemplo. Dei-me ao trabalho de a ler de fio a pavio (pode obter-se aqui). O que impressiona é a total ausência de realidade. É uma moção de apoio ao programa de um governo, que define uma estratégia de defesa face à crise da dívida soberana e que salienta a importância da estabilidade política. Entretanto, o governo já caiu, foi formalizado o pedido de ajuda externa e foram convocadas eleições. E isto leva-nos a um aspecto fundamental. As ilusões vendem-se a quem procura a esperança. As alucinações são impingidas a quem se encontra numa situação de delírio. A esperança é o estado natural do ser humano. O delírio é a consequência de uma situação patológica. O Congresso dos Amigos de Sócrates revela um partido doente. As próximas eleições permitirão, antes de mais, avaliar o estado de saúde do país.

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