Este artigo de Manuel Maria Carrilho é demolidor. Mas, o que diz não é novo nem original. Relativamente às posições de Carrilho poderá sempre lançar-se a dúvida sobre os reais motivos que justificam a sua divergência. O certo é que o que Carrilho diz sobre o recente Congresso do PS, muitos outros disseram, nos últimos dias, por outras palavras. Trago-o aqui, sobretudo, porque um parágrafo do texto me parece uma excelente legenda para algumas imagens que é importante registar para memória futura. E também para entendimento do presente. Não chegámos aqui por acaso.
O parágrafo é este:
“Como na história ficará também a indigência intelectual e o perfil ético de tantos “senadores” do PS que subiram ao palco para – com completo conhecimento de causa sobre o gravíssimo estado do País – acenar cinicamente aos militantes e aos Portugueses, por puro e interessado calculismo político”.
As imagens são estas:

Já diz o povo que cuspir no prato onde se comeu prenuncia má índole e cobardia, na medida em que a crítica pode ser legítima e eventualmente oportuna, mas não, vinda de um militante do partido a quem foram distribuídos cargos executivos.
Se MMC não tem coragem para renunciar ao partido, porque não o expulsa o PS?
Ah, valente! Já defendeu isso lá dentro ou não?
Não corre esse risco, Álvaro. Sócrates está tão alucinado que ao ler o artigo deve pensar que são elogios. Ou críticas a Passos Coelho.
Caro comentador:
Não sou militante de nenhum partido, muito menos do PS, por isso não o posso ajudar…
Penso que no PS não existe Delito de Opinião, Fernanda. Aliás, basta ver as últimas e eleições e o Congresso para perceber que abunda o pluralismo.
MMC é uma espécie de ovelha negra do partido e como todas as ovelhas negras só quer chamar a atenção.
Eu chamar-lhe-ia «pluralisno consensual».
Sim, Fernanda. É uma boa designação.
Já tinha visto um bocadinho da intervenção de António Vitorino. O que me impressionou verdadeiramente foi o tom de voz, que me trouxe logo à cabeça a palavra «raiva». Ele fala com raiva, nitidamente. Fiquei com a mesma ideia ao ouvir o discurso de Carlos César.
Tens razão, António. Estive a ver outra vez e existe ali uma nota de uma certa raiva.
Carrilho a ver-se ao espelho. A última frase é paradigmática. O que é triste é que a superioridade intelectual que lhe assiste, só sirva para descer tão baixo. Se há uma coisa boa nesta crise, é que a merda vem toda ao de cimo.
Tem razão, Anónimo. O Sócrates então já está com o corpo todo uns bons metros acima da superfície.
Acima da merda, portanto, Rui!
Não, AS. Da superfície.