Vivemos tempos de indignidade. A governação de José Sócrates precipitou o país para a Bancarrota e corrompeu a indispensável ligação de confiança entre eleitores e eleitos. Os portugueses despertam de um estado de transe colectivo induzido por um hipnotizador sem qualidades. E abrem a boca de espanto perante a sucessão dos episódios da vergonha protagonizados pelos diversos actores do espaço político. Com o país atolado no pântano, aparece sempre quem assegure que a saída é uma luta de lama. Marinho Pinto, por exemplo, propõe que os portugueses suspendam a democracia no próprio dia das eleições. Não tarda, virá por aí um aspirante a caudilho. É preciso afirmar a esta gente que essas são as soluções erradas para uma situação errada. Aquilo de que precisamos não é de menos democracia, mas de mais democracia. De uma democracia que evolua da ideia de que toda a irresponsabilidade é permitida para a consciência de que toda a responsabilidade pode e deve ser exigida. A resposta à crise não pode ser mais ausência e demissão dos cidadãos. Pelo contrário, é fundamental reforçar a participação. Desde logo, nas eleições. Mas, também antes e depois delas. Porque só isso permitirá dizer “Sócrates nunca mais” e deixar bem claro aos que lhe sucederem que também nunca mais poderemos aceitar outros que, com nomes diferentes, se comportem como ele. Importa por isso afirmar que este é o nosso país e que não desistimos dele. E que não toleraremos no futuro aqueles que dele se queiram apropriar pela incompetência, pelo egoísmo ou pela auto-suficiência. Que dos políticos exigimos nada menos do que seriedade, respeito e sentido de Estado. E que como cidadãos estamos dispostos a fazer a nossa parte. Já vi este país cheio de bandeiras à janela quando se jogava a banalidade de um jogo de futebol. Creio que agora que se joga a sobrevivência colectiva essa seria a melhor forma de manifestar a nossa repulsa pelo espectáculo degradante a que temos assistido e de reafirmar o nosso compromisso com o futuro de Portugal.
Uma bandeira à janela
Rui Rocha,


Este é um texto brilhante, de um patriotismo tocante. Obrigado, Rui.
Eu é que agradeço o seu comentário, José. Se despertei esse sentimento num só português, já veleu a pena ter escrito o texto.
PARA MIM JÁ FOI PARA ONTEM
Por todas as razões e mais estas: Continuam a misturar abstenção com insondáveis razões de ausência do acto eleitoral em corrente avulsa. Quem tem medo de um campo (X) para esse efeito em cada boletim de voto? Esta intransmissível , pessoal e inconfundível opção merece e deve exigir a dignidade de voto validamente expresso. Já há muito tempo lavro o meu protesto não indo votar, por me estar vedada a possibilidade de presencialmente me abster querendo. Uma civilizada, consciente e ponderada escolha obrigada a ficar na rua no cemitério de incertos em vala comum? Quero ser crescido como os nossos deputados, que na Assembleia da República, apesar da aviltante disciplina partidária a que se submetem, para se abster tem que marcar presença. Porque um direito pode não ser exercido, então vou faltando até que veja por aí alguma explicação para estas e outras que sabem a manipulação dos instalados. Aproveitem a onda e anunciem para o horizonte próximo uma lei eleitoral decente. Até lá não alimento nem pactuo com torcedelas na democracia.
Já somos 3, Amarques. Só falta convencermos mais uns milhões.
A GRANDE LIÇÃO
Definitivamente. Sócrates é o mais puro, inocente e ludibriado impostor. E o menos culpado por este atoleiro colectivo em que nos mergulhou. Merecemos. Ele olha á volta e vê o País curvado e submisso a seus embrutecidos pés, em todos os palcos, frentes, redutos e retaguardas . Pelintras, importantes, famosos, especialistas, intelectualoides , comentadores e figurões de toda a casta. Pode dizer e fazer tudo e o seu contrário num estalar de dedos que ninguém lhe vai aos fagotes, e com a prenda extra de uma comunicação social a aparar e cobrir-lhe os golpes, solicita e obediente em romaria beata e curvada. Convenceram-no. Sócrates é a maior vítima. Quero ver o descaramento de certos comentadeiros aconchegados quando o homem se estatelar de vez. Vão ser os primeiros a malhar bem ao jeito da nossa escola: Só sabemos bater em homens caídos. Paira o medo Somos uns cagarolas . Um aplauso de incondicional apoio com mais uma adesão convicta, tanto mais que corresponderia á suspensão definitiva do impostor. UMA REVOLTA SEM ESPINGARDAS NEM SANGUE.
Actos de cidadania, Amarques. Da verdadeira, não da postiça.
É por aí mesmo (nessa atitude) que teremos de ir! Belo texto !
Vamos então, Paula. Obrigado.
Permita-me a menção bem a propósito:
http://democratadirecto.wordpress.com/20 11/04/12/a-democracia-semi-directa-e-a-u nica-solucao-para-restaurar-os-partidos-p oliticos-e-o-pais/
Com muito gosto, Democrata. Este é um tempo em que todas as soluções devem ser consideradas.
Excelente, Rui. Subscrevo.
É bom saber, Pedro. Sinal de que somos alguns os que não nos conformamos.
Os portugueses não gostam de problemas. Detestam problemas. Por isso fogem deles em vez de os enfrentar.
É mais fácil discutir à mesa do café os triunfos na Liga Europa, que o nosso falhanço enquanto nação europeia.
Sim, André Miguel. Existe uma clara desproporção na importância atribuída a determinados temas. Eu gosto muito de futebol. Mas, tenho a clara noção do que é fundamental face ao que tem apenas dimensão lúdica.
Caro Rui, coincidimos quanto a Marinho.
O homem do sobressalto cívico anda demasiado taciturno.
É verdade, Rex. Para sobressalto…
A co-responsabilização total dos portugueses só será possível quando TODOS forem ás câmaras de voto, o que não implica ter que votar num qualquer partido. E isso só se conseguirá quando quem não se apresentar na sua câmara de voto perder benefícios sociais, pois quem não quer participar na escolha não pode exigir nem criticar o que quer que seja. Quando isto acontecer, garanto que as peripécias que os partido políticos têm protagonizado até aqui, acabavam de imediato.
Não sou adepto da participação forçada, Singularis. Mas, prefiro-a claramente a posições que advogam que não se participe.
Mesmo não concordando com tudo o que escreveu, estou completamente de acordo em relação à necessidade de fazermos a nossa parte, enquanto cidadãos. E se, em termos globais, a participação dos portugueses na vida política é irrisória, praticamente limitando-se à participação em actos eleitorais (que ainda por cima tem vindo a diminuir), é de lamentar que alguém com responsabilidades e com algum protagonismo utilize este tipo de expressões.
Estamos então de acordo no essencial, Analima.
Precisamos de mais Liberdade menos Democracia e mais Republica.
Limites à Dívida, Défice e Impostos na Constituição.
A Constituição deve ser votada. E quem não aceitar deve poder fazer outro País ou então construirmos um de geometria variável. Não quero mandar num Comunista que deve poder fazer a sua Comuna se quiser e não quero que o Comunista mande na minha vida.
Por isso faz-se acordo social mínimo.
A Democracia neste momento é B vota para o político tirar a C mais aos futuros cidadãos. Ou seja a Democracia hoje é auto destrutiva não é para ninguém ter mais liberdade e ou poder enriquecer se quiser.
Mais Ética, mais Liberdade, mais Amor pela vida.
Mais vida, portanto, Núncio.
Concordamos quanto ao diagnóstico da democracia actual, Lucky. E também não tenho nenhuma dúvida quanto à constitucionalização dos limites. Se alguma tivesse, os últimos anos encarregaram-se de as desfazer.
Meu caro, tem toda a razão no que escreve. Infelizmente, os portugueses, no geral, não irão exigir mais democracia, transparência e/ou rigor.
Irão votar no PSD para penalizar o PS, uns; outros irão votar PS para evitar que a tão diabolizada “direita” (nada ou pouco liberal, diga-se de passagem) chegue ao poder.
O resultado é que nada irá mudar, de essencial, pois não temos protagonistas com coerência e capacidade de despertar o interesse geral. Com crédito aos olhos das pessoas.
Não admira, com efeito, que Passos esteja a descer em popularidade. Só pode culpar-se a si próprio de não ter um programa e uma orientação bem definida com vista a (tentar) resolver os problemas já identificados do país, mas de apenas ser capaz do que qualquer pessoa seria: o de criticar o governo anterior.
Mais do mesmo.
Cump.,
A. F.
E nós bem precisamos de mudança, Aires.