Do total descaramento


Ana Vidal,

“Um banqueiro disse esta noite, pomposo, solene e pesaroso, que “andámos muitos anos a viver acima das nossas possibilidades” (José Maria Ricciardi a Mário Crespo). Como se os bancos não tivessem sido os primeiros a impingir crédito fácil para ganharem, como ganharam, muitos milhares de milhões. Antes tinha metido os pés pelas mãos a não explicar por que motivo traz dinheiro do BCE a 0,5 por cento e o empresta a 7 por cento, como disse o Presidente da República. Depois, negou qualquer conflito de interesses no facto de o BES assessorar a venda da TAP, tendo vendido a sua companhia aérea falida -a Portugália – à mesma TAP. Por fim, achou perfeitamente natural – como não? – que o Governo tenha contratado para assessorar a venda dos CTT um banco (o J.P.Morgan) que, ainda há poucas semanas, queria levar a tribunal por causa dos famigerados swaps. Há entrevistas a banqueiros que deviam ter bolinha vermelha.”

 

(Fernando Madrinha, no Facebook)

Mandela


Ana Vidal,


Nelson Mandela, incomparável herói, resiste à morte como resistiu à prisão, à injustiça, à adversidade: com uma determinação tranquila. Talvez porque sabe, lá no fundo, que nunca morrerá. Mesmo que os boletins médicos o anunciem, mesmo que os telejornais espalhem a notícia, mesmo que os olhos do mundo se encham de lágrimas, mesmo que os grandes da Terra louvem o seu exemplo desaparecido com ocas palavras de pompa e circunstância. Ele sabe que será eterno. Merece sê-lo, como muito poucos.

Acordar um dia


Ana Vidal,


Belíssimo e contundente, este texto de Nuno Camarneiro sobre uma Europa que é cada vez mais uma espécie de museu do mundo, cheia de preciosidades mortas e pó nas esquinas das salas, à espera de turistas que venham de lugares longínquos para admirá-las depressa e voltar para as suas terras onde se vive uma vida de vivos. A Europa está a morrer, orgulhosamente agarrada aos seus pergaminhos de rainha-mãe e sem perceber que eles hão-de ser a sua mortalha. Mas ainda tenho esperança de um dia poder votar moções de nuvem e eleger pássaros.

Jacarandás


Ana Vidal,

 

Contrariando olimpicamente a ancestral aversão nacional à alegria, os presságios de pestes negras, misérias pardas e um sortido rico de desgraças a bater-nos à porta (para não falar das que já se instalaram, abusadoras, nos nossos descoloridos sofás, pagos a prestações em tempos de vacas anafadas), as estatísticas e previsões de arrepiar os cabelos a quem ainda os tem, a troika, a crise do euro, as escandaleiras para todos os gostos, a falência da segurança social, a lamúria das salas de espera dos centros de saúde, o galope do desemprego, o tédio da conversa de políticos e economistas, as trapaças dos chicos-espertos, a miséria dos programas televisivos, as íntimas misérias de condes de papelão e estrelas (de)cadentes, o fado choradinho de faca e alguidar, o copo-de-três mal medido, o cheirinho, o mata-bicho, a bica pingada, a fome envergonhada, a fome sem-vergonha de poder e lucro, o crédito mal parado, a justiça parada de vez, o imparável apertar do cinto… ah, eles aí estão, indiferentes a tudo, vestindo as ruas de um azul descarado e eufórico. Azul-alfazema, azul-Quénia, azul-violeta, azul-lavanda, azul-anil, azul-lilás. Eu chamo-lhe azul-Leonor, como me ensinou a minha avó. A minha cor favorita.

 

[Nota: texto republicado (desta vez nem foi preciso actualizá-lo, infelizmente)]

Parabéns!


Ana Vidal,

 

A Mia Couto, que acaba de ganhar o prémio Camões. É actualmente um dos meus escritores preferidos de língua portuguesa e o único (repito, o único) que me leva ao sacrifício de ler um livro escrito em acordês. Porquê? Porque, simplesmente, pior do que isso seria não poder lê-lo. Mas é pena que tenha cedido ao AO e ao enganador argumento da uniformização do português. Logo ele, que tem um vocabulário tão próprio e por isso contribui de forma tão expressiva para a diversidade da nossa língua.

Hormonas


Ana Vidal,

 

A propósito deste teu post, Teresa, e porque não há regra sem excepção, está neste momento em cartaz um filme onde qualquer mulher encontra três horas de justificada e doce vingança. Não é um filme novo, muito pelo contrário. Refiro-me à versão integral e recuperada de um dos grandes clássicos do cinema: Lawrence da Arábia. É um mundo de homens (há apenas duas aparições de mulheres, mudas, fugazes e insignificantes). Mais, é um mundo de homens em guerra, que resulta fatalmente em doses maciças de testosterona servidas com requinte e para todos os gostos: da loira beleza imaculada de Peter O’Toole à viril e sedutora aspereza de Omar Sharif. É a história de um homem e da sua utopia, da sua fuga à realidade, da sua atormentada circunstância e da sua catarse muito pessoal, vivida em cenários das mil e uma noites. A irresistível magia do deserto acrescenta a tudo isto a porção necessária de mistério e fantasia, para já não falar na magnífica fotografia e na banda sonora, épica como convém. Em suma, é um feliz regresso aos sonhos mais ousados da nossa adolescência, um mergulho repentino nesse tempo e espaço em que éramos só hormonas.

 

 

E antes que alguém me caia em cima pela superficialidade deste comentário sacrílego a um filme que é “muito mais do que um romântico bando de homens com vestes esvoaçantes, atravessando desertos sobre camelos”, concedo: sim, sim, eu sei, é também um documento histórico sobre uma época de convulsão e intriga política numa região ainda por desenhar, uma preciosa lição sobre a essência do mundo árabe, uma séria advertência aos perigos da ganância e do preconceito cultural, uma antecipação do fosso cavado irremediavelmente entre ocidente e oriente, blá, blá, blá, blá. Mas este post é uma piscadela de olho, não uma crítica ao filme.

 

Curiosamente, e ainda sobre o tema, o que há de mais perturbadoramente feminino no filme é o próprio Lawrence, e não me refiro só aos olhos azuis de Peter O’Toole.

Que le temps passe vite


Ana Vidal,

 

Fui vê-lo há poucos anos, quando ele veio ao CCB para um concerto único. Levava na alma a memória de um êxtase de adolescência e a absurda esperança de voltar a senti-lo através daqueles magníficos poemas, daquelas melodias inimitáveis. Arrependi-me amargamente. Por culpa das minhas expectativas rebeldes, que sempre ignoram a passagem dos anos, não estava preparada para o choque: o meu ídolo tinha-se transformado num velhinho arfante, de cabelo e voz igualmente ralos, a arrastar os pés no palco (era mesmo capaz de jurar que estava de chinelos). Um drama em gente, como diria Pessoa. Quem me manda medir forças com o Tempo?

Agora será eterno, como merecia. A toujours, inoubliable métèque.

Nem só de pão vive o homem


Ana Vidal,

 

É um homem sereno, tímido, afável e generoso. Tão generoso que me prefaciou um livro e depois se dispôs a fazer de propósito, com toda a naturalidade, uma viagem de 300 Km só para apresentá-lo. Bastaria isso para elogiá-lo e ficar feliz por ele. Mas é por ser o ENORME poeta que é – leio-o há anos, sempre em estado de puro deslumbramento – que o felicito pela notícia que acabo de saber: Nuno Júdice, pelo conjunto da sua obra, publicada pela Dom Quixote, acaba de ser anunciado vencedor da XXII Edição do Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-americana.

 

Muitos parabéns, Nuno, o prémio é merecidíssimo!

Teletrauma


Ana Vidal,

 

Há coisas que não percebo. Em vez de proibirem as suas criancinhas de levar telemóveis para um exame – por iniciativa própria e sem que sejam precisas recomendações exteriores, como seria lógico e natural – os pais dos alunos que fizeram hoje o exame do 4º ano vêm para a televisão insurgir-se contra o terrivelmente traumatizante pedido de assinatura de um papel que garante que os meninos não estão a conversar com os amigos em vez de estarem concentrados no exame. Insurgir-se, no fundo, contra a introdução das primeiras e utilíssimas noções de responsabilidade, ética e compromisso nas mentes dos filhos.

 

Esta nova forma de educar (ou de não educar, mais precisamente) com base no pressuposto de que tudo traumatiza as crianças, deixa-me seriamente preocupada. Primeiro, porque cria gerações sucessivas de florzinhas de estufa que não podem ser contrariadas nem suportam qualquer espécie de autoridade, o que as deixa totalmente impreparadas para o que vão enfrentar na vida real. Depois, porque torna quase insuportável o trabalho dos professores, desautorizados por um muro acusatório constituído por alunos mal educados e pais incapazes de autoridade que os apoiam incondicionalmente, tenham ou não razão. Finalmente, porque não vejo este excesso de protecção aplicado depois a outras frentes, como por exemplo à enorme exposição a que essas mesmas crianças estão sujeitas com a net, a televisão, a “noite” precoce, etc. Seria bom que estes pais pensassem um pouco mais em tudo isto, em vez de saltarem escandalizados, com acusações que não têm pés nem cabeça, para o microfone que a voraz media lhes estende à porta da escola.

 

A grande publicidade


Ana Vidal,

Estive muitos anos ligada à publicidade. Ainda hoje me empolga uma boa campanha; me irrita uma mensagem mal transmitida, preguiçosa ou batoteira; me apaixona a criatividade de uma grande ideia, o desenvolvimento do conceito e a conquista dos limites para a sua execução. As campanhas que não envolvem directamente produtos – e, sobretudo, as que se referem a causas nobres – são geralmente “la crème de la crème” da publicidade, onde se atinge a excelência criativa sem o ónus dos objectivos comerciais e da intenção consumista. Não há agência que não as adore. É o caso desta campanha para a Fundação ANAR, que cumpre genialmente todos os requisitos e redime, com total propriedade e autoridade, o uso (habitualmente criticável) da mensagem subliminar. Clap, clap, clap.


Toda a informação aqui

Ítacas


Ana Vidal,

A cada um a sua Ítaca. A de Kavafis, que nos fala de todas elas com admirável sabedoria, é um poema belíssimo.

 

O grego Konstantinos Petrou Kavafis (Κωνσταντίνος Π. Καβάφης) nasceu e morreu em Alexandria no mesmo dia 29 de Abril (1863 –1933). Foi jornalista e funcionário público. Publicou apenas 154 poemas, mas não precisa de mais obra para que o seu nome fique gravado para sempre na história da poesia. Um clássico impõe-se pela qualidade, não pela quantidade. 

 

 

O caminho para Ítaca


Se partires um dia rumo a Ítaca
Faz votos de que o caminho seja longo
repleto de aventuras, repleto de saber.
Nem lestrigões, nem ciclopes,
nem o colérico Posídon te intimidem!
No teu caminho jamais os encontrarás
Se altivo for teu pensamento
Se subtil emoção o teu corpo e o teu espírito tocar
Nem lestrigões, nem ciclopes
Nem o bravio Posídon hás-de ver
Se tu mesmo não os levares dentro da alma
Se tua alma não os puser dentro de ti.

Faz votos de que o caminho seja longo.
Numerosas serão as manhãs de verão
Nas quais com que prazer, com que alegria
Tu hás-de entrar pela primeira vez um porto
Para correr as lojas dos fenícios
e belas mercancias adquirir.
Madrepérolas, corais, âmbares, ébanos
E perfumes sensuais de toda espécie
Quanto houver de aromas deleitosos.
A muitas cidades do Egipto peregrinas
Para aprender, para aprender dos doutos.

Tem todo o tempo Ítaca na mente.
Estás predestinado a ali chegar.
Mas, não apresses a viagem nunca.
Melhor será muitos anos levares de jornada
E fundeares na ilha velho enfim.
Rico de quanto ganhaste no caminho
Sem esperar riquezas que Ítaca te desse.

Uma bela viagem deu-te Ítaca.
Sem ela não te punhas a caminho.
Mais do que isso não lhe cumpre dar-te.
Ítaca não te iludiu.

Se a achas pobre

Tu te tornaste sábio, um homem de experiência.
E, agora, sabes o que significam Ítacas.

(Tradução de José Paulo Paes)

À última da hora


Ana Vidal,

 

Sempre me fez urticária aquele riso escarninho, trocista, de quem julga ter o mundo aos pés. Não exagero: as pretensões políticas dele foram, em tempos, de uma megalomania tal que roçava o ridículo, e sem que alguma vez se tenha apercebido (era egótico de mais para sequer imaginá-lo), era gozado por toda a gente por causa disso. Enfim, fraquezas só perdoáveis a quem tenha qualidades que as suplantem. Mas não era o caso. Foi toda a vida um marido e um pai déspota, intratável, que humilhava em público os filhos com exigências e exibições de autoridade absolutamente descabidas e expunha a mulher (que era muito bonita, por sinal) como um troféu de sua exclusiva propriedade, merecidamente ganho numa qualquer mesa de jogo. Porque era um jogador inveterado, também. E dos que têm mau perder. Lembro-me bem de assistir a exibições deploráveis do seu proverbial mau feitio, sempre que o jogo não lhe corria de feição.

 

A vida não o poupou, é verdade: primeiro, a revolução de Abril atirou-o para uma insustentável prateleira na empresa em que trabalhava, onde contava chegar longe devido ao nome que lhe coroava o cartão-de-visita. Não por mérito próprio, que nunca o teve. Mas nunca se recompôs dessa “injustiça”, nem tanto orgulho ferido alguma vez o levou a tentar provar o seu valor de outra qualquer maneira. Ficou enclausurado num ódio primário, irracional, que remoeu o resto da vida numa espécie de vingança cega, aplicada a eito em todos os que lhe estavam mais próximos. Depois, muito mais grave do que a humilhação profissional, a vida familiar foi cruelmente atravessada por uma tragédia arrasadora. Nessa altura toda a gente teve pena dele. Mas nem assim se tornou mais humilde ou aprendeu alguma coisa de útil com esse terrível acontecimento. Pelo contrário, dir-se-ia que o desgosto refinou tudo o que ele tinha de pior, e o azedume começou a corroê-lo por dentro, por inteiro, como um ácido letal.

 

Eu já não o via há alguns anos, felizmente. Encontrei-o um dia, por acaso, na Bertrand do Chiado. Ainda tentei disfarçar, mas foi inútil: ele tinha qualquer coisa para ensinar-me, como sempre, porque veio lá do fundo para me falar, num gesto magnânimo sublinhado pelo insuportável sorriso de superioridade. Estava com um amigo mais novo que, percebi logo, o bajulava. Enorme erro, pensei. Apresentou-nos e trocámos algumas palavras de circunstância. Quis ver o que eu estava a comprar e preparava-se para dissertar sobre a minha escolha quando eu lhe disse que estava cheia de pressa porque estava de partida para férias e tinha passado por ali, à última da hora, para comprar aquele livro que me fazia falta para as minhas pesquisas.

 

E pronto, eu acabara de dar-lhe o mote para uma aula de português correcto. O tal amigo tinha-se afastado para o fundo da livraria e não nos ouvia, mas havia por ali clientes suficientes para compor uma plateia que lhe parecesse valer a pena. Rasgou um sorriso sardónico e disparou, bem alto para conseguir o máximo efeito: “Não sabes que não se diz à última da hora, mas sim à última hora? E és tu uma pessoa que vive da escrita?! Francamente, menina!!”.

 

Tenho de abrir aqui um parêntesis, para explicar que teria aceite a correcção de bom grado se ela tivesse partido de qualquer outra pessoa. Não tenho nenhuma pretensão de escrever ou falar um português sem falhas, e todos os dias aprendo alguma coisa sobre a minha língua que não sabia antes. Mas aquilo irritou-me. Aquela criatura tinha sempre de dar lições a toda a gente, sobre todos os temas. Apanhou-me numa falta, não tão grave que justificasse todo aquele chinfrim, e aproveitou logo para fazer o seu brilharete. Subiu-me a mostarda ao nariz, às vezes também tenho mau feitio. Olhei-o nos olhos e fiz o meu sorriso mais cândido, para ganhar tempo. E depois, quase sem pensar, saiu-me isto, enquanto compunha um ar blasé: “Engana-se. Diz-se à última da hora e a expressão significa à última badalada da hora. Vem do tempo dos antigos relógios de sala, que cantavam as badaladas, e quer dizer que o tempo está a esgotar-se. Olhe, é o meu caso, peço desculpa mas tenho mesmo de me ir embora.”

 

Deixei-o plantado, sem lhe dar oportunidade de resposta. Sou mazinha: aquilo fez-me ganhar o dia. Ainda vi, por cima do ombro, o amigo aproximar-se dele e fazer-me um adeus com a mão. E seria capaz de jurar que foi aquele desgraçado quem pagou as favas pelo meu atrevimento. Pelo menos não deve ter-se livrado de ouvir uma lição acabadinha de aprender e totalmente falsa: “Sabes qual é a origem da expressão À última da hora?”…

Premonição


Ana Vidal,

 

Do excelente documentário de Patrick Jeudy sobre a vida e morte de Marilyn Monroe, retive um pormenor que me impressionou, não só por ser premonitório como por resumir e condensar em si toda a dimensão de uma tragédia: quando a explosão de popularidade começou a ameaçar seriamente a sua privacidade, para se proteger e tentar preservá-la Marilyn dava sempre um número de telefone falso. Esse número, coincidência ou não, era o da morgue de Los Angeles.

Livros


Ana Vidal,


Porque será que tantas pessoas que se dizem amantes de livros insistem em dizer “desfolhar” (em vez de “folhear”) um livro, sem perceber que estão a contradizer-se por completo? Desfolhar um livro é arrancar-lhe as páginas, mutilá-lo, maltratá-lo. E um livro é tantas vezes um espelho de nós, como na história de Dorian Gray. A ironia está em que destruir um livro é partir esse espelho, negando-o e negando-nos. Ou seja, desejarmos a nossa própria destruição.

(Foto: Chema Madoz)

A propósito de cinema


Ana Vidal,


Com o fecho dos cinemas no Cascais Villa (as salas estavam em péssimo estado mas o cartaz era quase sempre bom) acabou-se a possibilidade de ver bons filmes na zona de Cascais-Sintra. Felizmente ainda existe o Atlântida, em Carcavelos. É provavelmente o último e o mais improvável bastião do bom cinema por aqui, com filmes menos comerciais mas de qualidade garantida. Fica num centro comercial velhinho, com quase todas as lojas já vazias, o que não augura nada de bom. Se fechar – e é mais do que provável que acabe por fechar também – daqui para a frente, para ver um bom filme os cinéfilos mais exigentes vão ter de ir a Lisboa. E assim vamos andando para trás.


Aproveito para deixar uma sugestão: “A melhor oferta”. O enorme actor Geoffrey Rush numa história surpreendente. E uma pequena amostra de um dos excentes diálogos do filme, entre o famoso leiloeiro (solteiro empedernido) e o seu secretário (casado há 30 anos):


– Diz-me uma coisa: como é viver com uma mulher?

– É mais ou menos como um leilão: nunca sabemos se a nossa é a melhor oferta.