Fui vê-lo há poucos anos, quando ele veio ao CCB para um concerto único. Levava na alma a memória de um êxtase de adolescência e a absurda esperança de voltar a senti-lo através daqueles magníficos poemas, daquelas melodias inimitáveis. Arrependi-me amargamente. Por culpa das minhas expectativas rebeldes, que sempre ignoram a passagem dos anos, não estava preparada para o choque: o meu ídolo tinha-se transformado num velhinho arfante, de cabelo e voz igualmente ralos, a arrastar os pés no palco (era mesmo capaz de jurar que estava de chinelos). Um drama em gente, como diria Pessoa. Quem me manda medir forças com o Tempo?
Agora será eterno, como merecia. A toujours, inoubliable métèque.

Façamos portanto um elogio às técnologias que nos irão permitir – enquanto os sentidos se mantiverem – continuar a ouvi-los e a vê-los no tempo da nossa memória… a que não envelhece.
Isso mesmo, Bartolomeu. Vê-los e ouvi-los ao vivo é que é mais temerário, leva quase sempre à decepção. Excepção para Aznavour, que aos 89 anos feitos há dois dias (mais dez do que Moustaki, portanto), continua uma flor e um caso sério de resistência em palco.
Há outro resistente de eleição: Leonard Cohen. Não interessa a idade. Quando o vejo ou oiço sinto sempre o mesmo prazer!
É verdade, o Cohen também continua tão bom como sempre. E agora tem um filho com uma voz muito parecida, que canta – quase! – tão bem como o pai. Já o ouviste?
bons tempos, esses do “passe vite”…e a varinha mágica ainda pertencia exclusivamente aos contos de fadas.
agora, qualquer bimby cozinha…
http://www.twenga.nl/passe-vite.html
Ah, eu sabia que alguém faria essa piada! 🙂
Mas eu sei o que era um passe-vite, Carlos. E ainda o uso às vezes, fique sabendo.