Com o fecho dos cinemas no Cascais Villa (as salas estavam em péssimo estado mas o cartaz era quase sempre bom) acabou-se a possibilidade de ver bons filmes na zona de Cascais-Sintra. Felizmente ainda existe o Atlântida, em Carcavelos. É provavelmente o último e o mais improvável bastião do bom cinema por aqui, com filmes menos comerciais mas de qualidade garantida. Fica num centro comercial velhinho, com quase todas as lojas já vazias, o que não augura nada de bom. Se fechar – e é mais do que provável que acabe por fechar também – daqui para a frente, para ver um bom filme os cinéfilos mais exigentes vão ter de ir a Lisboa. E assim vamos andando para trás.
Aproveito para deixar uma sugestão: “A melhor oferta”. O enorme actor Geoffrey Rush numa história surpreendente. E uma pequena amostra de um dos excentes diálogos do filme, entre o famoso leiloeiro (solteiro empedernido) e o seu secretário (casado há 30 anos):
– Diz-me uma coisa: como é viver com uma mulher?
– É mais ou menos como um leilão: nunca sabemos se a nossa é a melhor oferta.


Boa Noite Ana.Há uma alternativa, que exige uma deslocação mais longa, mas ainda existe no Cascais Shoping, o cinema Zon Lusomundo, a principal empresa de cinemas portuguesa.
O cinema Cascais Villa fechou tal como muitas salas da Castello Lopes.
Cumprimentos
Se calhar não me expliquei bem, Makarana. Cinemas não faltam nesta zona (Cascais Shopping, Beloura e Forum Sintra, todos com várias salas e todos perto de minha casa) o problema é que nunca ou quase nunca têm em cartaz filmes menos comerciais, os que geralmente me agradam mais. O Atântida, pelo contrário, tem sempre filmes de grande qualidade, e é o que resta depois do encerramento do Cascais Villa (que tinha sempre um ou dois filmes bons). Mas as salas estão frequentemente vazias, por isso digo que o esforço de mantê-lo aberto deve ser enorme e provavelmente inglório, a curto prazo.
Humm, sim já percebi melhor o seu ponto.Mas quem sabe, com alguma sorte pode ser que consiga encontrar algum filme que se enquadre nessa categoria.Julgo que nos maiores centros(Colombo,Cascais Shoping, etc), existe uma ou duas salas dedicadas ao género.
Cumprimentos
De onde é a (primeira) fotografia que ilustra o post?
Gostava de ser-lhe útil, Luís, mas não faço ideia de onde é. Encontrei a fotografia na net e achei a “sala de cinema” muito original.
Tem toda a razão Ana, o Atlântida cine é mesmo o último bastião do bom cinema.
É a ” minha ” sala de eleição, adoro-a deste o primeiro dia do seu funcionamento ao público e ainda recordo da necessidade de marcar sempre de véspera os bilhetes e ir levantá-los, porque a sala enchia rapidamente.
Jamais conseguiria decidir na hora ir assistir a um filme, pois provavelmente só restaria com muita sorte um bilhetinho na primeira fila. O dono do cinema é um homem bom e que trata aquelas salas (2) como se fossem suas filhas, desdobrando-se quando é preciso, em aceitar chapéus, ” picar ” o bilhete na entrada e se for preciso ser vir um café no bar ( muito simpático ) com duas poltronas que o tempo se encarregou de consumir, uma das quais adoro. É um cavalheiro de uma educação e simpatia que não existem mais. No dia que este cinema desaparecer, sei que um pouquinho de mim vai também.
Este centro comercial o primeiro a existir nas redondezas, tem sofrido os embates com coragem, primeiro dos megalómanos centros que abriram com 300/400 lojas, e agora com a crise económica, é um resistente que por incrível que pareça ainda tem lojas desde a sua fundação, o caso do talho ao lado do cinema. Apesar de tudo o dono ainda tentou combater a crise dos ” irmãos ricos ” com concertos de fim de tarde do josé Atayala, daí a existência do piano na sala maior.
Na verdade para nós que moramos aqui em Carcavelos é complicado ter que ir a Lisboa para assistir a um filme que esteja fora dos circuitos comerciais, por todos os motivos que lhe ocorre.
Enfim, ainda bem que gostou, enquanto existirem clientes para estas salas temos a promessa de que elas vão continuar a existir. Infelizmente da última vez que lá fui, a sessão não pôde realizar-se, pois só estava eu e outra pessoa para ver o filme. 🙁
Vou muitas vezes ao Atlântida, Cr. Engraçado que seja também o “seu” cinema. Já me tinha perguntado porque é que existe um piano na sala maior, mas pensei que era uma graça de pura nostalgia, uma homenagem ao cinema mudo. É notável o que diz do dono daquelas salas. Não o conheço, mas tiro-lhe o chapéu pela coragem, bom gosto e coerência. Na escolha dos filmes e não só. Faz-me pena saber que não durará muito mais tempo, porque é frequente estarmos 3 ou 4 pessoas na sala. Não pode ser rentável.
Conheço e frequento ambos. Fico triste com a notícia do fecho do Villa, além de tudo o resto gostava imenso daquelas cadeiras.
As salas estavam em muito mau estado, Marta, mas é verdade que as cadeiras eram bem confortáveis.
Já uma vez deixei aqui uma crónica exaustiva dos cinemas que frequentei em Lisboa e deixaram entretanto de existir. Ia-me arrepiando à medida que fazia esse levantamento: não fazia a menor ideia até que ponto o extermínio tinha sido tão vasto: Eden, Condes, Monumental, Império, Apolo 70, Estúdio, Satélite, Avis, Caleidoscópio, Mundial, Vox, Estúdio 444, Xénon, Zodíaco, Alfa, São Luís, Tivoli, Quarteto, Star, Castil, Restelo, Paris, Royal, Chiado Terrasse, Roma, Lys, Berna, Terminal, Europa, Turim… Desde então fechou o Londres e praticamente sucedeu o mesmo ao Nimas. Resta muito pouco numa cidade que chegou a ter pelo menos uma sala de cinema em cada bairro e alguns dos melhores recintos cinematográficos da Europa.
É verdade, Pedro, lembro-me bem desse teu post. E também eu conheci quase todos eles. Agora há quinhentas salas em cada centro comercial, mas a escolha de filmes de qualidade diminuiu consideravelmente. Não porque já não existam bons filmes, mas porque quase ninguém lhes dá visibilidade. Uma pena.
Apesar de tudo em Lisboa ainda há boas salas de cinema, com boa programação, ao nível das restantes capitais europeias (e com estreias geralmente mais céleres do que em Madrid, por exemplo).
Nos últimos quatro dias fui ver quatro filmes muito recentes – todos bons. Recentemente pudemos rever ‘Vertigo’ e ‘Psico’, de Hitchcock, em cópias novas, no circuito comercial. Anuncia-se a partir de amanhã o novíssimo do Almodóvar. Está em exibição a versão restaurada do ‘Taxi Driver’, como já assinalei, e vem aí um acontecimento ainda maior: a reposição de ‘Lawrence da Arábia’, também em versão restaurada.
Em Lisboa o problema, mais do que a oferta, parece-me situar-se na procura. Os cinemas vão fechando porque se vai-se perdendo o hábito de “ir ao cinema”: nas semanas em que se estreiam em sala, os filmes sofrem a fortíssima concorrência das versões pirateadas já disponíveis nos computadores. “Vê-se” o filme assim, sempre em casa, enquanto se mexe no telemóvel e se vai à cozinha e se fazem mil coisas ao mesmo tempo. Perde-se o ritualismo da sala escura, do grande ecrã, do silêncio, da concentração, enfim de tudo quanto nos levava a ‘mergulhar’ num filme em vez de passarmos por ele com quem passa por um telejornal…
É verdade, esse é o principal problema. Percebo mas lamento que os cinemas se defendam com filmes mais comerciais, e mesmo esses atraem cada vez menos espectadores. Por tudo isso é ainda mais de louvar a resistência activa do Atlântida, sempre com filmes de qualidade.