Foi uma promoção da TMN. (Com adenda importante).


vidabreve,

José Sócrates também trocou de telemóvel no mesmo dia em que Armando Vara e outros arguidos do processo ‘Face Oculta’ mudaram de aparelho. Entretanto, confirmando a notícia da última edição do SOL, o DIAP de Coimbra abriu inquérito a esta estranha coincidência de trocas de telemóvel.

 

Adenda: O João Galamba afirma que esta notícia é falsa, e que o primeiro-ministro não mudou de telemóvel. Vamos dar crédito ao homem? Eu dou. Afinal é um deputado por Santarém, por amor de deus. 

Mais um Natal, mais um apelo lancinante para “salvarmos a Buchholz”.


vidabreve,

 

As velhas carquejas da intratável livraria Buchholz planearam há anos a estratégia de marketing perfeita. Sempre que se aproxima um solstício, abrem as goelas e ameaçam desaparecer. Agora recebi um press release em que me confiam a próxima Liquidação Total:

(…) uma oportunidade única para encontrar livros que são verdadeiras raridades, a preços imbatíveis. (…)

Sem dúvida. E uma oportunidade única para o leitor afastar teias de aranha enquanto é enxovalhado por Helgas de napa preta e godemichet. O documento assegura-nos que os livros estarão à venda a partir de 1 €. Quanto à masmorra, é gratuita.

2017


vidabreve,

O presidente da União Europeia lamentou o impasse do encontro de emergência de Potsdam, em que a Escandinávia, a Alemanha e a Grã-Bretanha exigiram que as economias do Leste e da Europa do Sul fossem excluídas da moeda única. Este momento de incerteza na vida das instituições europeias foi recebido com indiferença em Portugal, a braços com o rescaldo das legislativas.

 

Numa entrevista ao Diário de Notícias, Pedro Passos Coelho comprometeu-se a reforçar a cooperação estratégica entre o seu partido e o Governo de José Sócrates, invocando os inúmeros sucessos da última legislatura.  Fontes anónimas garantiram-nos que o social-democrata Ângelo Correia será o novo presidente do Conselho de Administração da EDP, enquanto Miguel Relvas ocupará funções idênticas na REN.

Os dados recentes sobre o agravamento do défice das contas públicas e do saldo negativo da balança de transacções correntes, bem como a confirmação do crescimento da taxa de desemprego para 18,3 por cento não desencorajam o primeiro-ministro,  que se mostra determinado e confiante no rumo que traçou para o país. Atribuindo os maus resultados pontuais à persistência da crise internacional, José Sócrates recordou que está previsto um crescimento de 0.2 por cento do PIB em 2018, uma consequência evidente das iniciativas encetadas pelo Governo.

É verdade que há sinais de vitalidade na economia portuguesa. O presidente da Sonae, Armando Vara, anunciou a edificação do maior centro comercial da Península Ibérica, que servirá as populações de Vinhais, da Sobreira de Baixo e do Parque Natural de Montesinhos. Também o governador do Banco de Portugal, José Lello, declarou ontem a sua confiança no efeito multiplicador dos novos investimentos públicos, como a construção do aeroporto internacional de Castelo Branco, outorgada à Mota-Engil.

A reforma da justiça continua a obter resultados. Esta semana a polícia judiciária efectuou buscas nas residências de quatro juízes desembargadores e de seis magistrados do Ministério Público, em conformidade com o mandato do senhor presidente do Supremo Tribunal de Justiça — o meritíssimo Lopes da Mota. O ministro dos assuntos parlamentares, João Galamba, congratulou-se com mais uma vitória do Estado de Direito contra a insídia da espionagem política.  Os quinze jornalistas recentemente acusados de calúnia e ofensa agravada ao bom nome do primeiro-ministro foram condenados em processo sumário a penas que variam entre os 14 e os 24 anos de prisão efectiva.

Hoje a Assembleia da República votará mais um orçamento redistributivo e a proibição de símbolos católicos em lugares de culto — uma medida há muito exigida pelos blogs da maioria. Para a próxima semana está agendada a discussão da proposta de lei que visa uniformizar os títulos das bibliotecas universitárias, sujeitando as novas aquisições à aprovação prévia de uma entidade reguladora.

O primeiro-ministro afirmou que a proposta segue as melhores práticas em vigor nos países desenvolvidos, acusando os profetas da desgraça e os bota-abaixistas que persistem em obstaculizar os esforços reformadores do seu governo. Não terão sucesso, concluiu. Portugal está no bom caminho.

Dois juristas. Para memória futura.


vidabreve,

Há pouco, no Jornal das Nove (trechos):

 

Saldanha Sanches:

 

Há uma berlusconização da política portuguesa.

 

Paula Teixeira da Cruz:

 

Aparentemente, Aveiro acertou em tudo menos no que dizia respeito ao senhor primeiro-ministro… Isto é no mínimo estranho.

 

Saldanha Sanches:

 

Nós temos o direito de ter um primeiro-ministro que não tenha conversas telefónicas com alguém que está a ser investigado. Alguém que está a ser investigado por corrupção é porque teve um comportamento duvidoso. Um primeiro-ministro tem que ser sério: não pode ter relações com certas pessoas.

 

Paula Teixeira da Cruz:

 

Uma coisa não foi desmentida: a intromissão do primeiro-ministro na comunicação social. Isso não foi desmentido em lado nenhum.



E onde está a função de fiscalização do parlamento?

Afiar as facas.


vidabreve,

Admoestando a eito as classes dirigentes no seu todo (excepto as do PS), uma parte dos advogados (excepto os que defendem o PS) e a canzoada impune refastelada nos tribunais (excepto a que proíbe as escutas ao PS), João Pinto e Castro sublinha com excessiva vénia estes parágrafos do Daniel Proença de Carvalho, um advogado de Sócrates:

Todos nós conhecemos os actores políticos, os seus percursos, as ideias que professam, os seus comportamentos políticos; e, muito importante, exercem o poder com base no voto popular, que é a regra da democracia. Que sabemos nós dos detentores do poder judiciário? Por onde andaram, que ideias políticas professam? E a pergunta fatal: qual a raiz do seu poder soberano?

Temos aqui o começo de um importante corpus doutrinário, leitores: de acordo com esta reflexão, há que conhecer as ideias políticas dos nossos magistrados para que estes não possam julgar, inadvertidamente, altos responsáveis de partidos em que não votaram.

 

Seria trágico que os melhores amigos do primeiro-ministro fossem inquiridos por um afilhado da doutora Manuela, ou que um vereador do partido que os portugueses preferem tivesse que rastejar aos pés de um admirador de Louçã. Uma justiça merecedora do seu nome deve ser partidarizada: assim o exige o voto popular, a única raiz do poder soberano.

 

O João Pinto e Castro chama a isto defender o Estado de Direito. Um dia talvez possa explicar-nos o que seria atacá-lo.

Direita, esquerda.


vidabreve,

1.

 

Uma parte da direita propõe arrastar o debate sobre o casamento entre homossexuais, se possível, até à consulta popular. E eu, ingénuo, a pensar que existiam assuntos mais importantes, problemas urgentes, que diziam respeito a todo o país.

 

2.

 

Os muchachos de Sócrates não são o PS. Pessoas como Ana Gomes, Medeiros Ferreira, João Cravinho e um punhado de temerários manifestam há muito o seu desprezo pela corrupção, ou pelo silêncio, dos apparatchik. Com as instituições enfraquecidas, talvez nos façam falta.

O horror, a tragédia, o jantar.


vidabreve,

 

Na semana passada, os colegas do Delito de Opinião quiseram ir jantar ao Clube de Jornalistas. Como poderia recusar o convite? Adoro jornalistas. Já gostava deles quando não trabalhavam para o Governo, nem namoravam com primeiros-ministros, nem roubavam emails uns aos outros, e a passagem dos anos, o frisson das ligações perigosas, o perfume dos escândalos só transformou essa benevolência em ardor. Tenho amigos entre assessores políticos e profissionais da imprensa (perdoem o pleonasmo), e algumas das boas refeições que até hoje recordo foram incluídas na factura de um ou outro semanário. O mesmo não ocorreu com esta, que me obrigaram a desembolsar.

 

Apesar desse faux pas, a noite foi agradável. Mal atravessei a porta vi o Mário Zambujal, que ainda está vivo, e tão lúcido como o António José Saraiva. Na salinha dos cocktails cavaqueavam o Carlos Barbosa de Oliveira e a Teresa Ribeiro. O Carlos é um gentleman — a Teresa, felizmente, não. Revelou-se uma mulher elegante, simpática, com a língua afiada: fiquei ao seu lado durante o jantar.

 

O belo sexo fez-se representar com brio. A Ana, uma aventureira extraordinaire, relatou-nos como tinha explorado o Camboja, a Tailândia e o mundo perdido do grande lama Jampehl Gyatso Tangá, em Xanadu (deu-me um cone de incenso capaz de o provar). A Leonor e a Ana Margarida discorreram com tanto espírito sobre a nossa vida pública que fariam inveja à madame De Stael, se a sua pobre carcaça não estivesse sepultada em Paris. Quanto à Cláudia: ela conhece os segredos da blogosfera portuguesa, amigos. Sim, todos os segredos. Portanto, don’t fuck with us.

 

Entre os homens contávamos dois políticos: o Adolfo, um sujeito demasiado estimável para alguém que apoiou Paulo Portas e espera conduzir à miséria as velhinhas do rendimento mínimo e os órfãos desamparados — e também o André Couto, um socialista que se atrasou várias horas, como é hábito entre os poderosos, mas teve a delicadeza de não recitar as oito cabalas urdidas pela justiça contra o senhor primeiro-ministro ainda em funções.

 

Nós, os cidadãos anónimos, também nos divertimos muito. O António ficou calado e o José falou sobre a América, pelos dois. Assim se confirma que em todos os blogs colectivos há um Nuno Rogeiro. Mas a grande surpresa da noite foi o Pedro Correia: eu aguardava um rapaz de chinela e calção encardido, com prancha de surf à ilharga, recém-chegado de uma das melhores praias portuguesas, e em vez dele conheci um senhor com ar de banqueiro, bon chic, bon genre, glamoroso, soigné. Passei todo o jantar à espera que aparecesse o irmãozinho.

 

Os colegas ausentes deixaram saudades mas, vendo o lado positivo, assim não faltou comida. O chef André Magalhães esteve bem: o creme de castanhas com presunto estaladiço pareceu-me excelente, o bacalhau salgado mas as migas saborosas, o naco de porco très outonal, o leite creme de marmelos um achado, os vinhos muito adequados ao preço (melhor o branco que o tinto). As castanhas assadas, infelizmente, más — despeçam o fornecedor. O espaço é magnífico, o jardim amável, a mesa redonda é ideal.

 

 Nos próximos dias publicarei aqui algumas fotos, a menos que enviem os chequezinhos ao apartado do costume. Para a Ana Cláudia é mais caro, por questões de segurança. 

 

Opinião pública.


vidabreve,

A blogosfera, que começou por influenciar os jornais e os partidos políticos, é agora uma extensão dos partidos políticos e dos jornais. As centrais da posta dedicam cada vez mais recursos a abafar o pensamento crítico numa cacofonia de newspeak.

 

Mas enquanto se preparam os próximos ataques à independência da justiça e ao exercício da opinião livre (não julguem que há processos Face Oculta sem uma resposta articulada do poder), vigiar os poderosos continua a ser um dos trabalhos nobres da democracia participativa.

 

Precisamos de reforçar as vozes isoladas, as mais preciosas, frágeis e descomprometidas do nosso ecossistema. Isso é possível recorrendo aos social media.

 

Noto que muita gente bem intencionada, com pensamento próprio, despreza o twitter. É um erro que se paga caro. O estudo honesto destes instrumentos acaba por recompensar quem os utiliza.

 

Mais tarde ou mais cedo, a caixa de ferramentas de um cidadão preocupado terá que incluir isto:

 

Blogging

Micro-blogging (Twitter)

Social networking (Facebook, Linkedin)

Agregadores de social networking (Friendfeed)

Agregadores de RSS Feed (Google Reader)

Social bookmarking (Google Reader, Delicious, Stumbleupon)

Wikis (Wikipédia)

Photo sharing (Flickr)

Video Sharing (You Tube)

Livecasting (Ustream.tv)

Podcasting (iTunes)

 

Os blogs não vão desaparecer, mas já cumpriram a sua função. Há que seguir em frente.

 

Nota posterior: coloquei uma bibliografia de introdução a este tema no meu blog pessoal.


vidabreve,

 

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O jardim do Palace Hotel Bussaco, ontem à tarde, antes de me etilizar com três gin-tónicos na varanda e de perder sem dignidade ao crapô.

 

 

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A vista do quarto, esta manhã.

Da ironia.


vidabreve,

Swift ficou irado com o êxito universal das Viagens de Gulliver. Ele tentara, afirmou, envergonhar os homens, e em vez disso apenas conseguira fazer com que se rissem.

 

Como instrumento do combate político, a ironia é ineficaz: não esclarece nem mobiliza, e os seus cultores parecem-nos quase sempre alheados, descomprometidos, detached.

 

Apesar disso, não é uma ferramenta desprovida de virtudes:

 

– A ironia mantém-nos dentro da arena em batalhas desiguais.

– A ironia atrai aliados improváveis.

– Em alguns casos, a ironia aponta exemplos aos seus alvos — mostra-lhes o que poderiam ter sido, se não se tivessem transformado naquilo que são.

 

Nietzche escreveu que todas as afirmações estúpidas merecem respostas inteligentes. A ironia é a resposta dos que aprenderam a esperar. Podia desenvolver o tema, mas o ensaísmo blogosférico aborrece-nos.

Há festa em África.


vidabreve,

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Na Costa Rica, Gana e Mali as multidões celebram os excelentes resultados obtidos no relatório sobre liberdade de imprensa dos Repórteres sem Fronteiras. O Ministro dos Assuntos Parlamentares, Dr. Hawa Mukeila Issaké, regozijava-se ontem por o jornalismo do seu país ser agora tão livre como o de nações prósperas, com governos reformistas e democracias sem mácula, mencionando a título de exemplo o caso português.

 

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Durante a manhã, esta delegação de um jornal de referência sediado em Acra ultimava os preparativos da sua deslocação a Lisboa. O director do Daily Pasquin manifestou-se optimista com a anunciada troca de experiências, num ambiente de sã convivialidade, que irá decorrer no Hotel Altis a partir do dia 9. Todos temos a ganhar com esta partilha mútua de saberes e visões, obviamente complementares, e sempre marcadas pela excelência de conteúdos que distingue o trabalho dos nossos repórteres na Europa e em África, concluiu.

Notícias da “liberdade respeitosa”.


vidabreve,

  1. Portugal caiu 14 posições no ranking de liberdade de imprensa da organização Repórteres sem Fronteiras (via Cachimbo de Magritte).
  2. O processo de José Sócrates contra João Miguel Tavares, motivado por esta crónica, foi arquivado pela segunda vez, por um juiz do Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa. Citação: Impedir que se comente a posição assumida por um político, em exercício de funções, relativamente aos comportamentos de determinados órgãos de comunicação social, bem como impedir que se possa considerar tal posição pouco democrática, é efectivamente impedir o livre debate de ideias. (…) "Sócrates, o Cristo da política portuguesa" é um texto que "se encontra plenamente inserido no exercício da liberdade de expressão (via Clube das Repúblicas Mortas).

Chato, não é?


vidabreve,

Alguns dos nossos líderes de opinião enfastiam-se com o caso Freeport. Eu compreendo: há temas da moda bem mais estimulantes, como as últimas sondagens sobre a Presidência da República. Mas embora eu gostasse de imitar o silêncio dos que ainda há pouco vociferavam contra campanhas negras (um silêncio repentino, induzido por estas notícias), a verdade é que não consigo.

 

Tal como o Vasco, interrogo-me:

 

Dir-se-á que o fax entre duas pessoas nada prova sobre uma terceira e isso é verdade. Mas não deixa de ser curioso que dois membros da administração de uma grande empresa interessada num projecto com um licenciamento tão embrulhado se mostrem tão preocupados com a saída do Ministro do Ambiente e dos seus secretários de Estado, ao ponto de colocarem preto no branco as suas angústias.

Nada prova, mas a quantidade de indícios que saltam e pululam, sempre sem desmentidos, sem explicações, faz crer que qualquer dia será necessário iniciar um inquérito à forma como este inquérito está a ser conduzido, (no mínimo) muito estranha. A não ser que os magistrados do MP tenham medo de ver as suas avaliações suspensas.

 

Por vezes é assim: há assuntos que chegam, assuntos que se vão. Pessoas caladas, à espera que os outros se aborreçam. Mas sobra quase sempre um pequeno grupo de impressionáveis, para quem a corrupção não é um tema da moda, a honra não depende da moda, a culpa não varia com a moda e o silêncio não é uma opção — ainda que isso custe (e como deve custar) a alguns enfastiados.

 

É chato, eu sei.

O roto ao nu.


vidabreve,

O Miguel Abrantes, que tem defendido Sócrates com o mesmo ardor que Thomas More devotou ao papado, embora sem perder a cabeça, está agora muito sentido com o presidente Cavaco Silva. Ele proclama, vejam só, que Cavaco

• Nunca se preocupou com o défice orçamental em vésperas de eleições (…);

• Convivia mal com o jogo democrático (…);

• Não hesitou em se desembaraçar dos seus “amigos”, quando estes se tornaram num estorvo à sua carreira (…);

• Jamais deu um sinal de reprovação perante os escândalos que surgiram no seu consulado e se foram mantendo ao longo dos anos.

Sim, amigos. Estamos a falar de Cavaco Silva. Cavaco. O Cavaco. Nada de confusões com aquele tipo vertical e amante das liberdades, que impõe a sua ética rigorosa aos amigalhaços e nos vai legar um défice de 7 ou 8 por cento neste ano de todas as disputas eleitorais.

 

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Se faz favor.

O que o Presidente devia ter dito.


vidabreve,

Portugueses,

 

A Presidência da República é frequentemente invocada, citada e criticada pelos actores políticos, muitas vezes sem razão, durante os períodos de campanha eleitoral. Essas ocorrências, que não nos orgulham, fazem parte da vida democrática.

 

Não cabe ao Presidente comentar comentadores ou responder a notícias de jornais.

 

Recentemente, no entanto, a Presidência da República foi associada a um facto de especial gravidade que, se não fosse por mim desmentido, poderia pôr em risco o regular funcionamento das instituições democráticas. Esse facto, esse rumor propalado por notícias falsas, pretende sugerir que o Presidente receia ou receou ser alvo de escutas comandadas por um outro órgão de soberania.

 

Quero desmentir veementemente esse rumor e essas notícias.

 

Durante a campanha eleitoral considerei que o assunto, por ser delicado, merecia uma intervenção discreta — e nesse sentido procedi a uma reorganização da minha Casa Civil. O efeito desejado, infelizmente, não ocorreu: as notícias falsas não acabaram, e o nome do Presidente continuou a ser associado, de forma injusta, a uma pretensa intervenção na disputa partidária que então decorria.

 

Quero por isso deixar bem claro o seguinte: O Presidente nunca afirmou que era alvo de escutas, nem alguma vez manifestou preocupação semelhante. Quem quer que tenha dado essa notícia aos meios de comunicação social, se é que a notícia foi dada, não falava em nome do Presidente. Só o Presidente, ou os chefes da Casa Civil e da Casa Militar do Presidente, falam em nome da Presidência da República. Mais ninguém está autorizado a fazê-lo. Repito: ninguém.

 

Rejeito por isso qualquer insinuação de que a Presidência tenha inspirado, patrocinado ou tolerado as notícias e os rumores que referi.

 

O país atravessa tempos difíceis. São pesadas e inúmeras as responsabilidades que recaem sobre o Presidente da República. Não fugirei delas.

 

Cabe-me assegurar que existe, entre os órgãos de soberania, uma relação de respeito, lealdade institucional e dedicação à causa pública. E pretendo ser o primeiro a dar o exemplo nesse sentido.

 

Os Portugueses sabem que podem contar comigo: não para insuflar crises artificiais, mas para ajudar a resolver os graves problemas que enfrentam todos os dias. Não para alimentar guerrilhas institucionais, mas para valorizar e engrandecer as nossas instituições.

 

Essa é a missão do Presidente. E esse é o meu desejo profundo, que achei necessário sublinhar perante todos. Boa noite.