2017


vidabreve,

O presidente da União Europeia lamentou o impasse do encontro de emergência de Potsdam, em que a Escandinávia, a Alemanha e a Grã-Bretanha exigiram que as economias do Leste e da Europa do Sul fossem excluídas da moeda única. Este momento de incerteza na vida das instituições europeias foi recebido com indiferença em Portugal, a braços com o rescaldo das legislativas.

 

Numa entrevista ao Diário de Notícias, Pedro Passos Coelho comprometeu-se a reforçar a cooperação estratégica entre o seu partido e o Governo de José Sócrates, invocando os inúmeros sucessos da última legislatura.  Fontes anónimas garantiram-nos que o social-democrata Ângelo Correia será o novo presidente do Conselho de Administração da EDP, enquanto Miguel Relvas ocupará funções idênticas na REN.

Os dados recentes sobre o agravamento do défice das contas públicas e do saldo negativo da balança de transacções correntes, bem como a confirmação do crescimento da taxa de desemprego para 18,3 por cento não desencorajam o primeiro-ministro,  que se mostra determinado e confiante no rumo que traçou para o país. Atribuindo os maus resultados pontuais à persistência da crise internacional, José Sócrates recordou que está previsto um crescimento de 0.2 por cento do PIB em 2018, uma consequência evidente das iniciativas encetadas pelo Governo.

É verdade que há sinais de vitalidade na economia portuguesa. O presidente da Sonae, Armando Vara, anunciou a edificação do maior centro comercial da Península Ibérica, que servirá as populações de Vinhais, da Sobreira de Baixo e do Parque Natural de Montesinhos. Também o governador do Banco de Portugal, José Lello, declarou ontem a sua confiança no efeito multiplicador dos novos investimentos públicos, como a construção do aeroporto internacional de Castelo Branco, outorgada à Mota-Engil.

A reforma da justiça continua a obter resultados. Esta semana a polícia judiciária efectuou buscas nas residências de quatro juízes desembargadores e de seis magistrados do Ministério Público, em conformidade com o mandato do senhor presidente do Supremo Tribunal de Justiça — o meritíssimo Lopes da Mota. O ministro dos assuntos parlamentares, João Galamba, congratulou-se com mais uma vitória do Estado de Direito contra a insídia da espionagem política.  Os quinze jornalistas recentemente acusados de calúnia e ofensa agravada ao bom nome do primeiro-ministro foram condenados em processo sumário a penas que variam entre os 14 e os 24 anos de prisão efectiva.

Hoje a Assembleia da República votará mais um orçamento redistributivo e a proibição de símbolos católicos em lugares de culto — uma medida há muito exigida pelos blogs da maioria. Para a próxima semana está agendada a discussão da proposta de lei que visa uniformizar os títulos das bibliotecas universitárias, sujeitando as novas aquisições à aprovação prévia de uma entidade reguladora.

O primeiro-ministro afirmou que a proposta segue as melhores práticas em vigor nos países desenvolvidos, acusando os profetas da desgraça e os bota-abaixistas que persistem em obstaculizar os esforços reformadores do seu governo. Não terão sucesso, concluiu. Portugal está no bom caminho.

11 comentários em “2017”

    1. Eu diria que para ministro das Obras Públicas Alberto João Jardim ficaria melhor. É que ele afirma-se convictamente keynesiano. E já tem muita experiência demonstrada na construção de vias rápidas e túneis na ilha dele.

      Mas não sei se em 2017 ainda será português. Espero bem que não.

        1. Há que dizer que já em 2016 o primeiro-ministro pretendia colocar Portugal no mapa da revolução Bolivariana e que já a JP Couto deu a volta ao mundo com o seu Magalhães 2017, e se posiciona como futura compradora da ex-Microsoft , futura MicroCouto ou MicroCoto (após a entrada em vigor do novíssimo acordo ortográfico).

  1. —> 30-11-2009, após o povo suíço, em referendo, ter rejeitado os minaretes… todos os jornais diários foram unânimes: a Suíça vai ter problemas comerciais/económicos com países islâmicos…
    —> Os intelectuais nacionalistas – promotores da teoria de que «o amor ao próximo» é a causa da derrocada europeia… – serão, porventura, os pensadores mais imbecis da História da humanidade.
    {nota: só os imbecis é que não vêem isto: a maioria dos europeus são seguidores daquela ‘grande tradição europeia’: negociatas fáceis tipo -> exploração de escravos, roubo de territórios a povos indígenas, mão-de-obra servil imigrante ao preço da chuva, etc…}

    ANEXO
    A Civilização do respeito do espaço dos outros… versus… a Civilização das corridas demográficas…
    Todos Diferentes! Todos Iguais!
    {TODOS os povos – quer os de maior, quer os de menor, rendimento demográfico – devem possuir o Direito de ter o SEU espaço no planeta}

    —> Os Anti-racistas são intolerantes para com que é diferente: eles não aceitam que os povos nativos que, pacatamente, apenas procuram sobreviver no planeta, possuam o Direito de ter o SEU espaço no planeta.
    —> Os ‘paladinos’ do anti-racismo são precisamente aqueles povos (africanos, asiáticos, etc) que estão numa corrida demográfica pelo controlo de novos territórios… eles pretendem possuir ‘carta branca’ para ocupar e dominar os territórios que muito bem entenderem…

    Apoiantes da ideologia Anti-racista:
    1- os ‘paladinos’ [são aqueles que estão numa corrida demográfica pelo controlo de novos territórios];
    2- capitalistas selvagens (venham mais consumidores);
    3- os negociatas-fáceis (são os seguidores daquela GRANDE TRADIÇÃO EUROPEIA: negociatas fáceis tipo -> exploração de escravos, roubo de territórios a povos indígenas, mão-de-obra servil imigrante ao preço da chuva);
    4-Os seguidores da lavagem cerebral (propaganda) levada a efeito pelos 3 anteriores.
    {Uma observação:Os anti-racistas são iguais àquelas personalidades históricas – de má memória – que também adoravam inventar teorias com um objectivo muito preciso: negar a outros… o Direito de evocar a legitimidade da sobrevivência da sua Identidade}

    —> Para além da GRANDE TRADIÇÃO EUROPEIA (vulgo negociatas-fáceis), existe uma UMA GRANDE TRADIÇÃO UNIVERSAL: a existência de povos autóctones no SEU espaço.
    —>>> Concluindo: antes que seja tarde demais, há que mobilizar, para o SEPARATISMO-50-50, aquela minoria de europeus que possui disponibilidade emocional para abraçar um projecto de Luta pela Sobrevivência…

    1. Sem pôr em causa a legitimidade do comentário que o meu caro Borges Ferreira aqui coloca, sinto-me obrigado a defender “o Pitta” de que fala — pessoa que no seu blog sempre me deu provas de inexcedível cortesia e correcção, apesar de todas as diferenças políticas.

  2. Muito bem, Luís, o George Orwell não teria feito melhor previsão. Julgo que em 2017 o PR já será mesmo o próprio Big Brother em pessoa, não?

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