As velhas carquejas da intratável livraria Buchholz planearam há anos a estratégia de marketing perfeita. Sempre que se aproxima um solstício, abrem as goelas e ameaçam desaparecer. Agora recebi um press release em que me confiam a próxima Liquidação Total:
(…) uma oportunidade única para encontrar livros que são verdadeiras raridades, a preços imbatíveis. (…)
Sem dúvida. E uma oportunidade única para o leitor afastar teias de aranha enquanto é enxovalhado por Helgas de napa preta e godemichet. O documento assegura-nos que os livros estarão à venda a partir de 1 €. Quanto à masmorra, é gratuita.


Queria apenas dizer-lhe que desta vez “as velhas carquejas” da Buchholz nada têm que ver com a liquidação total do stock. Uma vez que a livraria foi vendida no mes de Junho à Coimbra Editora sendo essa sim agora responsável pelas teias de aranha e se lá for não será enxovalhado por Helgas. Por isso antes de dizer mal é melhor obter mais informaçção.
Que tinha sido vendida já eu sabia, mas imaginei que ainda por lá andavam os urubus. Se não é o caso, retracto-me com humildade-.
Depois deste texto, não serás enxovalhado por Helgas mas se-lo-ás, de certeza, por Marias… enfim, sempre é mais caseiro o enxovalho. 😉
(mas dou-te razão: a simpatia no atendimento nunca foi um dos fortes da Buchholz)
Sempre que lá fui, até cortar de vez com aquilo, senti-me sempre recebido como o Luís descreve com o seu habitual bom humor. Se um cliente arriscava fazer uma perguntinha a frase que pretendia ser resposta parecia uma chicotada. Já tenho sido melhor recebido em muitas repartições de finanças, felizmente.
Nem com livros à borla contam comigo lá.
O Lutz já fez um post sobre o meu “antigermanismo” — felizmente parece que é ironia.
Talvez. A ironia germânica troca-nos sempre as voltas.
Foi. Senti no teu post, apesar das tuas duras palavras, uma certa atracção pelas Helgas. Consta que as nossas mulheres, embora em regra veementemente negado, têm esse efeito nalguns homens latinos…
Altas, loiras e más: haverá coisa melhor?
A verdade é que comprei 10 livros por 24 euros. Um deles custou-me 3 euros e nos preços normais era para cima de 40. Para além de obras de Shakespeare que não encontro em lado nenhum e de um De Profundis do Wilde que há muito tempo que procuro. Para mim compensa. 😀
Fizeste bem, Daniela. Eu é que me cansei de ir lá muita vez e nunca havia, nunca sabiam, nunca queriam saber, nunca olhavam para o cliente sequer. Um dia disse para mim mesmo: jamais. E assim foi, ao contrário do jamé de Mário Lino.
Felizmente há mais livrarias em Lisboa – e no mundo.
Vou dizer uma heresia, especialmente vindo de quem como eu tem a panca das livrarias e livros, mas a Buchholz deixou de me fazer falta desde que posso comprar livros alemães online.
jawohl!