Chato, não é?


vidabreve,

Alguns dos nossos líderes de opinião enfastiam-se com o caso Freeport. Eu compreendo: há temas da moda bem mais estimulantes, como as últimas sondagens sobre a Presidência da República. Mas embora eu gostasse de imitar o silêncio dos que ainda há pouco vociferavam contra campanhas negras (um silêncio repentino, induzido por estas notícias), a verdade é que não consigo.

 

Tal como o Vasco, interrogo-me:

 

Dir-se-á que o fax entre duas pessoas nada prova sobre uma terceira e isso é verdade. Mas não deixa de ser curioso que dois membros da administração de uma grande empresa interessada num projecto com um licenciamento tão embrulhado se mostrem tão preocupados com a saída do Ministro do Ambiente e dos seus secretários de Estado, ao ponto de colocarem preto no branco as suas angústias.

Nada prova, mas a quantidade de indícios que saltam e pululam, sempre sem desmentidos, sem explicações, faz crer que qualquer dia será necessário iniciar um inquérito à forma como este inquérito está a ser conduzido, (no mínimo) muito estranha. A não ser que os magistrados do MP tenham medo de ver as suas avaliações suspensas.

 

Por vezes é assim: há assuntos que chegam, assuntos que se vão. Pessoas caladas, à espera que os outros se aborreçam. Mas sobra quase sempre um pequeno grupo de impressionáveis, para quem a corrupção não é um tema da moda, a honra não depende da moda, a culpa não varia com a moda e o silêncio não é uma opção — ainda que isso custe (e como deve custar) a alguns enfastiados.

 

É chato, eu sei.

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