Portugueses,
A Presidência da República é frequentemente invocada, citada e criticada pelos actores políticos, muitas vezes sem razão, durante os períodos de campanha eleitoral. Essas ocorrências, que não nos orgulham, fazem parte da vida democrática.
Não cabe ao Presidente comentar comentadores ou responder a notícias de jornais.
Recentemente, no entanto, a Presidência da República foi associada a um facto de especial gravidade que, se não fosse por mim desmentido, poderia pôr em risco o regular funcionamento das instituições democráticas. Esse facto, esse rumor propalado por notícias falsas, pretende sugerir que o Presidente receia ou receou ser alvo de escutas comandadas por um outro órgão de soberania.
Quero desmentir veementemente esse rumor e essas notícias.
Durante a campanha eleitoral considerei que o assunto, por ser delicado, merecia uma intervenção discreta — e nesse sentido procedi a uma reorganização da minha Casa Civil. O efeito desejado, infelizmente, não ocorreu: as notícias falsas não acabaram, e o nome do Presidente continuou a ser associado, de forma injusta, a uma pretensa intervenção na disputa partidária que então decorria.
Quero por isso deixar bem claro o seguinte: O Presidente nunca afirmou que era alvo de escutas, nem alguma vez manifestou preocupação semelhante. Quem quer que tenha dado essa notícia aos meios de comunicação social, se é que a notícia foi dada, não falava em nome do Presidente. Só o Presidente, ou os chefes da Casa Civil e da Casa Militar do Presidente, falam em nome da Presidência da República. Mais ninguém está autorizado a fazê-lo. Repito: ninguém.
Rejeito por isso qualquer insinuação de que a Presidência tenha inspirado, patrocinado ou tolerado as notícias e os rumores que referi.
O país atravessa tempos difíceis. São pesadas e inúmeras as responsabilidades que recaem sobre o Presidente da República. Não fugirei delas.
Cabe-me assegurar que existe, entre os órgãos de soberania, uma relação de respeito, lealdade institucional e dedicação à causa pública. E pretendo ser o primeiro a dar o exemplo nesse sentido.
Os Portugueses sabem que podem contar comigo: não para insuflar crises artificiais, mas para ajudar a resolver os graves problemas que enfrentam todos os dias. Não para alimentar guerrilhas institucionais, mas para valorizar e engrandecer as nossas instituições.
Essa é a missão do Presidente. E esse é o meu desejo profundo, que achei necessário sublinhar perante todos. Boa noite.

200% de acordo
Boa noite.
Preferiu dizer o que disse, ou seja, o contrário do que devia.
Este país não é para gente sã.
Ah, pois não é. Gente sã não elege políticos como os nossos.
O problema, Luís, é que não temos escolha… mas a verdade é que os políticos actuais são o espelho de uma sociedade apodrecida.
Caro Luís:
Respeito a sua opinião mas aquilo que o PR disse ontem foi o que interessava ouvir por muito que custe ao partido sócrates ouvir verdades e desmascarar as manipulações.
A história das escutas não passa de um “fait divers” para ocultar a grande verdade e essa é apenas e só a tentativa de apear de Belém o Dr. Cavaco Silva, pela simples razão que sem maioria absoluta vai ser complicado governar este país e com um inquilino em Belém que não apara os golpes socráticos (estatuto açores, divórcio litigioso, lei comunicação social, e outros) as coisas complicam-se e tadinho do engº vai assar em lume brando durante dois anos. Será que ninguém entendeu isso? Basta ver as reacções dos apoiantes socráticos na blogosfera e não só em que se pede já a renúncia ao cargo por parte de Cavaco.
Com a manipulação e controlo da comunicação social feita pelo governo e pelo partido sócrates a manobra estava bem encaminhada, veremos daqui para a frente como tudo se irá passar.
Mas nesse caso o próprio Presidente terá dado uma bel ajuda no sentido de ser “apeado”, não acha?
Caro Luís M. Jorge,
O título do post diz tudo: “devia ter dito”. Mas não disse. E é com isto, com o que não disse, que vamos todos ter de ficar.
Pois: mas com o não ter dito o que devia, é bem capaz de não ser reeleito. Seria uma estreia.
Excelente: uma proposta construtiva, para variar.
Muito bem. Só faltaria dizer ‘boa sorte’ após ‘boa noite’.
Ou então “Boa Noite & Não me chaguem a molécula”.
Falta-me cultura política para essas subtilezas.
Luís. preferia que fosse você o presidente. Não sei o quão bom seria como político, mas por esta proposta já seria certamente mais hábil que Cavaco.
Bem, meu caro concidadão, é verdade que tenho vindo a meditar numa candidatura, com grande sacrifício pessoal, ao cargo que refere. Estou apenas à espera de uma “vaga de fundo” que me incentive a dar esse passo. Espero contar consigo.
Luís M. Jorge à Presidência, já!
:)))
Muito obrigado, caro eleitor (espero que já seja um eleitor).
Errado. EleitorA
:))))))
A Maria do Sol é eleitora e uma das nossas muito prezadas comentadoras diárias, Luís.
Prometo estar atento, daqui em diante: até porque o direito ao voto já é universal.
Muito mais razoável que a realidade! Posso votar em ti?
Em breve divulgarei o programa da minha candidatura.
Pelos vistos, era isso que diriam o drs. Soares e Sampaio, exemplares presidentes que jamais alimentaram qualquer conflito com os governos…
Caro Luís M. Jorge:
Mesmo que não esteja a considerar levar a sério uma eventual candidatura a Belém, acho que pelo menos, e para já, há uma coisa que deve considerar séria e urgentemente: escrever os textos a Cavaco e mandá-los ler por alguém que o saiba fazer devidamente, talvez um assessor de imprensa, sei lá. Parabéns, pois, pela sua magnífica comunicação ao país, através da qual todos teríamos ficado a perceber o que se pretendia comunicar. Assim, foi o que se (ou)viu…
Vou pensar nisso, Luís. Agrada-me a ideia de passar os meus serões com a família Silva. Abraço.