Foram três meses e manhãs seguidas.


letraspequenas,

Todo o Outubro, todo o Novembro e o Dezembro até ao último cacho, ao derradeiro bago, murcho. Não lhes sei o nome, vinha cada um de sua vez, numa acrobacia sem rede, sem poiso, e zás, está no bico, e na corda da roupa chega ao papo. Não lhes sei o nome, nunca os vira aqui, só comem uvas de vinha virgem, parecem piscos de peito claro. Agora, moem-me as saudades. Também sou de hábitos. E Aquilino, te-los-á visto? Espero que sim, que agora moem-me as saudades.

Os poetas.


letraspequenas,


Os poetas. Fogem da dor como o diabo da cruz e a dor que sentem é quando a ilusão fracassa, porque do caminho fez atalho. É essa a dor que o poeta sente, a pena própria que resolve à pena, à Língua, criando mais e mais ilusões, por entre queixumes ocres e violentas.

Não te dignificam os homens,


letraspequenas,

 

erva daninha. Não te respeitam porque é fácil ignorar-te. Sabes porque te ignoram? Porque podes mais que eles. Que basta a chuva, que aguentas o sol, que te contentas superiormente com a vida. Que és a vida. Tomaram-te os homens, erva daninha. Sem ânsias, no espaço que é teu, sorrindo ao que pisa e passa, a olhares que não te deitam e à admiração que nem te devotam. És efémera, hastezinha, e os homens temem a impermanência. Vives pouco, e não se contentam com pouco. A tua grandeza não passa das solas dos seus sapatos.

Acta de um almoço regalado


letraspequenas,

 

Foi-se o calor como um turista e Sintra refez-se a reter nuvens, a banhar-se nelas, a cintilar os verdes, a refrescar o ar à amostra do Delito, que almoçou, para variar, em casa da Ana Vidal. Muitas faltas, vê-se, mas é difícil juntar tantas pessoas numa varanda à mesma hora. Conseguiram ir (pela direita), a Ivone, o convidado especial Fernando Antolin, (Leitor/Comentador!), o Zé Maria Pimentel, o Pedro Correia, o Zé Bandeira (procure-se atrás da câmara), o Fernando Sousa, a inesgotável anfitriã, a Ana Cláudia, o Zé Navarro e eu.

 

Sobre a mesa, o cardápio fez corar as pedrinhas das calçadas adjacentes, mas vá, registe-se: Couscous, muito bem temperados, com diversa tralha pelo meio, tudo ingredientes à altura da mais fina sensibilidade gustativa, a par de Batatinhas tralálálá, cozidas e impregnadas de maionese, com rodelas de cenoura e gambas. Mais nem devia um bom cristão dizer, mas seguiu-se Tarte de pêra, Salada de frutas, Éclairs de chocolate e Queijadas da vila, tudo adornado a tinto e branco de boas adegas, licores e ginja caseira, rematando-se num duplo café, a dar então o verbo à dança da graciosa Língua Portuguesa, já que cerejas ninguém levou.

 

Feita uma raspadinha à recente intervenção do Presidente da República, nada nos saiu, até porque o Vale do Paraíso do Zé Navarro e da Ana Vidal – o Texas português – impôs melhores histórias, detendo-nos numa ida Reforma Agrária e nas suas galhofeiras memórias, que a gente moça não, mas de mim para cima todos têm vivas. Nem tugi das minhas em terra de reaccionários (para quê?), e entre o granel de outros assuntos, talvez advindo de um fugaz lamento de que a obra nem sempre é o escritor, que almas belicosas também dão à letra verdadeiras rosas, o insaciável colega Luso-Texano, teve uma ideia luminosa, que oxalá lateje nas meninges do Pedro Correia e paire firme, como a nuvem sobre a Serra, nos corações dos restantes Delituosos. A democrática proposta visa a publicação de um certo texto, em honra dos Leitores, por determinadas e legítimas razões, que asseguro, é generosa. Quase tanto como o repasto que transformou em burgueses esquecidos da vida esta dezena de alegres convivas, até à hora de ir fazer o jantar.

 

Foto Zé Bandeira

Portugal


letraspequenas,

Aqui, no silêncio que só tu ouves, procura a minha divisão a palavra que não existe. Levanto-me, porque é debaixo que venho. Do fundo sem fundo, de onde se implora: vá, bebe o que precisas de ti, dá à face a lágrima cristalina, olha-te no líquido reflexo. Logo eu, do andar depressa que nunca chega à frente, que é-me a vida adversa ao rigor do sentido, sol que evapora o choro para se não ver. Eu, que sem alarde me ergo, só queria a palavra e sou divisão.

Tendes saudades?


letraspequenas,

Tendes nada. Mas eu andava a criá-las. Queria. A porta aberta para a rua, o vento a dançar com a cortina e o cão a pensar que é gente, a noite, o muito tarde da noite, a brisa que me afaga as pernas, e esse ar, que por onde andou ninguém sabe mas é um sopro do amor.

Coisas da canalha


letraspequenas,

Um Mefistófeles dentro de casa. 13 anos, a anunciar que não vai mais à missa. “Deixa-te disso”, disse a mãe, “enquanto viveres debaixo do meu tecto fazes o que eu mando”, lembrou o pai. Conseguiu um acordo – passaria a ir à das seis e meia e dispensavam-no da do meio-dia, na Misericórdia, com aquele errante final social.

Da Matriz ao campo da bola era uma certa distância e ainda que com tempos sobrepostos, valia toda a diferença.

Junto e atacado, só levou uma. No meio da estrada, depois do som da travagem no areão da berma, viu-lhe os olhos faiscar. – Foste à missa? Nem falou. Ao primeiro biqueiro concluiu que chegara o dia. Da coça.

Hoje, quando derrapa por si adentro e a poeira se levanta, é um camelo direitinho a casa. Percorre o seu deserto e frente a santinhos de pau com olhares de troça, deixa correr o pranto. Mefistófeles apeia-se nas igrejas.

 

Foto: Gui Mohallem

Um domingo


letraspequenas,


Tanto céu, uma boca que me chama, a mão tão perto da minha. Vamos, juntar horas outra vez e as palavras antigas às que entretanto aprendemos. Enquanto abelhas voarem vai lá a gente esquecer a doçura das cerejas à luz de um entardecer.

Saudades de uma noite de verão


letraspequenas,

Na rua, o alcatrão também reage à lua do clima, e mantendo o seu quinhão de força a meio metro do chão, ei-lo a pairar na atmosfera – bruto e único. Tão só que é o odor do alcatrão. Que beleza têm as coisas sós. Com esta humidade súbita e o calor em grau, Lisboa cheira a todas as plantas que tem. Está tropical a noite e o ar pesado dos aromas em mistura. Não há erva que não emane fragrância. Até as que nunca cheiram a nada se resolvem. De Monsanto, a aragem é de madeira seca e folhas ressequidas. Quase se ouve estalar. Há-de ter sede a floresta, por isso transpira. Das árvores que cá sabemos, de populares aromáticas, nem falar. Atabafam-nos. A sua essência mais pura finda em perfume barato. Que noite quente, que Agosto meloso.

Lá vem ela!


letraspequenas,

Que me dás tu de bom, ó Lisboa, sua revoada? Que me dás de bom, senão ventanias cheias de saudade? A mesma ventania que te levou a canastra, o lenço, que escorraçou as fragatas e os corvos negros do cais. A barra vazia, o porto mais triste do que nos dias em que via partir tudo e todos. Sempre as mesmas saudades, dos mesmos lugares, nos próprios lugares. Saudades de ti, mesmo que em ti esteja, ó sorte maldita. Inveja raivosa de dias passados, das ocasiões que te palmilhei. Nem sei se enruguei à conta de ti, traquina. Desço-te ao Camões saudosa das vezes, de todas as vezes que já o desci. Passo a Madragoa e não vejo guitarra, nem água furtada, nem janela florida, nem pregão nenhum. Mas insistes que existem todas essas graças pelas tuas ruas. Gritas, aflita, que tens boa voz, que tocas trinado, que como tu não há. Tens uma mania e eu vou caminhando com ela no peito. Dás comigo em doida, tão depressa que chegas ao meu velho jeito. Raposa velhaca, tu sabe-la toda, sabes que me picas. Deixo-me levar nessa ventania que adoras soprar sobre as minhas costas, mostrando-me o tempo em que fui ingénua. Também tu já foste.

Mas há dias senhores, que eu não te aturo, mesmo que tu queiras. Há dias que fujo pró teu lado norte a ver se me curo. Escondo-me de ti em qualquer taberna, numa casa velha, no beco mais escuro. Que mal fiz a Deus que me topas sempre onde quer que esteja? Não posso sozinha correr ao Castelo que hás-de vir também… mulher do Diabo, omnipresente no meu pensamento, sempre à minha frente. Valha-te este tempo com que te disfarças à conta de Santos. Valha-me um copinho para matar a sede com que tu me deixas. Valha-me esta festa e o calor das marchas e o manjerico e mais uma ginja que me afogue as mágoas. Ai, Lisboa tonta, que eu sem ti morria e não levava nada. Nem uma agonia nem uma alegria para contar no céu. Viva o Santo António, esse mártir teu, que bem te conhece. Não sabe outra coisa senão o teu molde e era franciscano, é a tua sorte. Corre o céu coitado em prece sentida, não vá o São Pedro fazer-lhe a partida. Ah, Lisboa emproada, como tu és bela nos meses de Junho. Como tu te enfeitas, como te ajeitas, dás cabo de mim. Hás-de m’enterrar e fazer o mesmo a outros que venham. Quero lá saber, tu já foste minha, isso é que me importa e bem posso morrer.

Não me dês ouvidos, Lisboa, vamos esquecer. Quero convidar-te para este ano seres minha rainha. Vem bailar comigo nesses arraiais até de manhãzinha. Vamos beber vinho e comer sardinha, depois na Avenida é aquele furor. É o nosso povo e a sua voz a cantar amor. E é o cavalinho sempre a acompanhar, dá-me esse gostinho, só por uma vez. Dizes-me que não? Quem sabe, talvez…? Maria-papoila, és é uma atrevida. Sabes tu mais qu’eu sobre a minha vida. Escabichas tudo, porque me conheces, que alcoviteira, e eu parva ‘inda digo. O que queres ouvir o que queres saber, e ficas-te a rir. Mal sabes tu no entanto que eu gosto de ver esse teu regalo, p’ra mim um encanto. Ri Lisboa ri que quem ri por último é que ri melhor. Fazes-te de cara, só porque és airosa e eu pinga-amor. Se não vens comigo, deixa-me correr esses bairros teus que tanto apregoas – sou a Mouraria, a Alfama velhinha, sou a Madragoa… Vaidosa. Hei-de atravessá-los mesmo que te doa.

Ficas a saber que há gente de fora que vem ver as Marchas. Gente de outras terras muito bem capazes de me distrair. De me diluir esta obsessão que tenho por ti. E de lés a lés hei-de provocar-te insónias seguidas. ‘Inda te vou ver no Martim Moniz meia às escondidas, a pedir ajudas à Senhora da Saúde por mor das mordidas. Tadinha de ti, eterna gaiata, salta-pocinhas, ingrata. Toma lá cuidado com aquilo que dizes a essa Senhora. Olha que não tem a mesma paciência de Santo Antoninho, que aqui entre nós há muito que anda também p’lo beicinho. E ela não é burra, sabe bem que as dores são de cotovelo. Que o que tu tens, nas ventas, é pêlo. Estás enciumada e ‘inda te sujeitas a cumprir a pena que ela te ditar. Vires ao pé de mim e pedir desculpa para compensar.
E aí, Lisboa… vou olhar pra ti e vou-me encolher de arrependida. E vou-me entregar moendo as lembranças, as melhores lembranças desta nossa vida. Dos dias que foste a minha companhia numa solidão que ninguém entendia. Entendias tu quando me atiravas o riso mais terno que já conheci. E davas-me o céu e a brisa do mar… chamavas o sol e as gaivotas para eu me alegrar. Ali no Terreiro, no cais das colunas, mostravas-me o Tejo, leal companheiro. E chorando à mesma que não sossegava, fazias-me entrar em qualquer cacilheiro a ver se embalava. E no meio do rio o último soluço. Porque ao ver-te assim, Lisboa, eu sentia uma esperança. Eras tu inteira diante de mim. Que arrependimento, que nó na garganta, eu perdoo-te tudo cidade. Deixa lá as desculpas que os teus pecados são tão pequeninos. Eu sei que às vezes tu já não me ligas, mas não é desprezo. Tens em que pensar, andam-te a mudar, estás atordoada. Perdes a cabeça com tanta importância que o mundo te dá. Ficas deslumbrada com o que quer de ti essa gente fina. Apagam-te o tempo que em não passavas de uma só colina. E eras povo corajoso, marinheiro, eras varina. Tens alguma dúvida que é desse teu jeito que a gente mais gosta? Pergunta na rua Lisboa, pergunta na rua. Qual é a luz que melhor os alumia. Qual é a Festa que os faz mesmo vibrar. Continua Lisboa, continua. Continua a apregoar com o mesmo ar. E faz sonhar essa gentinha que te vem ver, deixa a alma alfacinha perdurar. Quero lá saber que seja mentira. Quero lá saber. Tu não podes é morrer.


Foto do azul-cobalto-ccc.blogspot

Névoa


letraspequenas,


Hoje nem a literatura. Todos os livros neste dia são nós na goela. É dó do escritor que eu sinto, como se o cansaço do seu esforço fosse todo meu e as penas expostas junto às minhas, quase sobrepostas, me amortalhassem mais ainda, e o riso não existisse. Que tortura olhar o texto, montanha minada de silvas, horas e horas sobre um poço onde nunca se mata a sede. Haviam de queimar todos os livros hoje. De agrilhoar todos os escribas agora. E as palavras só deviam ser faladas, para que todos as ouvissem já.

foto Gui Mohallem

Galinha o quê?


letraspequenas,


O meu companheiro seguiu o rasto dos mais velhos. Era um tagarela serão fora, capaz das perguntas mais parvas só para me ouvir praguejar. Bom sentido de humor, das noites queria a risota (fazia-me bem aos brônquios). Agora a sala é um intervalo. Vem beber, o passarinho, e segue onde outros estão de olho num monitor. Desprende-se o petiz da saia, rumo ao ciberespaço. Os filhos são como os pintos, ganham pena e voam. Ingratos.

Meu caro 25 de Abril


letraspequenas,


Naquele último ano em Angola eu tinha feito uma exemplar 1ª classe. Lia todos os reclames da cidade com destreza, contava dinheiro sem dúvidas e inaugurava-me nos caminhos da Liberdade. Vagueava pelas ruas, juntava-me a uns quantos como eu, e a praia Morena era toda nossa. Eu já estava lançada e a minha família habituada, quando vossemecê apareceu todo badalado. Foi vir e ver: só desgraça, só confusão. A bem dizer, tramaste-me a vida. E não foi pouco. Estava tudo muitíssimo bem encaminhado lá em Benguela. Tudo sobre rodas, 25! A minha Liberdade acabou quando a tua começou. Isso não gostei. Não gostei mesmo, ó 25.


Foto: Carlos Pires

Vou à terra! Que quereis que traga?


letraspequenas,

Desafiou-se a alma ao desapego, contando aliviar-se, coitada. De querer eternas as pessoas, imóveis as coisas e os lugares. A ilusão do sempre, a desilusão do fim. Mas nestas paragens, regala-se. Não há desapego com nexo, nem coisa que pese, e o que a comove, da alvorada à noitinha, é poder gozar todos os apegos. É um ror de lembranças, de expressões esquecidas, de um povo igual ao que a criou. E lides bonitas, vivas, terras milagrosas, águas que ainda correm, gente de empenhos e jeitos só seus. Regala-se, refaz-se, aqui, a alma.

 

Já vai longa a nossa história. Tu tens séculos para contar e eu décadas. Quando me acolheste era ainda uma menina. Vinha de outro hemisfério, de paisagens cheias de sonhos. Tomaste-lhe tu o lugar. Eras a terra prometida. A saída. O horizonte onde os dias haveriam de medrar. Que o passado, por amor à vida, passado era.
Em ti cresci o maior bocado de que tenho memória. E aprendi que embora aos homens fossem destinadas diferentes sortes, tu te davas de igual modo a todos eles. Nunca tiveste reservas, era essa a tua lei. Por isso depressa me apaixonei.
Foram anos e anos de repimpados banquetes, de apetitosas orgias debaixo desse teu céu. Nos invernos mais gelados, em infinitas Primaveras, a cada tórrido verão, que invariavelmente acabavas em cores de palha e com milhares, milhares de folhas pelo chão.

Ensinaste-me o teu cantar e os seus passinhos de dança. Que pujança! Mostraste a que cheiram as ervas daninhas, o valor de uma colheita, o sabor em que terminam as tuas vinhas. No som de várias enxadas a guiar os ribeirinhos, o rigor de cada trabalho, e a alegria dos domingos.
Eras uma vila airosa, onde todos se falavam. Na ponte, no rio, no largo, no chafariz, até na feira, ainda que aos gritos apregoasse uma tendeira, era esse o teu cariz. Não há pronúncia mais bela em todo o Vale do Lima e onde a língua portuguesa, mesmo em dorida expressão, teime entoar uma canção.
Hoje trazes novidades. Foste à cidade beber? Para mim ainda és a mesma, sempre, sempre o hás-de ser. A brisa fresca, a verdura insinuante, os campos até ao rio, montanhas até ao céu, a saia de florinhas, bordada a muros de pedra. Para mim, és sempre a mesma, desde aquele primeiro dia em que me deitaste a mão.
Já não tenho aquela força de te correr dia a fio, de subir a cada galha, de aguentar a geada, de amassar uma fornada. Resta-me, vila, olhar-te serenamente. Dizer para dentro de mim “soubesse as pândegas que já vivemos, esta gente…”. Agora é que sou fidalga. Repouso pelos relvados, à sombra dos castanheiros, em vez do vira, ouço fados.
Não estou diferente, não é. Sabes bem que quero é mimos. E quem melhor que tu, meu vale, para me curares a saudade e cuidares dos meus meninos? Mostra-lhes o que me ensinaste, sem que eu tenha de falar. Sopra-lhes tu aos ouvidos, reflecte nos seus peitos o que tens para lhes dar.
Que de ti se enamorem. Eles e todos os outros. Esses que por aqui vêm, sedentos de paraísos, procurando uma razão que lhes perfaça os sentidos. Isso para ti é fácil, não sabes tu outra coisa. Dá-lhes mais uma malguinha, serve-lhes o prato cheio, deixa-os debaixo da ramada encostados a um esteio. Uma coisa te garanto. Regressam agradecidos, esquecidos de todo o pranto.

 

Foto: Ricardo Polónio