Saudades de uma noite de verão


letraspequenas,

Na rua, o alcatrão também reage à lua do clima, e mantendo o seu quinhão de força a meio metro do chão, ei-lo a pairar na atmosfera – bruto e único. Tão só que é o odor do alcatrão. Que beleza têm as coisas sós. Com esta humidade súbita e o calor em grau, Lisboa cheira a todas as plantas que tem. Está tropical a noite e o ar pesado dos aromas em mistura. Não há erva que não emane fragrância. Até as que nunca cheiram a nada se resolvem. De Monsanto, a aragem é de madeira seca e folhas ressequidas. Quase se ouve estalar. Há-de ter sede a floresta, por isso transpira. Das árvores que cá sabemos, de populares aromáticas, nem falar. Atabafam-nos. A sua essência mais pura finda em perfume barato. Que noite quente, que Agosto meloso.

6 comentários em “Saudades de uma noite de verão”

  1. Sem a menor dúvida. Que saudade! … E se não houver frescor? É um pouco louco, mas delicioso, direi mesmo – supimpa!

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