Coisas da canalha


letraspequenas,

Um Mefistófeles dentro de casa. 13 anos, a anunciar que não vai mais à missa. “Deixa-te disso”, disse a mãe, “enquanto viveres debaixo do meu tecto fazes o que eu mando”, lembrou o pai. Conseguiu um acordo – passaria a ir à das seis e meia e dispensavam-no da do meio-dia, na Misericórdia, com aquele errante final social.

Da Matriz ao campo da bola era uma certa distância e ainda que com tempos sobrepostos, valia toda a diferença.

Junto e atacado, só levou uma. No meio da estrada, depois do som da travagem no areão da berma, viu-lhe os olhos faiscar. – Foste à missa? Nem falou. Ao primeiro biqueiro concluiu que chegara o dia. Da coça.

Hoje, quando derrapa por si adentro e a poeira se levanta, é um camelo direitinho a casa. Percorre o seu deserto e frente a santinhos de pau com olhares de troça, deixa correr o pranto. Mefistófeles apeia-se nas igrejas.

 

Foto: Gui Mohallem

5 comentários em “Coisas da canalha”

  1. Olá @gridoce, Hoje vai esta para o mefistófeles:

    Tu… que nas margens do lago, não escolhes nem sábios nem ricos
    Queres somente que eu Te siga

    Senhor, Tu fixaste os meus olhos, e quiseste meu nome chamar
    E eu deixei o meu barco na praia, e contigo encontrei outro mar (estas são refrão)

    Tu… sabes bem o que tenho, no meu barco, não há ouro nem prata
    Somente as redes… e o meu trabalho

    Tu… necessitas de mim, para render os que estão cansados
    E do meu amor… sinal de esperança

    Tu… pescador de outros lagos, ânsia eterna dos homens que esperam
    Meu bom amigo… muito obrigado

    http://www.youtube.com/watch?v=CnjkmoFQfz0

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