Hoje nem a literatura. Todos os livros neste dia são nós na goela. É dó do escritor que eu sinto, como se o cansaço do seu esforço fosse todo meu e as penas expostas junto às minhas, quase sobrepostas, me amortalhassem mais ainda, e o riso não existisse. Que tortura olhar o texto, montanha minada de silvas, horas e horas sobre um poço onde nunca se mata a sede. Haviam de queimar todos os livros hoje. De agrilhoar todos os escribas agora. E as palavras só deviam ser faladas, para que todos as ouvissem já.
foto Gui Mohallem


Ó su@ agridoce Lima, qué qui vosmicê anda a fazer!!!??? Quem foi qui deu permisso de vosmicê ausentar-se sem um pedido formal!!?? Ou acabamos com as emancipações ou vamos ter chatice! Qué qué isso de deixar os leitores em sobressalto!?
Mau, mau Maria.
Óli, cada tem o seu fado. Tome lá:
http://www.youtube.com/watch?v=FmWmYq9D2 c0
Anómino, seu trauliteiro, sabe lá com que sarna me coço às vezes… Vou-lhe contar:
Por um lado, nem sempre o que pr’aqui escrevo me parece jeitoso mostrar – isto é uma grande desgraça, a escrita, quando teima por-nos as tripas de fora, e há que haver humanidade perante a Humanidade, sabendo que ela contém uns Anónimos como V. Exa., danados de vivos. Ora, nem sempre interessa, nestas horas, tanta vivacidade 🙂
Por outro lado, aceitei um trabalho que é de “sapa” e toma-me as horas vagas. Trata-se de transcrever todos os editoriais (chegam-me em PDF ! esse formato maravilhoso) de uma famosa revista desportiva, pela mão do seu ainda mais famoso presidente, e cuja verve me vai patrocinando algumas gargalhadas sonoras, para não falar na sabedoria que só as velhas raposas têm. São 12 anos de editoriais – vou a meio!
De resto, cá estou, viva e de saúde, esperando sempre por si também, como sabe muito bem.
Deixo-lhe um beijo e vou ouvir o fadinho que é, de Portugal, a minha música de eleição.
Que Língua de trapos, eheh. O que vale é que pode até ser chinês que eu oiço a Amália na mesma…
Então minhas petições foram escutadas. Gostei de saber que lá vai tendo trabalhito; melhores horas virão, não tenha medo (mas virão mesmo)!
Beijinho também para si, e que o fadito cantado em catalão, pela Névoa, lhe eleve a alma.
Xuac!
“Vivemos de palavras. Vamos até à cova com palavras. Submetem-nos, subjugam-nos. Pesam toneladas, têm a espessura de montanhas. São as palavras que nos contêm, são as palavras que nos conduzem.” Raul Brandão – Húmus
É o diacho, SS, como tão bem apanhadas por si essas linhas de Brandão, a dar conta desse facto. Ainda não li o Humus, deve ser outra maravilha, ando com as memórias na sacola. Falta-me agora o Tomo III do I Volume, e perdi (roubaram-me a carteira) um livrinho de bolso, chamado “Se eu pudesse recomeçar a vida…” com alguns textos que, se minha memória funcionasse, eu saberia de cor…
Tenho ainda “Os Pobres”, em versão digital, à minha espera. Mas agora ando a ler o nosso Pedro Correia que nos revela o caminho tortuoso deste Acordo Ortográfico e a burricada em que termina.
Obrigada, SS, por esse bocadinho. Sinto-me menos sozinha 😉 Um abraço e bom domingo!
Belo.
Sempre te salvas, não é, Bandeira? Esqueceu-se a minha dor de ti, da tua pena, que não precisa do alfabeto para coisa nenhuma, nem de som. Ah, iluminada arte, de topo, de topo! Segue, segue lá até ao tasco, sem medo, Sacrista da Sorte 🙂
🙂 E agora? Já não sei qual é mais belo, se o teu post, se o teu comentário
Felizmente as palavras nunca se esgotam. Nem as tuas, que eu sei. E não te esqueças: depois da névoa há sempre uma Avalon. Beijos apalavrados.
Se queres q te seja franca, a névoa é a que espalham tantos à minha volta. E ou te alheias, ou também te agitas, mas depois abates, e ai Jesus, não te mates. Corre Avalon, à nossa frente 🙂
beijo grato!
Pesa até na Literatura – era o sentido dessas linhas 😉