Acta de um almoço regalado


letraspequenas,

 

Foi-se o calor como um turista e Sintra refez-se a reter nuvens, a banhar-se nelas, a cintilar os verdes, a refrescar o ar à amostra do Delito, que almoçou, para variar, em casa da Ana Vidal. Muitas faltas, vê-se, mas é difícil juntar tantas pessoas numa varanda à mesma hora. Conseguiram ir (pela direita), a Ivone, o convidado especial Fernando Antolin, (Leitor/Comentador!), o Zé Maria Pimentel, o Pedro Correia, o Zé Bandeira (procure-se atrás da câmara), o Fernando Sousa, a inesgotável anfitriã, a Ana Cláudia, o Zé Navarro e eu.

 

Sobre a mesa, o cardápio fez corar as pedrinhas das calçadas adjacentes, mas vá, registe-se: Couscous, muito bem temperados, com diversa tralha pelo meio, tudo ingredientes à altura da mais fina sensibilidade gustativa, a par de Batatinhas tralálálá, cozidas e impregnadas de maionese, com rodelas de cenoura e gambas. Mais nem devia um bom cristão dizer, mas seguiu-se Tarte de pêra, Salada de frutas, Éclairs de chocolate e Queijadas da vila, tudo adornado a tinto e branco de boas adegas, licores e ginja caseira, rematando-se num duplo café, a dar então o verbo à dança da graciosa Língua Portuguesa, já que cerejas ninguém levou.

 

Feita uma raspadinha à recente intervenção do Presidente da República, nada nos saiu, até porque o Vale do Paraíso do Zé Navarro e da Ana Vidal – o Texas português – impôs melhores histórias, detendo-nos numa ida Reforma Agrária e nas suas galhofeiras memórias, que a gente moça não, mas de mim para cima todos têm vivas. Nem tugi das minhas em terra de reaccionários (para quê?), e entre o granel de outros assuntos, talvez advindo de um fugaz lamento de que a obra nem sempre é o escritor, que almas belicosas também dão à letra verdadeiras rosas, o insaciável colega Luso-Texano, teve uma ideia luminosa, que oxalá lateje nas meninges do Pedro Correia e paire firme, como a nuvem sobre a Serra, nos corações dos restantes Delituosos. A democrática proposta visa a publicação de um certo texto, em honra dos Leitores, por determinadas e legítimas razões, que asseguro, é generosa. Quase tanto como o repasto que transformou em burgueses esquecidos da vida esta dezena de alegres convivas, até à hora de ir fazer o jantar.

 

Foto Zé Bandeira

21 comentários em “Acta de um almoço regalado”

  1. …” Captei… meu divino mestre” !
    Depois da enumeração do faustoso cardápio,
    as vossas injurias ao Gaspar… são falsas!

    Parabéns e felicidades para todos vós.

  2. Mas que meçoil@s e meçoilos tão trálálá. A minha @gridoce e a minha Aninha tão mesmo bué da bué, sem menosprezar as outras. Vá lá, deixem-se de cenas!
    A @gri mantém a postura gingona.

    Muito bem, já vi que faltaram as cerejas. Um dia destes alguém as manda do Fundão, que são boas.
    Hoje até fiquei cu-movido com esse lugar.
    Vamos a isto @agri!?

    http://www.youtube.com/watch?v=iMtY_Sx3oNo

    Nota: Raul Seixas, de quem Paulo Coelho foi companheiro, também na oposição à ditadura brasileira, e depois em New York, foi um dos expoentes, senão o maior, do rock brasileiro do seu tempo.
    Meu familiar, nasceu em Salvador a 28 de Junho de 1945 e morreu em S. Paulo por overdose (1989/90) – se calhar a overdose terá sido por causa de três casamentos. Isto é dose a mais (esta nota é do autor).
    Raul, contam as crónicas, tinha tanto de inteligente quanto de bondade e de loucura. Afinal de são e de loucos todos temos um pouco.
    Deixo aqui um pequeno tributo: que a Paz te envolva, tu que tanto buscaste a razão da inquietação. Era sede de Infinito, mermão! Pena nunca termos conversado.

    Cum bejinhos prás meçoilas e um abraço aos meçoilos.

        1. Num o planto mais, @gri. Eu táva aqui a fazer um bonito e vosmicê desvia o olhar! Não fosse o da Maia e isto acabava mal.

  3. Não bastaria o almoço ter sido tão perto do céu de Sintra, em companhia que não foi de anjos nem de querubins, mas quase, exluídos os inconvenientes a espécie, que ainda haveríamos ser gratificados com uma prosa destas que só a Gui consegue. Não parece, mas até faz mal – porque não há disto todos os dias?

  4. Olhai os delituosos, todos tão bem.
    E o comentador/leitor/turista acidental tem um costado mais amplo que o ” Bismarck ” …

  5. Regalada fiquei eu de vos ter cá em casa, como sempre.
    Maria Gui, estas tuas prosas sabem melhor do que os petiscos que eu faço! (a propósito, presumo que se devam à superior qualidade dos vinhos as trocas e acrescentos nos ingredientes dos pratos do almoço… 😉 mas isso agora não interessa nada, como diz a outra).

    Venha o próximo, como diz o Pedro, que temos de apertar mais o espaço entre os almoços. Esperando sempre que sejam menos os faltosos da próxima vez…

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