Espírito Natalício


escafandro,

A propósito da pequena irritação do Pedro Correia:

 

É só de vez em quando. Muito de vez em quando. Não mais de três ou quatro vezes por dia. Cinco, no máximo. Pronto, de modo a abranger aqueles dias já não exactamente típicos, que sejam seis. É só quando olho para cima, e nem sempre. O quê? A vontade que me surge de comprar uma caixa de chumbos, pegar na velha pressão de ar que o meu pai me ofereceu quando eu era miúdo e ninguém usa há décadas, e sair por ai atingindo Pais Natais agarrados a fachadas de prédios. Não procuraria atingi-los nas zonas vitais. Não, nada disso. Tentaria posicionar-me de lado e acertar-lhes nos dedos das mãos, de modo a fazê-los cair. Só pelo divertimento – e para ver se as renas apareciam do nada, voando com o trenó atrás, e os salvavam no último instante, como num filme de super-heróis. Seria catita. O ponto alto do meu Natal. Mas é capaz de ser ilegal e assustar as pessoas.


Publicado aqui há cerca de um ano. Devo dizer que, no Porto, este ano parecem ser muito menos. Er… viva a crise?

O frio, o frio…


escafandro,

Ouço as pessoas à minha volta e penso que devia gravá-las. Estou certo de que conseguiria obter excelentes obras vanguardistas, à la Stockausen ou Ligeti. Sinfonia de Tosses e Concerto para Pigarreio e Dois Espirros, por exemplo.

 

(Eu estou bem, obrigado, que tenho bebido muito sumo de laranja.)

Perdidos e achados


escafandro,

Perdi-o durante umas horas, como vai sendo cada vez mais frequente. Começo até a desconfiar que não sou eu a perdê-lo mas ele a fugir-me. Que gosta cada vez menos de mim e vai em busca de melhores ares. Desta feita, encontrei-o encolhido num beco, tremendo de frio e desânimo. Mas não estava só. Havia lá mais dúzia e meia, todos com aspecto de terem sido abandonados ou mesmo escorraçados. Alguns eram corpulentos, a maioria tinha porte reduzido. Em comum, o desânimo e a subnutrição evidentes. Tem sido uma razia, nestes tempos de crise. As pessoas recusam-nos, abandonam-nos ou tratam-nos tão mal que eles fogem (são entes sensíveis, necessitados de atenção regular e incapazes de sobreviver pelos seus próprios meios). Tive pena deles e trouxe-os comigo mas receio ser incapaz de os alimentar. Procurei-lhes identificação, esperando poder devolvê-los aos respectivos donos, mas apenas num dos mais enfezados descobri uma chapinha com as iniciais ‘VG’. Enviei de imediato uma mensagem para o Ministério das Finanças e aguardo resposta. Enquanto escrevo isto, encontram-se no meu quarto. A menos que – o silêncio parece-me excessivo – tenham fugido outra vez, provavelmente liderados pelo meu que, após umas manifestações de prazer por estar de novo em casa, andava fora e dentro com ar cabisbaixo… Não. Fui espreitar e ainda lá estão. Menos mal. Enfim, se algum leitor deste post tiver perdido o seu sentido de humor e o desejar de volta, é favor descrevê-lo que eu tento perceber se é um dos que encontrei. Obrigado.

Trifene 200


escafandro,

O meu avô Carlos era viciado em automedicação. Experimentava tudo ao mais leve sintoma. Ultimamente, por causa das hemorróidas – reais, creio –, andava a tomar Trifene 200. Dizia que os resultados eram espectaculares. O meu pai murmurava: «Só espero que aquilo não tenha efeitos esquisitos. Que não lhe faça crescer as mamas, ou coisa parecida.» A minha mãe encolhia os ombros, suspirava e dizia: «É um analgésico, não lhe faz mal nenhum.» Mas o meu pai não ficava sossegado. «Por alguma razão o publicitam para o que publicitam», resmungava. No fundo, ainda que recusasse admiti-lo, o medo dele era que, em resultado do Trifene 200 e aos setenta e seis anos de idade, depois de uma vida de facadas no matrimónio (que o meu pai não conseguia deixar de invejar), o meu avô se tornasse subitamente homossexual.

 

(Também aqui.)

Ingenuidade e perversão


escafandro,

Em Lolita, Nabokov colocou o professor Humbert Humbert a suspirar: Eu, pelo meu lado, era tão ingénuo como só um pervertido pode ser. Trata-se de uma frase que tantas vezes me parece não fazer qualquer sentido quantas as que me surge cristalinamente óbvia. Esta incapacidade para manter uma posição perturba-me – não por poder expor insuficiências nas minhas capacidades de interpretação do mundo e dos seus coloridos habitantes mas por me fazer recear que, nas ocasiões em que lhe nego o sentido, esteja precisamente a demonstrar uma insuperável ingenuidade.

Da estabilidade


escafandro,

O Pedro Correia realça as diferenças entre Portugal e Espanha no que respeita ao número de governos e primeiros-ministros que cada país teve desde 1977, ano da restauração da democracia em Espanha, e considera que a nossa instabilidade (12 primeiros-ministros contra 6, por exemplo) nos prejudicou. Em princípio, concordo com ele. Parece-me evidente que mudanças frequentes de governo levam, entre outras coisas, a alterações sucessivas de prioridades, a adiamento de reformas, a «dança» de cadeiras nos mais diversos níveis do sector público, à gestão contínua de ciclos eleitorais – tudo elementos que prejudicam o crescimento sustentado da economia. O meu problema com esta tese (com a qual, repito, em princípio concordo) está na realidade portuguesa. Vejamos.

 

Em Portugal, tivemos um período de aproximadamente dez anos (grosso modo, 1975-1985) em que a mudança de governos e primeiros-ministros foi absurdamente elevada, de tal modo que nenhum governo chegou aos três anos de duração. Porém, desde 1985 a situação alterou-se significativamente, tendo apenas seis pessoas ocupado o lugar de primeiro-ministro  (Aníbal Cavaco Silva, António Guterres, José Manuel Durão Barroso, Pedro Santana Lopes, José Sócrates, Pedro Passos Coelho), o que dá uma média de três anos e meio por primeiro-ministro. Se retirarmos o episódio Santana Lopes, a média sobe para cerca de 4 anos. E se retirarmos Passos Coelho, chegado ao poder há seis meses e em relação ao qual não é possível conhecer o tempo de permanência no cargo, a média aproxima-se dos cinco anos (4,75 se fizermos a conta a dezanove anos). Ainda pouco? Talvez, mas de forma nenhuma um resultado escandalosamente baixo e que, na minha opinião, torna difícil poder apontar-se a instabilidade política como factor crucial no percurso do país em direcção ao abismo.

 

E se a matemática pode deixar dúvidas constate-se como, neste quarto de século, não foi por falta de poder formal para implementar reformas que estas ficaram por fazer. Bem ou mal, Cavaco ainda executou algumas (na realidade, bem e mal, dependendo das que considerarmos) mas Guterres (que, não tendo maioria, sempre viu os orçamentos aprovados) nunca teve coragem para avançar com elas e fugiu alertando para o pântano, Durão sofreu ataques de todos os lados assim que começou a falar delas e fugiu para o cargo dourado de Bruxelas e Sócrates (que gozou de uns inusitados dois anos de estado de graça), após algumas promessas iniciais, escolheu o caminho da demagogia e da negação da realidade. Para nenhum destes primeiros-ministros a questão da estabilidade foi crucial. Três tinham maiorias parlamentares, o quarto tinha condições para arriscar muito mais (e caiu por decisão própria, relembre-se, passam amanhã dez anos, nos quais fizemos questão de ignorar raivosamente todos os avisos).  

 

Mais: a realidade portuguesa também já mostrou que os governos ou fazem as reformas logo no início dos mandatos ou já não as fazem. Cavaco reformou pouco na segunda maioria absoluta. Guterres nunca reformou. Durão não reformou de imediato, foi trucidado por lobbies e opinion makers e também já não reformou. Sócrates esboçou algumas reformas nos primeiros tempos e depois avançou para o delírio. Isto sucede porque há interesses instalados (partidários e corporativos) mas também porque os portugueses detestam a mudança, em especial quando tem riscos ou consequências pouco simpáticas a curto prazo. Dar tempo a que a resistência à mudança se organize é um erro que terá menos a ver com a falta de estabilidade dos governos do que com a incapacidade destes para governar bem (para governar efectivamente, no fundo). Desde logo, é confrangedora a falta de preparação que muitos revelam ao tomar posse. (Como é possível que todos se mostrem surpreendidos com a situação encontrada? Por que continuam os partidos da oposição a recusar-se a organizar gabinetes-sombra? Por que parecem os partidos da oposição ter dificuldade em obter dados sobre mil e uma situações? O que está errado no sistema de estatísticas oficiais para que nem eles nem o governo possuam elementos concretos sobre outras tantas?) Mas sejam quais forem os motivos que levam os governos a adiar e depois a esquecer as reformas, a verdade é que estas não ocorrem após os primeiros tempos. E assim, no limite e de forma não totalmente irónica, pode até dizer-se que a estabilidade dos governos acaba por se revelar negativa – quanto mais duram, mais aumenta a probabilidade de nada ser feito e mais se adia nova hipótese de alguma coisa ser feita.

(Nota acessória: é por isso fundamental que o actual, que continua com um discurso globalmente correcto, não adie durante mais tempo as reformas que se comprometeu a fazer.)

 

Parece-me também que mais importante para o percurso do país do que governos (mais) duradouros teria sido (e ainda é) a estabilidade nas posições dos partidos e a capacidade destes em realizar entendimentos. Os partidos do arco governativo (os outros contam pouco, uma vez que se auto-excluem de quaisquer soluções moderadas) não podem (enfim, não deviam) inverter as suas posições sobre um mesmo assunto consoante estão no governo ou na oposição. Isso permitiria obter acordos sobre algumas das áreas a reformar, levando a que nem tudo fosse posto em causa após uma mudança governativa. A demagogia e os interesses têm-no impedido, não a instabilidade política.

 

Pelo que não me parece que, seja qual for o ponto a partir do qual analisemos a questão, a falta de estabilidade governativa tenha a) sido assim tão real (desde 1985, note-se) e b) desempenhado um papel assim tão significativo no descalabro português. Pelo contrário: sinto até dificuldade em afastar a ideia de que a teimosia decorrente de governos com demasiado poder durante demasiado tempo foi muito mais relevante. A frase de Lord Acton é conhecida: o poder tende a corromper, o poder absoluto corrompe absolutamente. Num país com gente pouco interessada nas opiniões alheias, sem instituições verdadeiramente capazes de agir como contrapeso e em que tudo depende do governo, o poder corrompe depressa e a tendência para a teimosia e para o abuso é enorme. Sucedeu assim nos anos de Cavaco, sucedeu assim nos anos de Guterres (talvez um pouco menos, por uma questão de estilo pessoal e porque não existia nem maioria absoluta nem, até à última fase, crise económica), sucedeu assim (com elevação a um altíssimo expoente) nos anos de Sócrates. Ou seja: as putativas vantagens da estabilidade foram parcial ou totalmente aniquiladas pelo facto de vários governos se terem aproveitado dela para ignorar avisos e implementar políticas suicidárias.

  

E pronto, já chega. É mais ou menos por isto que, se em abstracto concordo com o Pedro, em concreto talvez não.

Imagem retirada daqui.

Procurando terminologia adequada aos tempos actuais


escafandro,

(latim abjectio, -onis, abatimento, desânimo, supressão)

s. f.

Estado de excessiva baixeza moral.

 

O meu problema está na forma pouco esclarecedora como o Priberam define «excessiva».

 

A propósito disto. Depois do chefe ter dado o pontapé de saída, lá a partir de Paris, eles começam a revelar-se. As contorções de Zorrinho, em directo no noticiário das 8 horas da TSF, foram tão patéticas que quase me inspiraram compaixão. Quase.

Duas piadas acabadinhas de inventar a que só pessoas de má índole acharão graça


escafandro,

Encolhido num vão de escadas, respirando com dificuldade, tossindo sangue, o sem-abrigo mete a mão no bolso e soma o valor da meia dúzia de moedas que de lá retira. Depois olha para o filho de seis anos que treme de frio abraçado a um escanzelado cão sarnento e murmura: «Só espero que o Passos Coelho permaneça firme e não aceite a sugestão do Cavaco para reintroduzir o imposto sobre sucessões.»

 

Um político, o administrador de um instituto público e um consultor de imagem conversam enquanto atravessam um jardim. Na cabeça de um cão deitado na relva, uma pulga resmunga para uma carraça: «Detesto parasitas.»

A força e a estupidez


escafandro,

Por duas vezes durante o século XX os alemães usaram a força. Da primeira vez, para além de inveja dos impérios alheios, tinham medo da Rússia e jogaram na antecipação. Da segunda tinham sede de vingança e um psicopata na chefia do governo. Mas quem usa a força e perde fica mal visto (ganhando, é raro). Agora os alemães têm grande parte da Europa subjugada. Não porque tenham usado a força. Não por impulsos expansionistas. Não por serem liderados por um psicopata (embora haja quem esteja perto de o afirmar). Os alemães têm grande parte da Europa subjugada porque fizeram algo mais do que suficiente perante países como os do Sul: mantiveram um módico de inteligência e determinação. Souberam fazer contas, potenciar (ou – e já não é pouco – evitar prejudicar) as exportações numa economia globalizada, manter-se dentro de limites não escandalosos de défice e de dívida (pelo menos, não escandalosos para uma economia com o potencial de recuperação da deles e que teve de pagar a reunificação)*. Deve ser por isso que tantos alemães ainda não perceberam qual foi o seu erro, porque são acusados de insensibilidade e de destruírem o «projecto europeu», eles que até tiveram dos menores aumentos salariais na Europa nos últimos quinze anos. E deve ser por isso que nos dói tanto. Eles subjugaram-nos (desta feita quase sem o desejarem) usando a nossa estupidez. Seria mais fácil de encaixar se tivessem usado a força.

 

Evidentemente, a ironia é que nem com todas as suas cautelas eles vão escapar incólumes. Ou pagam (mais salvaguarda, menos salvaguarda que qualquer Sócrates versão 2.0 ou Zapatero versão 2.0 ou Berlusconi versão 2.0 ignorará olimpicamente), aceitando desse modo submeter-se à lógica de sempre dos países do Sul (prioridades erradas, indisciplina orçamental, desvalorização, inflação), ou, por incrível que pareça, serão vistos como o país que, pela terceira vez em cem anos, destruiu a Europa. E isto mostra que talvez não tenham sido afinal assim tão inteligentes. Já dizia a minha avó, morta e enterrada sem uma dívida ainda nem se falava do euro: devemos dar-nos bem com toda a gente mas é preciso saber quem se mete em casa. Eis o vosso erro, alemães.

 


* Tem algum interesse (bom, eu acho) constatar como, na sequência da crise do subprime, Merkel, essa megera incompetente, conseguiu manter o défice em valores similares aos que Schröder tinha autorizado, sem subprime, antes de ela chegar ao poder (os socialistas, os socialistas…). Já agora, comparar com os nossos dados (segundo creio, o termo técnico é «descalabro completo»).

Há apenas uma Kate no Reino Unido e o seu apelido não é Middleton nem Moss


escafandro,

 

Gostava de discorrer sobre o último álbum de Kate Bush, 50 Words for Snow, um conjunto de sete temas invernosos (mas quentes) entre os quase sete e os mais de treze minutos de duração, nos quais toda a genialidade de Kate mas também todas as suas idiossincrasias, toda a sua indiferença perante as modas e os riscos de parecer ridícula, se encontram bem evidentes. Gostava de discorrer sobre o último álbum de Kate Bush mas alguém que um dia escreveu isto não pode fazê-lo de forma minimamente digna de crédito. E, assim sendo, limito-me a deixar aqui excertos de duas canções (que eu saiba, ela não lançou vídeos de qualquer tema completo, o que se entende considerando a duração destes) e a dizer-vos que é um álbum excelente para ouvir num ambiente quentinho, num bom sistema de som, com chuva (à falta de neve) a cair lá fora.

 

Afinal o melhor ataque é a defesa


escafandro,

José Alberto Carvalho, há minutos, no Jornal da TVI: «Nas últimas horas, os mercados voltaram a atacar. Os juros da dívida pública portuguesa bateram novos máximos e Espanha e França também foram atingidas. Espanha foi ao mercado financiar-se e pagou os juros mais altos desde a entrada do país na moeda única.»

Portanto: os países «vão aos mercados» mas estes é que «atacam»? Devo estar a ver mal a mecânica da coisa porque, assim de repente, parece-me que «os mercados» se defendem. Ou, no limite, que contra-atacam.

Duas notas semi-irónicas sobre um par de escritores portugueses


escafandro,
Só li um livro de Vasco Graça Moura, O Enigma de Zulmira, e ando a tentar comprar menos livros. Mas, numa livraria, não resisto a folhear Os Desmandos de Violante, acabado de editar. (Ele gosta de mulheres problemáticas, não gosta? Bom, quem não gosta, pelo menos durante um tempo? Assumindo, claro, que «mulheres problemáticas» não constitui redundância…) É a minha faceta malévola que me leva a fazê-lo. A faceta que me segreda: não seria irónico que estivesse em ‘acordês’?

(Não está. Talvez ainda o compre.)

 

Vejo a capa de Short Movies e solto um suspiro de alívio que se ouve do lado oposto da livraria. Começava a ficar preocupado com a possibilidade de Gonçalo M. Tavares não lançar pelo menos um livro neste Natal.

(E afinal vão ser dois. O mundo não anda assim tão estranho.)

Ignorando o populismo da coisa, sempre é uma evolução


escafandro,
Antes quase não se discutiam decisões governamentais de centenas de milhões de euros com impacto ao longo de décadas. Agora discutem-se ferozmente alugueres operacionais de viaturas de oitenta e seis mil euros. Proclama-se que deviam ser anulados. Apesar de resultarem de contratos assinados pelo anterior governo, culpa-se o actual. O Ministro (que se enreda ao procurar explicar-se; note-se como Zorrinho preserva o orgulhoso silêncio que tão bem resulta por cá) devia demitir-se ou, no mínimo, voltar a andar de scooter (não está claro se poderia manter o motorista mas provavelmente Mota Soares preferiria guiar a ter de seguir abraçado a ele). Fazendo voo rasante sobre o pormenor de que, a começarmos a anular contratos, a posição correcta deste seria a uns dois quarteirões do início da fila (ah, os das PPP e os do sector energético e outros igualmente insignificantes…), percebe-se a comoção: uma coisa é investimento, ainda que direccionado para empresas amigas e catastrófico para as contas públicas; outra coisa são luxos. E oitenta e seis mil euros acaba por ser um valor muito mais ao alcance da compreensão da maioria das pessoas.

 

Girls (bom, não verdadeiramente; desculpem lá)


escafandro,

 

Dois rapazes de São Francisco que se autodenominam raparigas e cantam sobre rapazes sonhando com raparigas. Estranho? Mesmo nada quando se sabe que a história de um deles inclui, graças à mãe, passagem por um culto radical, deambulações pela Ásia e Europa enquanto criança e nunca ter pisado uma sala de aula. Hoje na Discoteca Lux, em Lisboa, amanhã na sala 2 da Casa da Música, no Porto. Claramente, têm um fraquinho por ícones da indústria automóvel americana.