Encolhido num vão de escadas, respirando com dificuldade, tossindo sangue, o sem-abrigo mete a mão no bolso e soma o valor da meia dúzia de moedas que de lá retira. Depois olha para o filho de seis anos que treme de frio abraçado a um escanzelado cão sarnento e murmura: «Só espero que o Passos Coelho permaneça firme e não aceite a sugestão do Cavaco para reintroduzir o imposto sobre sucessões.»
Um político, o administrador de um instituto público e um consultor de imagem conversam enquanto atravessam um jardim. Na cabeça de um cão deitado na relva, uma pulga resmunga para uma carraça: «Detesto parasitas.»

Pois… no caso da primeira piada… só se o puto tivesse de pagar imposto, por suceder ao pai na indigência…
no caso da segunda piada… fico sem perceber se o consultor de imagem, é personalizado pela pulga, se pelo cão, quanto ao administrador do IP… isso não ficam dúvidas; é a carraça!
Um consultor de imagem, como qualquer consultor, é uma espécie de pulga, não?
😉
É como o “The Road” mas num trilho manhoso da Beira Alta.
Ei, eu nasci na Beira Alta!
E ficaria extremamente lisongeado pela comparação ao “The Road” (o livro, que ando a evitar ver o filme, apesar de já o ter comprado em DVD) se não se tratasse claramente de um ligeiro exagero da sua parte.
Confesso que achei alguma piada à segunda…
Tsk, tsk… Bom, menos mal. Achar piada à primeira seria indício de um espírito muito mais perturbado.
Já agora:
Um cego entra na cozinha e pega num ralador de queijo. Decorridos uns segundos, pergunta: «Mas quem é que escreveu esta merda?»
Hmmm, é melhor ficarmos por aqui ou ainda chegamos à conclusão de que tem mesmo um espírito muito perturbado, Cristina.
Estas duas estórias têm uma só personagem real em comum: um cão.
O resto é tudo ficção não é?
Err, ainda bem que coloca essa questão, José, porque me permite esclarecer um ponto (bolas, pareço um político):
Ambas as situações, bem como TODAS as personagens, são inteiramente ficcionais, produto da imaginação do autor e sem qualquer relação com a realidade presente, passada ou futura.
E mais uma coisa: nenhum animal foi maltratado durante a elaboração destas histórias.
Nem o político?
Está tudo no comunicado anterior; não faço mais comentários. (Raios, pareço mesmo um político.)
Prepara-se mais um assalto à poupança das pessoas?
O sem abrigo diria assim: “detesto” quem votou na Dívida e no Défice.
Ele próprio pois foram os pobres e a classe média deste país que elegeu os políticos que nos Governaram nestes quase 40 anos incluindo o dito Cavaco que apoiou 25% da Dívida de Sócrates.
Diabos, isto era mesmo só um par de piadas, lucklucky . Mas olhe que o sem-abrigo até foi um empresário de sucesso, possuidor de uma gráfica fornecedora de impressos ao Ministério das Finanças, uma ex-mulher que lhe ficou com quase todo o património, o qual foi destruído pelo novo marido, antes de ela falecer num acidente, do que resultou a criança ter sido entregue ao pai que, por causa de um problema de saúde, foi obrigado a deixar o comando da empresa durante uns meses, o que a levou a afundar-se, em especial por causa das dívidas fiscais (o Ministério não lhe pagava os impressos mas exigia os impostos), a que se seguiu ele perder mesmo tudo e ser obrigado a dormir nas ruas com o filho, onde apanhou três pneumonias simultâneas (bom, digamos seguidas para o relato ser inteiramente realista). É neste momento da sua vida que o encontramos.
Ok.
Gostei, jaa, muito bem. Micro-ficção: um poder que invejo.
Obrigado, Laura. Eu gostava de ter o poder (ou o fôlego) para me atrever a coisas mais longas.
Já tens, não precisas.
Obrigadíssimo, és muito simpática* mas eu referia-me a coisas com centenas ou mesmo milhares de páginas. Assim tipo ‘Guerra e Paz’.
* Às vezes…
jaa, jaa… não sei a que te referes…