Perdi-o durante umas horas, como vai sendo cada vez mais frequente. Começo até a desconfiar que não sou eu a perdê-lo mas ele a fugir-me. Que gosta cada vez menos de mim e vai em busca de melhores ares. Desta feita, encontrei-o encolhido num beco, tremendo de frio e desânimo. Mas não estava só. Havia lá mais dúzia e meia, todos com aspecto de terem sido abandonados ou mesmo escorraçados. Alguns eram corpulentos, a maioria tinha porte reduzido. Em comum, o desânimo e a subnutrição evidentes. Tem sido uma razia, nestes tempos de crise. As pessoas recusam-nos, abandonam-nos ou tratam-nos tão mal que eles fogem (são entes sensíveis, necessitados de atenção regular e incapazes de sobreviver pelos seus próprios meios). Tive pena deles e trouxe-os comigo mas receio ser incapaz de os alimentar. Procurei-lhes identificação, esperando poder devolvê-los aos respectivos donos, mas apenas num dos mais enfezados descobri uma chapinha com as iniciais ‘VG’. Enviei de imediato uma mensagem para o Ministério das Finanças e aguardo resposta. Enquanto escrevo isto, encontram-se no meu quarto. A menos que – o silêncio parece-me excessivo – tenham fugido outra vez, provavelmente liderados pelo meu que, após umas manifestações de prazer por estar de novo em casa, andava fora e dentro com ar cabisbaixo… Não. Fui espreitar e ainda lá estão. Menos mal. Enfim, se algum leitor deste post tiver perdido o seu sentido de humor e o desejar de volta, é favor descrevê-lo que eu tento perceber se é um dos que encontrei. Obrigado.
Perdidos e achados
escafandro,

Muitos caçadores têm abandonado os seus. As novas portagens, o preço das licenças e dos combustíveis, etc. Muitas vezes é por estarem gastos e velhos … os sentidos de humor, claro!
Pois, é um bocadinho o caso de meu…
Por falar em caçadores, agora que estamos a chegar ao fim da época de caça será adequado lembrar que há muitos que também abandonam os cães – acto ainda mais grave do que abandonar o sentido de humor…
(Bolas, já escapou outra vez.)
O meu não foi de certeza! Encontra-se aqui ao pé de mim a dar-me safanões para que eu escreva uma asneira neste comentário. E eu a resistir, a resistir…
Não resista, José. Faça-lhe a vontade. O que seria de nós sem as asneiras? (Para aí uma Suiça com sol e praia…)
Ah! Que saudades! Vou roubar e partilhar. Grata por este bocadinho. 🙂 Feliz e bem humorado Natal!
Obrigado, Ana. Igualmente.
Podes sempre ouvir umas declarações do Tozé Seguro…
E achas que ele alguma vez teve um?