Perdidos e achados


escafandro,

Perdi-o durante umas horas, como vai sendo cada vez mais frequente. Começo até a desconfiar que não sou eu a perdê-lo mas ele a fugir-me. Que gosta cada vez menos de mim e vai em busca de melhores ares. Desta feita, encontrei-o encolhido num beco, tremendo de frio e desânimo. Mas não estava só. Havia lá mais dúzia e meia, todos com aspecto de terem sido abandonados ou mesmo escorraçados. Alguns eram corpulentos, a maioria tinha porte reduzido. Em comum, o desânimo e a subnutrição evidentes. Tem sido uma razia, nestes tempos de crise. As pessoas recusam-nos, abandonam-nos ou tratam-nos tão mal que eles fogem (são entes sensíveis, necessitados de atenção regular e incapazes de sobreviver pelos seus próprios meios). Tive pena deles e trouxe-os comigo mas receio ser incapaz de os alimentar. Procurei-lhes identificação, esperando poder devolvê-los aos respectivos donos, mas apenas num dos mais enfezados descobri uma chapinha com as iniciais ‘VG’. Enviei de imediato uma mensagem para o Ministério das Finanças e aguardo resposta. Enquanto escrevo isto, encontram-se no meu quarto. A menos que – o silêncio parece-me excessivo – tenham fugido outra vez, provavelmente liderados pelo meu que, após umas manifestações de prazer por estar de novo em casa, andava fora e dentro com ar cabisbaixo… Não. Fui espreitar e ainda lá estão. Menos mal. Enfim, se algum leitor deste post tiver perdido o seu sentido de humor e o desejar de volta, é favor descrevê-lo que eu tento perceber se é um dos que encontrei. Obrigado.

8 comentários em “Perdidos e achados”

    1. Pois, é um bocadinho o caso de meu…

      Por falar em caçadores, agora que estamos a chegar ao fim da época de caça será adequado lembrar que há muitos que também abandonam os cães – acto ainda mais grave do que abandonar o sentido de humor…

      (Bolas, já escapou outra vez.)

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