Preguiça – 180 dias;
Beluga – 330 dias;
Golfinho nariz-de-garrafa – 365 dias;
Jumento – 365 dias;
Anta – 399 dias;
Camelo 440 dias;
Girafa – 450 dias;
Rinoceronte – 560 dias;
Elefante africano – 720 dias;
Preguiça – 180 dias;
Beluga – 330 dias;
Golfinho nariz-de-garrafa – 365 dias;
Jumento – 365 dias;
Anta – 399 dias;
Camelo 440 dias;
Girafa – 450 dias;
Rinoceronte – 560 dias;
Elefante africano – 720 dias;
Percebo na saudade e na nostalgia contornos diferentes. Sinto que não se sobrepõem. Tocar-se-ão, talvez. Faltam-me, admito, certezas. Dessas que os linguistas nos propõem em troca dos nossos sentimentos. Sem que percebam que os sentimentos transbordam exactamente ali onde nos são escassas as palavras. Tenho apenas conclusões provisórias. Toscas e imperfeitas. Como são sempre as palavras e as conclusões. Umas eternamente aquém dos sentimentos, outras incompletas de pressupostos. Saudade e nostalgia estão escritas, isso parece-me certo, no capítulo das ausências. Mas, há ausências que desaguam na saudade e outras que se refugiam na nostalgia. A saudade vai bem, parece-me, com as ruínas e os alicerces. Se não me engano, é do signo do ter. Para se ter saudade tem de se ter. Ou de se ter tido. Se ainda temos algo ou alguém que momentaneamente está ausente temos saudade. Há algo em construção, alicerces de uma obra maior que queremos continuar a erigir. Se tivemos e já não temos, temos saudade construída sobre as ruínas que ficaram. Se for assim, descubro na saudade uma esperança que deve ter andado sempre por ali, mas de que nunca me tinha apercebido. Há tanta esperança como angústia quando se tem algo ou alguém que não temos connosco. Esperança no reencontro. Hoje, amanhã. Numa manhã. E a angústia de perder. De não reencontrar. E, quando se teve e já não se tem, há ainda aí uma outra forma de esperança. A esperança do passado. A que também chamamos memória quando esta nos aquece e reconforta. E a angústia do passado que, sendo também memória, melhor dizemos dor. Não há saudade sem ter ou sem se ter tido. Mas, pode haver nostalgia. Porque esta é do signo do ser. A nostalgia é, antes de mais, a ressaca das grandes ausências. Do que nunca foi ou do que, tendo sido, se ausentou de forma irreversível, não deixando sequer ruínas, uma fachada se não for pedir muito, onde possamos ancorar uma possibilidade, ainda que remota, de reconstrução. A saudade que sinto vive da memória do abraço do meu pai. A nostalgia, essa pressinto-a nos grandes espaços desertos dos momentos que nunca fomos e que, como pai e filho, devíamos ter sido.
O que pode Passos Coelho fazer? Promover o crescimento, dizem alguns enquanto põem uma velinha a São Paul Krugman. Estimular a economia, gritam outros enquanto beijam a medalhinha de São Krugman que trazem ao peito. Adoptar medidas anti-ciclicas, berram aqueles que, de joelhos, se dirigem para a capelinha das aparições de São Krugman em pleno New York Times. Pois vai-se a ver e o próprio santinho milagreiro não anda muito convencido disso. De acordo com um post fresquinho, o todo poderoso e omnisciente acaba de comunicar aos devotos que aos países periféricos da Zona Euro que se arrastam em lenta agonia restam as seguintes soluções:
Ah, paizinho Krugman também refere que não vê balas mágicas ou soluçõezinhas milagreiras. Rotundazinhas e pontezinhas, investimentozinho do Estado que era tão bom, viste-o nem eu. Agora ide, fieis discípulos do santinho. Ide ler. E orai e fazei penitência se a tanto vos sentirdes obrigados.
A noticia provoca choque e indignação. António Nunes Coelho vivia na Bélgica há 12 anos. Em Novembro de 2011, sofreu um ataque cardíaco quando estava a trabalhar ilegalmente numa obra. Por indicação do responsável foi colocado, como um animal, no chão de uma furgoneta e acabou por ser abandonado numa ruela deserta de Bruxelas. Sabe-se agora que ainda estava vivo quando foi abandonado. E que os responsáveis pelo abandono tentaram aliciar a viúva para que permanecesse silenciosa. Uma historia sórdida de seres humanos que exploram seres humanos e de desprezo pelos princípios básicos da dignidade e da solidariedade. A noticia, tal como o Público ou o Diário de Noticias a escrevem, tem pormenores abundantes que vão desde a marca da furgoneta ao nome das empresas para as quais António trabalhou. Da mesma maneira, não faltam alusões aos locais onde os factos ocorreram e a indicação da nacionalidades dos envolvidos. Bem, na verdade não de todos. Ricas em detalhes, tais noticias não revelam todavia a nacionalidade dos autores do crime. Pois bem, o dono da empresa EG Batineuf que empregava ilegalmente António quando este sofreu o ataque cardíaco chama-se Victor Correia Narciso. Português. E este Victor Narciso envolve no assunto Carlos Pinto da Silva, fornecedor de mão-de-obra. Português. Terão sido estes cidadãos portugueses os responsáveis pelo transporte de António, como um animal, no chão da carrinha e pelo seu abandono quando ainda estava vivo. Tenho muita dificuldade em entender a relevância da nacionalidade na descrição de crimes. Fazem-me confusão as noticias que referem “brasileiro assalta Ourivesaria Correia” ou “romeno desvia papo seco na Lanchonete do Martins”. Todavia, custa-me ainda mais a perceber as noticias em que a nacionalidade portuguesa da vitima fica sublinhada e em que se omite a nacionalidade portuguesa dos criminosos.

O cidadão comum tem um evidente preconceito contra os deputados. Que o Lello usa o computador em plenário para fazer palavras cruzadas, que o outro passa a vida no Facebook e por aí fora. Quem nunca teve tal pensamento que atire uma pedra pequenina ao João Soares para ver se ele acorda. Acontece que não gosto de pactuar com injustiças e generalizações. E algumas ideias feitas não correspondem à verdade. Por exemplo, sabe-se que José Lello é incapaz de fazer palavras cruzadas. Não consegue, pronto. Da mesma maneira, também é falso que os deputados sejam imbatíveis em assuntos que metem água. Vejamos. Um deputado do PS sugeriu que nas reuniões da Comissão de Ambiente e Maisnãoseioquê passe a utilizar-se água da torneira. Feitas as contas, o Conselho de Administração da AR chegou à conclusão que isso fica 30 vezes mais caro do que beber água engarrafada. O custo acrescido está relacionado com a compra de jarros e com os encargos com o pessoal necessário para tratar dos ditos. Aparentemente, a administração do condomínio da AR acredita que as garrafas têm pernas. Que não é preciso encomendá-las, recebê-las, armazená-las, distribuí-las ou encaminhá-las depois de usadas pois que, para essas operações, não contabilizou qualquer custo. Mas, mais do que desconhecer o princípio da inércia definitiva, estrutural e insuperável da água engarrafada, tendo a afirmar que os deputados nem sequer a sabem reconhecer. Na verdade, no dito estudo afirma-se que a Comissão de Coiso e Maisnãoseioquê gasta, por mês, 259,20€ em água engarrafada. A Comissão é composta pelos deputados que estão na imagem. Assim a olho, conto para aí uns 30. De acordo com o site do Parlamento, a Comissão reúne coisa de 5 vezes por mês. Admitamos um custo de 0,20€ por cada garrafa de 33cl. Noves fora, teríamos então um consumo médio por deputado e reunião de 8,64 litros de água. É humanamente impossível. Nem um deputado consegue meter tanta água. Concluo que os representantes da Nação estão a ser enganados. Tendo em conta o preço, o líquido que bebem só pode ser daquele que é engarrafado nas Caves da Bairrada. Se pensarmos bem, faz sentido. Só isso poderá explicar o ambiente que se vive no país.
Woman in red
1 – Marcelo Rebelo de Sousa critica “tiro ao Cavaco que até vem das tias de Cascais”.
O Massacre dos Inocentes (2ª versão) – Peter Paul Rubens
Há na inocência uma fragilidade de princípio. Os infractores premeditados planeiam a acção e a forma de se eximirem à responsabilidade. Dominam as técnicas da ocultação e praticam com proficiência a narrativa do alibi. Os inocentes, por seu lado, não estão em condições de preparar a sua defesa por antecipação. Nem apresentam, em tantas ocasiões, especial destreza na arte de encadear os factos com coerência. Por vezes, resta-lhes a verdade. Pode não ser suficiente.
Um dos erros mais frequentes e mais graves de qualquer político é a perda de contacto com a realidade. O governo de Passos Coelho foi dando alguns sinais preocupantes a esse nível. O discurso da emigração ou da pieguice foram manifestações que indiciaram algum isolamento e falta, pelo menos, de sensibilidade perante as situações aflitivas que muitos portugueses enfrentam. Por isso, a imagem de um primeiro-ministro que não teme as manifestações de descontentamento, que não ilude o contacto pessoal com os manifestantes e que, apesar da hostilidade latente, insiste em falar com eles, ouve-os e procura transmitir-lhes a sua visão das dificuldades e dos caminhos constitui uma boa notícia. Claro que não faltarão aqueles que procurarão salientar que a atitude de Passos Coelho não é mais do que uma operação de marketing e que este apenas aproveitou uma oportunidade para promover a sua imagem pessoal. Talvez seja assim. Mas, o certo é que outros tiveram essa possibilidade e não tiveram a dose de coragem pessoal e de humildade necessária para estar no meio de manifestações desse tipo. E, já agora, fosse qual fosse a motivação, o certo é que pareceu um acto genuíno que ficou muito bem ao primeiro-ministro.
D. Manuel Monteiro de Castro, o novo cardeal português, entende que “a mulher deve poder ficar em casa, ou, se trabalhar fora, num horário reduzido, de maneira que possa aplicar-se naquilo em que a sua função é essencial, que é a educação dos filhos”. É de homem. Das cavernas, benza-o Deus. Desde logo, é lamentável que transpareça do discurso uma visão funcional das mulheres. Se bem a conheço, a visão oficial da Igreja Católica apela à integridade ontológica, independentemente de qualquer função. É nessa perspectiva que se entende, por exemplo, a defesa da proibição do aborto. Entendamo-nos. O lugar das mulheres é onde elas quiserem, mesmo que não sirvam para nada ali onde estiverem. O mesmo se aplica aos homens. Sendo que, no caso destes, a probabilidade de não servirem para nada seja lá onde for é bem maior. Tal como a de fazerem ou dizerem asneira. Depois, as palavras de D. Manuel são incompreensivelmente redutoras. Existem tantas funções essenciais para as mulheres em casa, no escritório, na praia ou no campismo que os dois mil e tal anos de história da Igreja Católica não foram suficientes para as enumerar, quanto mais para as perceber. Mesmo admitindo que uma dessas funções não é dizer missa. Mas, para além disso, esta intervenção é profundamente discriminatória. Na verdade, não admito a D. Manuel que me exclua da possibilidade de, a ficar alguém em casa a educar os meus filhos, ser eu próprio a fazê-lo. Pode um ser humano ter uma visão do Paraíso? Acho que sim. No meu caso, passar os dias com os meus filhos, brincar com eles, ajudá-los, ensinar-lhes o pouco que sei, aprender com eles, zangar-me e logo correr a abraçá-los, rirmos e chorarmos juntos, tudo isto me parece a antecipação do Céu em plena Terra. Digo que não tem comparação, não desfazendo, com a função de Cardeal ou de Penitenciário-mor da Santa Sé. Melhor, só mesmo se a minha mulher pudesse estar em casa connosco. Mas isso, de tão bom, tão bom, talvez já fosse pecado. Por isso, espero que D. Manuel, ungido pelo Espírito Santo, possa um dia ver a luz que o ajude a despir-se, em bom recato se a isso a Providência ajudar, do preconceito que a vontade de Deus o fez exteriorizar. Até lá, resta-lhe enfiar o barrete. Cardinalício.
Em finais de 2002 tornei-me gerente de uma sociedade. Nunca participei em qualquer acto de gestão. A situação constitui uma mera gerência de direito (ou de favor). Em Mar/2003, renunciei à dita gerência de direito. Antes dessa data não tive qualquer ligação efectiva à sociedade. Depois, perdi-lhe completamente o rasto. Em Dez/2009, as Finanças notificaram a intenção de me responsabilizar por dívidas da sociedade (reversão relativa ao período de 2003 a 2006 – cerca de 20.000€). Apresentei defesa. Em Fev/2010 fui notificado de que a reversão tinha sido decretada. Qualquer acto da Administração deve ser fundamentado e ter em conta os argumentos apresentados pelo contribuinte. Essa obrigação tem ainda mais pertinência quando, como era o caso, o ónus da prova é da Administração. O despacho em causa não estava fundamentado nem se pronunciava sobre nenhum dos pontos que tinha invocado. Perante tal decisão, apresentei em Fev/2010 uma Oposição à Execução no Tribunal competente. Nestes processos, o Estado pode penhorar de imediato o contribuinte. A única maneira de paralisar a penhora é apresentar uma garantia (caução, etc.). A prestação de garantia exige que o contribuinte tenha recursos no valor da quantia em execução e implica custos (comissões bancárias, etc.). Não prestei qualquer garantia. A penhora ocorreu 14 meses depois. A situação era tão simples que o Juiz entendeu prescindir da audição de testemunhas e nem sequer proferiu sentença formal. O caso foi decidido no saneador (peça preliminar do processo). A decisão foi-me favorável. Mesmo assim, o Tribunal demorou mais de 18 meses a pronunciar-se. A decisão transitou em julgado em Nov/2011. Apesar de todas as tentativas que fiz, o meu salário de Novembro ainda foi penhorado. Mais, em início de Dezembro, recebi uma notificação em que o Fisco informava que o valor da penhora do meu salário seria duplicado. Passei o mês de Dezembro em contacto com as Finanças para que fosse levantada a penhora inicial e a nova penhora. Contactada, a Senhora representante da Fazenda Pública informou-me, com fleuma e circunstância, de que tudo seria tratado a seu tempo. In extremis, o salário de Dezembro salvou-se. Elaborei todas as peças processuais. Caso contrário, teria despendido com advogados, no mínimo, 5.000€. Mais de 300€ de custas não serão devolvidos. O Estado tem ainda em seu poder mais de 4.000€ correspondentes às penhoras efectuadas. Não sei quando serão devolvidos. Estes valores poderiam ter sido a diferença entre pagar ou não o crédito ou a renda da habitação, o empréstimo automóvel, a escola dos filhos ou comprar bens alimentares. Felizmente, não foram. Este meu caso não é, certamente, dos mais graves em termos de valor, demora, ou padrão de actuação. Mas dá que pensar. É a esta Administração Fiscal e a esta Justiça Tributária que estão a entregar novos poderes?
Excelente proposta do Crooked Timber aqui. O jogador coloca-se na posição de alguém que tem de propor uma solução para a Grécia. Tem a ajudá-lo um conselheiro chamado Maynard (honi soit qui mal y pense). Ideal para subscritores de manifestos solidários e, em geral, para todos os que pensam que existem caminhos fáceis. Jogue e partilhe a sua experiência e conclusões.
De acordo com A BOLA, o funeral de Whitney Houston será transmitido ao vivo.
A passagem de Sá Pinto a treinador da equipa principal do Sporting pode ser vista como:
a) um murro na mesa
b) um pontapé na crise
c) um murro no estômago
d) um golpe baixo
Responda na caixa de comentário e habilite-se a ganhar uma das seguintes obras: a) Artur Jorge – As Memórias; b) Liedson – A Biografia.
Actualização da lista dos maiores espectáculos ao vivo da história:
Esta notícia do DN é de estalo porque:
a) não contabiliza os custos com papel higiénico, electricidade, água, desgaste dos equipamentos, etc.
b) abre a porta a que se façam contas ao que se poderia poupar ao mês ou ao ano.
c) o DN paga subsídio de refeição a quem redigiu uma notícia destas.
d) vai-se a ver e o subsídio de refeição é pago em dias de tolerância de ponto.
e) todas as anteriores.
f) é de estalo mas por nenhuma das razões anteriores (por favor, desenvolver na caixa de comentários).
g) não é de estalo (por favor, desenvolver na caixa de comentários).