O que pode Passos Coelho fazer? Promover o crescimento, dizem alguns enquanto põem uma velinha a São Paul Krugman. Estimular a economia, gritam outros enquanto beijam a medalhinha de São Krugman que trazem ao peito. Adoptar medidas anti-ciclicas, berram aqueles que, de joelhos, se dirigem para a capelinha das aparições de São Krugman em pleno New York Times. Pois vai-se a ver e o próprio santinho milagreiro não anda muito convencido disso. De acordo com um post fresquinho, o todo poderoso e omnisciente acaba de comunicar aos devotos que aos países periféricos da Zona Euro que se arrastam em lenta agonia restam as seguintes soluções:
- Implorar que a Troika torne as medidas de austeridade menos severas (importa recordar que a tábua quarta dos mandamentos das crendices e mezinhas prescreve que ali onde o mestre escreveu austeridade menos severa não deve o fiel discípulo entender coisa diferente);
- Fazer o que for possível para estimular a competitividade (estimular a competitividade e não qualquer outra coisa – recordo a propósito a já referida tábua quarta), sendo certo que o mestre pensa não se poder fazer grande coisa;
- Esperar que as coisas melhorem aos poucos por via da desvalorização interna (yes, I am afraid he said it again, pelo que os caríssimos apaniguados podem desde já preparar os raminhos para vergastarem as costas) ou que piorem (situação que pode preparar o contexto económico e politico para uma saída do euro).
Ah, paizinho Krugman também refere que não vê balas mágicas ou soluçõezinhas milagreiras. Rotundazinhas e pontezinhas, investimentozinho do Estado que era tão bom, viste-o nem eu. Agora ide, fieis discípulos do santinho. Ide ler. E orai e fazei penitência se a tanto vos sentirdes obrigados.


O que mais choca e muitos dos seguidores de Krugman é que não têm a noção do que ele pretende. Não sabem sequer como a inflação que defende funciona.
Questões de fé.
E levantai os v/ depósitos senão perdem 20%.
Abasteçai a dispensa.
Abandonai o MB, não funcionará.
E não caiais noutra tentação durante os próximos milénios.
O seguro morreu de velho…
A CE foi construída elitisticamente, raros foram os países que fizeram referendos. Os deputados europeus, os comissários, etc, dão ares de incrível pedantismo, completamente desligados da realidade.
Estes anos de CE foram marcados por constantes e ferozes guerras comerciais entre os países… da CE.
A Grécia tem razão quando diz que a maior parte do financiamento aos países do sul foi feito para encravar a nossa economia. (Se calhar contando com a nossa característica corrupção).
Ficamos dependentes do eixo França-Alemanha. Curiosamente, os tais que historicamente só pensam no imperialismo. O nazismo aconteceu há 70 anos, o Napoleão foi há mais, mas pouco em termos históricos.
Por isso não querem que saiamos do EURO, mas querem controlar a nossa economia. Tal como diria Francis Fukuyama, agora as tácticas são mais totalitárias (ou “cognitivistas”: fazer com os nós queiramos aquilo que eles querem que queiramos, e não aquilo que quereríamos), e menos ditatoriais (imposição pura e franca).
Boa forma de construir impérios!
Se há “o mal” no mundo ocidental, ele é europeu e não americano. Foi a França que vendeu armas ao Kadafi e que depois apoiou a revolta para o derrubar, etc.
Se não fosse os EUA, os sérvios tinham matado todos os muçulmanos bósnios, tal como mandaria a sua tradição histórica de servir de tampão ao império Otomano. Foram os EUA que acabaram com o nazismo, e também quem, pelo plano Marchal, apoioaram a reconstrução da alemanha.
Cada vez confio menos na Europa. Era uma ideia gira, mas embandeiraram em arco e perderam as estribeiras. Perante isto posso dizer, agora, “já se previa”.
Tem piada. Se tivesse havido referendo teria dito não. Lembro-me disso.
J. Menezes
A falta de democracia na construção europeia constitui, de facto, um problema estrutural, JMenezes.
Só faz sentido recorrer a Krugman como santo padroeiro quando se quer falar de Europa. Tudo o que ele tem dito, quanto a política económica, é essencialmente do ponto de vista do decisor europeu, não do país periférico. Em coerência, os seus admiradores (nos quais me encontro), apenas apelam aos seus argumentos quando colocam a ênfase nessa perspectiva. Porque a austeridade nem é uma ideia portuguesa.
Exacto, Pedro. Alias o post que cito no texto deixa bem clara a perspectiva sobre a abordagem diferenciada que o Pedro refere.
Quem quiser saber exatamente o que pensa Krugman pode ir ouvi-lo em direto na próxima segunda-feira a partir das 5 da tarde à Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa. Ele estará lá, a receber um doutoramento honoris causa e a botar faladura. Vai ser uma oportunidade única!
Exactamente.