Tome o destino da Grécia nas suas mãos


Rui Rocha,

Excelente proposta do Crooked Timber aqui. O jogador coloca-se na posição de alguém que tem de propor uma solução para a Grécia. Tem a ajudá-lo um conselheiro chamado Maynard (honi soit qui mal y pense). Ideal para subscritores de manifestos solidários e, em geral, para todos os que pensam que existem caminhos fáceis. Jogue e partilhe a sua experiência e conclusões.

10 comentários em “Tome o destino da Grécia nas suas mãos”

  1. Um jogo interessantíssimo, mas tem que ser jogado dentro das alternativas pressupostas (é isto que faz dele um jogo). O que diria o nosso Maynard se a Grécia emitisse títulos sobre a dívida de guerra alemã e os usasse para saldar a sua própria dívida, num prazo definido por si, sem dar aos credores outra opção?

    1. Tema pertinente, sem dúvida. É fundamental a existência do direito (pelo que li, parece que sim) e a sua quantificação. Cohn-Bendit fala de 81.000 milhões de euros:

      http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=538873

      Importa ainda ter presente um empréstimo de 100.000 milhões já concretizado, outro de 130.000 milhões que poderá ocorrer (ou não) e o perdão de dívida que estará incluído nas negociações.

      1. Seria considerado por quem? E com que autoridade? E com que poder? E seria default da Grécia, ou da Alemanha? Pelo povo soberano da Grécia não seria considerado default, com certeza. E pelos credores, depois de estarem com os títulos da dívida alemã nas mãos, também não: estariam demasiado ocupados a tentar cobrá-la.

        1. O meu ponto é o seguinte: a Grécia anunciava a emissão de títulos sobre a dívida de guerra para pagar parte da sua dívida actual. Esses títulos seriam entregues a entidades privadas e/ou às entidades (FMI/BCE/UE) que lhe estão actualmente a emprestar dinheiro. No primeiro caso, não accionariam os credores os CDS? Em ambos, continuaria a Grécia a ter acesso aos fundos de que necessita para não entrar em bancarrota?

          1. Os credores podiam aceitar os títulos ou accionar os CDS, mas não poderiam, obviamente, fazer ambas as coisas. E os títulos não pagariam uma parte da dívida, mas a dívida toda, pelo que a questão da bancarrota não se poria no imediato. Quanto a empréstimos futuros, um potencial credor tem tanto interesse em emprestar como um potencial devedor em pedir emprestado. Ao juro certo, há sempre quem empreste.

            Os juros reflectem o risco (o percepcionado, não o real, que é por natureza impossível de estabelecer com precisão); mas reflectem também outros factores, como a relação de forças no plano político e a avaliação que cada uma das partes faz sobre as intenções da outra. Com a dívida anterior liquidada, e com a ameaça credível de passar a jogar duro, os juros de empréstimos posteriores tenderiam a baixar.

            Não nos podemos esquecer duma coisa (e isto vale também para Portugal): quem empresta quer lucrar. É claro que seria mais seguro emprestar à Alemanha do que à Grécia ou a Portugal, mas com juros negativos lá se vai o lucro.

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