Excelente proposta do Crooked Timber aqui. O jogador coloca-se na posição de alguém que tem de propor uma solução para a Grécia. Tem a ajudá-lo um conselheiro chamado Maynard (honi soit qui mal y pense). Ideal para subscritores de manifestos solidários e, em geral, para todos os que pensam que existem caminhos fáceis. Jogue e partilhe a sua experiência e conclusões.
Tome o destino da Grécia nas suas mãos
Rui Rocha,

Um jogo interessantíssimo, mas tem que ser jogado dentro das alternativas pressupostas (é isto que faz dele um jogo). O que diria o nosso Maynard se a Grécia emitisse títulos sobre a dívida de guerra alemã e os usasse para saldar a sua própria dívida, num prazo definido por si, sem dar aos credores outra opção?
Tema pertinente, sem dúvida. É fundamental a existência do direito (pelo que li, parece que sim) e a sua quantificação. Cohn-Bendit fala de 81.000 milhões de euros:
http://www.jornaldenegocios.pt/home.p hp?template=SHOWNEWS_V2&id=538873
Importa ainda ter presente um empréstimo de 100.000 milhões já concretizado, outro de 130.000 milhões que poderá ocorrer (ou não) e o perdão de dívida que estará incluído nas negociações.
José Luiz: não acha que, na prática, isso seria considerado default?
Seria considerado por quem? E com que autoridade? E com que poder? E seria default da Grécia, ou da Alemanha? Pelo povo soberano da Grécia não seria considerado default, com certeza. E pelos credores, depois de estarem com os títulos da dívida alemã nas mãos, também não: estariam demasiado ocupados a tentar cobrá-la.
O meu ponto é o seguinte: a Grécia anunciava a emissão de títulos sobre a dívida de guerra para pagar parte da sua dívida actual. Esses títulos seriam entregues a entidades privadas e/ou às entidades (FMI/BCE/UE) que lhe estão actualmente a emprestar dinheiro. No primeiro caso, não accionariam os credores os CDS? Em ambos, continuaria a Grécia a ter acesso aos fundos de que necessita para não entrar em bancarrota?
Os credores podiam aceitar os títulos ou accionar os CDS, mas não poderiam, obviamente, fazer ambas as coisas. E os títulos não pagariam uma parte da dívida, mas a dívida toda, pelo que a questão da bancarrota não se poria no imediato. Quanto a empréstimos futuros, um potencial credor tem tanto interesse em emprestar como um potencial devedor em pedir emprestado. Ao juro certo, há sempre quem empreste.
Os juros reflectem o risco (o percepcionado, não o real, que é por natureza impossível de estabelecer com precisão); mas reflectem também outros factores, como a relação de forças no plano político e a avaliação que cada uma das partes faz sobre as intenções da outra. Com a dívida anterior liquidada, e com a ameaça credível de passar a jogar duro, os juros de empréstimos posteriores tenderiam a baixar.
Não nos podemos esquecer duma coisa (e isto vale também para Portugal): quem empresta quer lucrar. É claro que seria mais seguro emprestar à Alemanha do que à Grécia ou a Portugal, mas com juros negativos lá se vai o lucro.
A propósito, obrigado pela oportunidade de acrescentar o Crooked Timber às minhas hiperligações.
Vale muito a pena, José Luiz.
A conta vai ser paga. As bolhas de crédito têm sempre de ser pagas. A questão é quem paga.
Sem dúvida.