Parece-me que o texto consegue um resultado precisamente oposto ao desejado. Mostra que aquilo que lemos é essencialmente o resultado da transmissão oral de que a ortografia é um reflexo, e não o inverso. Colocando bonecos, o autor mostra que podemos escrever “PROJ3CTO” em lugar de “PREJECTO”, mas fica preocupado que os burrinhos da santa terrinha não consigam perceber o que significa “PROJETO”. Sabemos todos que o pessoal anti-AO tem QIs para o lado do fraquinho, mas, caramba, não é preciso exagerar nos receios sobre as suas capacidades.
Fica outra questão; o conteúdo etimológico, logo, hístórico, da língua escrita. E esta questão, sim, faz todo o sentido. Mas também aqui é notável a insustentabilidade da posição dos opositores ao AO ao não quererem alterar para melhor, e ao defender como “portuguesa” e “nossa” e “intocável” uma ortografia que em 1911 deu em Portugal e unilateralmente os maiores pontapés na etimologia. Exemplos: “tassa” (do lat.”tassa”) passou a “taça” para ficar mais próximo do “z” castelhano de “taza”, assim como outros espanholismos deste e de outro tipo. Enfim, agarram-se a uma ortografia mutilada e pedem que nada mude nem melhore a bem da perfeição, beleza e integridade de tão belo estropiado.
Contava com essa interpretação, PPorto. Tentei responder-lhe no texto. Aparentemente, não fui bem sucedido. É certo que não seria fácil se a argumentação partisse da defessa dos burrinhos da santa terrinha. Verá que em nenhum momento tal argumento foi utilizado.
Helena, Lido o seu comentário e o do R.Rocha, só me resta pedir desculpa aos dois pelo meu abuso de linguagem.
O meu pedido de desculpas é extensivel aos outros militantes anti-AO. Aliás, eu já deveria saber que não se devem ofender minorias, sejam elas raciais, sexuais, ou anti-AO…
Tem razão. As minorias são sempre um problema. Mas eu tenho uma natural simpatia por elas…
Cara Helena Sabe que a inteligência é limitada. Já pensou se a burrice tem limites? Dizer que não entende os inteligentes é fazer a famosa afirmação da criança na história do Rei Vai Nú: “O Rei vai nú!”
Os “inteligentes” que indica são de 2 tipos: 1) Os alfaiates que afirmam coisas que toda a gente vê que é asneira, mas glorificam-se dizendo que só os inteligentes as percebem; 2) Os burritos que verificam que não percebem mesmo, mas fingem perceber para fingir serem inteligentes.
Resta-nos a criança. Gostei que tenha sido uma. Prova a sua inteligência.
Na minha idade volta-se sempre a ser criança e a ficar encantada com os adultos. Estou nessa. Cumprimentos
Quando for grande… …talvez a encontre e conversemos. Uma bica no Nicola? (Quando (eu) fôr ao sul, pf)
Tá já agendado. Cresça depressa, senão já só nos encontramos no Paraíso!
Cara Helena Hahahahaha
Tenho uma prima lisboeta, aproveito e vou visitá-la. Mora no Saldanha e quando ela vinha ao Norte, aproveitava para me mostrar que era parolo, tínhamos 12 anos. Gosto do Nicola, mas conheço histórias de nortenhos relacionadas com a “Mexicana” que envolviam o meu amigo (ou melhor, conhecido) Gaspar Malheiro e outros quejandos. Não as vivi. Lisboa nesses tempos devia ser fenomenal. Um abraço, e não morra entretanto.Convide-me.
O Nicola está óptimo e tem um belo bife. A Mexicana está um pouco decadente. E Lisboa era, de facto, especial, nessa época em que havia uma minoria de iluminados que debitavam excelência no VáVá, na Mexicana e noutros locais menos conhecidos. Mas as tertúlias tinham bastante graça e num país fechado houve uma certa lufada de ar fresco. Depois, bom depois, alguns de esquerda tornaram-se empresários e perderam a graça. Proponho em, alternativa, o Café Império que continua a manter o belo bife e também a tradição. Vou tentar não morrer já, para que este encontro se faça brevemente. Aguarde o meu convite! :-))
Cara Helena
Foi muito gira neste seu convite. Lá estarei. Faço-me de convidado e aceito o bife no Império. Conhece Lisboa melhor do que eu. Quando lá vou como o bife da Portugália porque tem fama de muitos anos (embora fique aquém das espectativas, aquilo é molho de manteiga). Convide-me. Vai ser divertido. Depois, se tudo correr bem, vai comer um bife regional em Braga. Digo regional porque não tem sabedoria alguma, mas é delicioso. É parecido com o bife argentino ou texano. O segredo é a boa carne… e mais nada. Claro que tb sei fazer molhos (a minha mulher adora molhos). Os molhos que faço cá em casa são de influência sulista. A minha avó materna era lisboeta e 1) martelava os fifes, 2) cozinhava com MANTEIGA, 3) natas, cogumelos, molho inglês da “Lea Perrins Worchester” e o molho que ficava do próprio bife; 4) come-se o bife e mistura-se o molho no arroz (bem minhoto).
PS: pensei sinceramente que não iria responder. Era o mais provável e fiquei até envergonhado porque me todos me dizem que sou disparatado. Vou aguardar. Seja quem a Helena for, acho que vai ser divertido.
Um abraço J. Menezes
Ó José Menezes, eu sou uma criatura deliciosa, creia. Mas só facto de não saber quem sou, garanto-lhe, já me encheu de alegria. Nem calcula. Haja Deus! Tem garantido o seu bifinho. Deixe só eu rever as provas do meu último livro e o convite seguirá!
Oh caraças Não confirmei nada, mas quando escrevi o PS já adivinhava (aliás foi a minha mulher q me chamou a atenção). Na minha adolescência, os meus amigos já me chamavam “o franco” porque não sabia mentir. Claro q sei mentir, mas aflige-me e não o faço. Cara Helena, creio que sei quem é, seria horroroso fingir (ficava mais aflito que um “pimiento de padron” pintado de vermelho). Mas isso não altera nada e continuo a pensar que vai ser divertido.
Um beijo para si J. Menezes
Vai ser divertido, sim senhora!
Abreijo da Helena
Molho de manteiga? Essa agora…
A orthographia é um reflexo e isto também. Mas isto não é ortho coisa nenhuma. É só cacographia. Tal como aquela macacada do… do «coiso». Cumpts.
Isto prova que a apreensão das palavras é global, pelo que serem compostas por 7 letras ou 9 ou 5 letras é a mesma coisa cmoo se pvroa cmo fcidalidae dsete txeot O corte de “c “e “p”s “mudos” com função diacrítica nada facilita, antes dificulta. «É tão disparatado afirmar que escrever uma palavra com menos letras aproxima a grafia da fonética como afirmar que imaginar um cisne com menos penas torna a nossa imagem mental do cisne mais “próxima” do cisne real.» escreve Victor Guerreiro aqui http://criticanarede.com/ed1.html Afinal, nos países anglófonos o grau de analfabetismo é ZERO há muitos anos….
Acordo ortográfico e analfabetismo não estão ligados. Suponho que não há nenhum acordo ortográfico na língua inglesa e também suponho que não há nenhum organismo oficial que decrete como se escreve (ou como se pronuncia). Quanto ao analfabetismo, segundo dados credíveis https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/rankorder/rankorderguide.html , Portugal terá cerca de 5% de analfabetismo, enquanto a maioria dos países desenvolvidos anda por 1%. Já agora conto-lhe um facto curioso: A Suécia e a Noruega tinham, por 1900, talvez 10% de analfabetos. Portugal tinha perto de 80%. Isto deveu-se a um decreto real (lá) que obrigava a saber ler e escrever quem quisesse casar. O resultado foi pôr os pastores Luteranos a ensinar quem vivia “em pecado”. Mas criou tb o hábito (social) da experiência pré-matrimonial, de que tanto fazia crescer (água na boca) aos rapazes do meu tempo.
Caro José Menezes, Também considero que ortografia e analfabetismo nada têm a ver. Mas essa relação foi usada em 1911 e ainda hoje, para justificar «reformas» e «acordos». Bastará «googlar» para ler afirmações de acordistas que dizem que assim será mais fácil para as crianças!… O nosso nível de analfabetismo andará, oficialmente, pelos 10%. No entanto, segundo o último censo (2011), 19% da população que afirmou não ter tido qualquer educação formal. Haverá 10% de autodidactas? Não acredito. Aliás, se Portugal não mantivesse o baixíssimo nível cultural gastaríamos tanto tempo a discutir «acordos ortográficos» como os ingleses ou os franceses…. Isto é, nenhum.
A «reforma» de 1911 – feita por um governo ditatorial – obedecia a algumas crenças infundadas. Uma delas era a de que o nº de analfabetos (75%) era motivado em grande parte pela ortografia etimológica. Não era, e hoje Portugal é o país europeu com maior índice de analfabetismo, 21 lugares abaixo da Espanha. E sim, os republicanos de 1911 eram maçons e iberistas e queriam aproximar as línguas ibéricas. Agora, também o «acordo» prossegue fins abertamente políticos… correspondendo a fórmulas de um total e vergonhoso vazio. Infelizmente, e dado o baixo nível cultural ainda falamos de assuntos já esquecidos no resto do mundo. Um deles é a célebre «aproximação da escrita e da oralidade» como se não fosse «tão disparatado afirmar que escrever uma palavra com menos letras aproxima a grafia da fonética como afirmar que imaginar um cisne com menos penas torna a nossa imagem mental do cisne mais “próxima” do cisne real.» (Vítor Guerreiro http://criticanarede.com/ed1.html). Por outro lado, ao contrário do que o comentador P. Porto afirma, «aquilo que lemos é essencialmente o resultado da transmissão oral de que a ortografia é um reflexo». Em qualquer sociedade moderna, é impossível negar o primado da escrita. Ensina o Prof. Doutor António Emiliano («O fim da Ortografia», pg. 35): «do ponto de vista da estrutura das sociedades alfabetizadas com elevada difusão e penetração extensionais da literacia e da textualização, o que importa é o estatuto funcional (já não histórico) da escrita. O que importa é a forma como a escrita se inscreve nas comunidades linguísticas alfabetizadas. […] Desse ponto de vista é impossivel negar o primado da escrita: os textos não são a fixação intemporal de enunciados orais […] Os textos escritos são muito mais do que isso, sejam de carácter literário, jurídico, jornalístico ou epistolar: são enunciados concebidos e produzidos à margem de toda e qualquer oralidade. Além disto a escrita é uma tecnologia que permite a construção de uma memória externa aos indivíduos, memória que, inevitavelmente, influencia e determina a produção de enunciados orais. […] Em sociedades industrializadas, urbanizadas e informatizadas como a nossa, negar a primazia da palavra escrita […] é não entender o funcionamento do mundo em que vivemos. É ignorar o estado actual das ciências da escrita, e também da didáctica»
Imagine que a decisão ditatorial da república maçónica de 1911 sobre ortografia foi o acidente ou o crime que mutilou a Vénus de Milo. Que fazer? Destruí-la mais? Inventar-lhe braços? Ou, sensatamente, pensar que o tempo a tornou em si mesma algo de acabado e preservá-la tal como está?
Fiz um pequeno estudo acerca da alfabetização em Portugal. Os resultados (e as fontes) estão numa imagem que suponho ainda está no meu Face Book. A realidade é que vários países começaram campanhas de alfabetização pelos anos 70 do séc XIX. Portugal não fugiu à regra. Tivemos um aumento acelerado. O gráfico alfb. Vs ano, mostra um concavidade virada para cima, mas ao contrário de outros países que estavam em situação igual à nossa, essa aceleração terminou precisamente em 1910. A partir daí tivemos um crescimento linear (não acelerado) que se prolongou pelo estado novo e continuou após o 25 de Abril. Isto é tanto mais crítico quanto, à vista dos dados, já éramos o país menos alfabetizado da Europa. Sou professor e aterroriza-me o número de alunos do 10º ano que não sabe ler nem escrever (ie, não interpreta o que lê nem se consegue exprimir por escrito). Estão no 10º ano! Os índices de alfabetização têm em conta a literacia funcional? Provavelmente estamos muito pior do que as estatísticas mostram. Conheço profundamente o RVCC e as Novas Oportunidades. Trabalho nessa área. E ainda não consegui perceber o que o governo Sócrates quis com aquilo. Será só para falsificar estatísticas?
Parece-me que É o SEU texto consegue um resultado precisamente oposto ao desejado. Mostra que:
1-O autor é preconceituoso e arrogante:” […] Sabemos todos que o pessoal anti-AO tem QIs para o lado do fraquinho […]”.
2-O autor disserta sobre o que ignora (a fala e a escrita). Grande parte dos leitores frequentes pratica uma forma de leitura (dinâmica) não necessariamente sequencial e reconhece e integra palavras e até frases inteiras sem necessidade de “soletrar”. Os restantes são reconhecíveis pela “vocalização subliminar” i.e. lêem balbuciando sílaba a sílaba, o que condiciona a velocidade da sua leitura e leva a que no final de uma frase longa já não se recordem bem do princípio da mesma. Para estes o Novo Acordo Ortográfico é igual ao litro! No entanto, para a maioria dos leitores, a grafia portuguesa contém traço/símbolos de identidade (consoantes mudas e outros) cuja supressão prejudica a aquisição pelo leitor e é uma mutilação da Sua/Minha/Nossa Língua, que não decorreu da evolução natural desta, mas antes foi imposta por acordo cozinhado por quem não estava mandatado para tal.
Embora eu consiga ler integralmente o seu texto e compreender integralmente o seu significado, não obtenho prazer nenhum nessa leitura, que ademais decorre muito vagarosamente. De onde se induz que a ortografia, não sendo de facto essencial para a leitura, pode no entanto dificultá-la substancialmente.
Não é bem assim, Luís Lavoura. Este texto do Rui assenta na tese de que o cérebro humano letrado descodifica facilmente um texto escrito desde que a primeira e última letras de cada palavra estejam no lugar certo. O que é arbitrário é o que se encontra no meio, desde que os símbolos sejam vagamente parecidos (3-E, 1-I, 4-A, etc). A princípio a leitura pode ser mais vagarosa, mas depois das primeiras linhas já se lê tão depressa como se as letras estivessem lá todas. Logo, a ortografia facilita, mas está longe de ser essencial.
Você só acaba de provar (aos contrário do que os defendores do acordo tentam impingir aos cérebros como os deles) que mudar de ph para f (substituição) é radicalmente diferente do que suprimir consoantes mudas (supressão) e dar cabo dos sentidos implícitos nas hifenações. Portanto, ganhámos.
Já agora o q se passa com a língua inglesa? Existe algum acordo ortográfico? Pergunto-lhe, pois não sei. Tenho a leve impressão de que não. Creio que deixam a língua evoluir. Novas palavras criadas por eles (3 n1sso são profícuos) vão directamente para o dicionário. Mas creio tb que há um grande investimento educacional no “soletrar” (vejo isso nos filmes). Nós pronunciamos “femenino” quando é feminino, nós pronunciamos mesirecórdia quando é misericórdia, para não falar nas “Bacas” (pronúncia que vem desde o tempo do romanos) e na hipercorrecção “Voi” (marido da baca). Ficaria triste se a palavra misericórdia mudasse a ortografia (mesmo mantendo a miséria intrínseca à mudança). Mas mudar por decreto… Bem, é latino. Já Bertrand Russell afirmava q a democracia era quase exclusivamente anglo-saxónia.
Cumprimentos J. Menezes
PS: Li alguns outros “post’s” seus e gosto da escrita, por vezes nem tanto pelo conteúdo. A crítica que lhe fiz a respeito do Bispo, é apenas a minha opinião. Acho que fica bem criticar quando não concordamos.
Claro que sim, caro José Menezes. O modo como entendo estas trocas de ideias é exactamente esse. Valorização dos pontos de vista pela discussão e pela troca de argumentos. No post do cardeal não respondi a todos os comentários ou optei por respostas curtas porque já vai em mais de 350 e não é humanamente possível responder a todos, muito menos em profundidade. Um abraço.
Lembro-me de um blog, por acaso no Sol, que iniciei. Mas aborreci-me. Não esperava fama e glória, mas o facto é que ninguém lês estes blogs individuais. Descarreguei (a minha fúria apenas). Hoje vou usando o FB para os meus amigos. Escrever para um blog famoso, como faz o Rui, deve ser stressante. Assusta-me “ter de escrever”.
Fui ver. E pareceu-me muito interessante. Quanto ao stress que refere, não é bem assim. Uma das vantagens de um blogue colectivo é não haver uma obrigação de escrever para o alimentar de conteúdos. No meu caso, se escrevo muito é mesmo porque gosto de escrever e de partilhar argumentos.
Obg. (mesmo q esta n conste do tão inteligente AO)
A Língua Inglesa não teve qualquer reforma. O mesmo para o Francês, que se fixou em 1740. A recente acordo do castelhano mudou 9 palavras. A questão é simples: quanto mais mais fácil o acesso à norma, através da escolarização, menos erros e, por isso, maior estabilidade ortográfica. A tão falada evolução da língua não se verifica na ortografia mas no léxico e da sintaxe. Em alemão, francês e inglês escreve-se philosophia, philosophie ou philosophy e aqui ouve-se dizer que o ph é «arcaico» quando faz parte das línguas que veiculam os mais sofisticados conhecimentos…. Em qualquer escola onde se se aprenda inglês lê-se Shakespeare no original e no Zimbabué (com um nível de literacia bastante superior ao do Brasil) há festivais Shakespeare (no original do séc. XVII) com centenas de alunos participantes! Há alguma coisa de idêntico em Portugal? Em Portugal, até Camilo Castelo Branco saiu do programa – com o aplauso de associação dos professores de português, grandes adeptos do «acordo».
Pois é. Não vou aqui dizer que o nível cultural e intelectual dos professores é elevado. Os professores são pessoas normais, e os alunos também. Infelizmente não há ensino, embora se pague aos professores com o erário público. Claro que pagar está bem, e do erário público também. O que está mal é que serve para quase nada. Os alunos com REAL aproveitamento são apenas os MUITO inteligentes ou os que provêm de famílias com cultura superior. Com indisciplina generalizada não se consegue melhor. A pior herança do Estado Novo (para o ensino) reside no facto de se afirmar na escola e nos departamentos universitários de ciências ocultas (ligados à educação) que disciplinar é repressivo e isso é salazarismo. Os inteligentes do ensino (versão 1 ou 2) propõem tudo e mais alguma coisa, desde que não haja disciplina. Experimentam tudo, mudam os programas de 4 em 4 anos, cada um dizendo que encontrou a fórmula milagrosa. Camilo é chato, Eça também, talvez os novos? Experimente-se Saramago?, Camões está ultrapassado porque viveu no século XVI? Experimentam artigos de jornal? Mas se, para os alunos, numa acção grupal que nenhum ousa divergir sem ser apelidado de “copinho de leite”, as aulas são para tourear professores, poderá haver ensino? Entretanto, professores modernos, de bigode trasmontano e professoras plenas de eufemismos obviamente de esquerda (porque só querem o bem social) defendem todas as novidades desde que sejam progressistas (sabem lá eles/as o que é isso), mais os doutos da demagogia universitária da educação cujo pedantismo fede a estupidez doutorada, continuam a defender o “à vontade” do aluno. Para um liberal como eu, basta esperar uns anos para que todos nós reclamemos o direito a escolher a educação que queremos para os nossos filhos. O estado falhou, democraticamente, em Portugal, assim como falhou, menos democraticamente, no nazismo e no comunismo (ambos europeus). Tenho a sensação que a maioria dos cidadãos ainda não se apercebeu desta tragédia. A escola ainda vive no pós 25 de Abril. Assim não vamos lá.
Caro Rui, também sou daqueles que acham que o post acaba por invalidar o (contra-)argumento que se pretendia defender. Por uma simples razão: é que o código introduzido só funciona por ser… uniforme.
Sempre me horrorizei com a ideia da uniformidade. Quando vivia na cidade odiava escovar os dentes de manhã e ver todas as janelas dos WC do prédio em frente com as luzes ligadas. – Estávamos todos a fazer o mesmo. O texto do Rui foi uniforme contra a uniformidade forçada. A tirada dos NAZIS foi de facto excessiva. Não quis escrever muito. Mas V/ defendeu uma uniformidade por decreto e elitista. Que horror! Mas dizem que dá segurança… Talvez…
Caro Vasco Quando a data da “revogação da coisa”, não sabe bem. O que se sabe ao certo é que o JN passou a ser mais um a aplicar o AO. Agora é só fazer mais umas três ou quatro petições e publicar umas tantas opiniões dos Vasco Desgraça Moiro desta vida e vai ver que o assunto se resolve num instante.
O que interessa não são os jornais que vão sendo forçados a aplicar o «acordo». O que interessa é que Angola e Moçambique não parecem interessados. E o tempo em que a ortografia do português era movida por picardias entre meia dúzia de pessoas em Lisboa e no Rio de Janeiro passou.
Deixe-me ver se percebi: quanto à aplicação do AO, não interessa os jornais, não interessa as televisões, não interessa as agências de notícias, não interessa o DR. Interessa é que “Angola e Moçambique não parecem interessados”.
Eu só não escrevo outra vez que o pessoal anti-AO é verdadeiramente estúpido porque o Rui Rocha me censurava (e com muita razão) o comentário. Senão, dizia.
E de facto não interessam: os jornais, as agências e as televisões e tudo o mais são para deixar de ler e ver. O DR… mas quem diabo quer ler aquilo? Em último caso, caso vença a sua peculiar inteligência, há ainda a solução final: a emigração. Você e os outros espertos ficarão aqui a chafurdar na vossa própria pasta que eu vou pagar impostos para outro lado onde se respeitem as pessoas.
Sabe, o «acordo» é, oficialmente, para unificar a língua portuguesa, objectivo impossível se Angola e Moçambique não aderirem. Seria no mínimo estranho que Portugal abandonasse a sua ortografia, igual à daqueles países e adoptasse a brasileira. A subserviência tem limites. Quanto ao que se faz por aqui, televisões, etc. são “uniões de fatos” como se pode ler no delicioso crioulo do DR. Nada que um telefonema ou dois telefonema não resolvam.
Ok, esse seu telefone é dos bons, não é como o meu.
Já agora, também acredito que “c.” tenha por aí um desses telefones dão para resolver crises de dívida soberana. Depois, quando puder, empreste-o por um dia ou dois ao PPC, sff.
Um telefone do mesmo modelo do usado para fazer uns telefonemas a dizer que era preciso ajudar o amigo Joaquim. O amigo Joaquim que tanto precisava de ajuda do governo era o dono de Crontolinveste que «Com a aquisição do Grupo Lusomundo Serviços (actualmente denominado Controlinveste Media), o Grupo Controlinveste obteve o controlo dos seguintes jornais diários: Jornal de Notícias, Diário de Notícias, 24horas e Açoriano Oriental, bem como a estação de rádio TSF. Nos títulos não diários, o Grupo Controlinveste é também o detentor do semanário regional Jornal do Fundão e das revistas mensais Evasões e Volta ao Mundo. A gráfica Naveprinter, participações na VASP, Agência Lusa, Diário de Notícias da Madeira e ainda uma participação de 50% da Gráfica Funchalense, fazem também parte do portfolio de empresas e marcas do Grupo Controlinveste. Mais recentemente, o leque de publicações cresceu, com o lançamento do gratuito Global Notícias.
É Presidente do Conselho de Administração das seguintes empresas:
Controlinveste, SGPS, S.A. Sportinveste, SGPS, S.A. Controlinveste Media, SGPS, S.A. Global Notícias Publicações, S.A. Global Notícias ? Agência de Informação e Imagens, S.A. Jornalinveste – Comunicação, S.A. Rádio Notícias – Produções e Publicidade, S.A. Açormedia – Comunicação, Multimédia e Edição de Publicações, S.A. Naveprinter – Indústria Gráfica do Norte, S.A. Sport TV Portugal, S.A. PPTV – Publicidade de Portugal e Televisão, S.A. Olivedesportos – Publicidade, Televisão e Media, S.A.
É ainda membro do Conselho de Administração da ZON Multimédia, SGPS, S.A. »
Delicioso!
OBR1G4DO, H3L3N4.
Fantástico!
4GR4D3ÇO, MO K4MB4.
BR1LH4NT3!
OBR1G4DO, JOS3.
Parece-me que o texto consegue um resultado precisamente oposto ao desejado. Mostra que aquilo que lemos é essencialmente o resultado da transmissão oral de que a ortografia é um reflexo, e não o inverso. Colocando bonecos, o autor mostra que podemos escrever “PROJ3CTO” em lugar de “PREJECTO”, mas fica preocupado que os burrinhos da santa terrinha não consigam perceber o que significa “PROJETO”. Sabemos todos que o pessoal anti-AO tem QIs para o lado do fraquinho, mas, caramba, não é preciso exagerar nos receios sobre as suas capacidades.
Fica outra questão; o conteúdo etimológico, logo, hístórico, da língua escrita. E esta questão, sim, faz todo o sentido. Mas também aqui é notável a insustentabilidade da posição dos opositores ao AO ao não quererem alterar para melhor, e ao defender como “portuguesa” e “nossa” e “intocável” uma ortografia que em 1911 deu em Portugal e unilateralmente os maiores pontapés na etimologia. Exemplos: “tassa” (do lat.”tassa”) passou a “taça” para ficar mais próximo do “z” castelhano de “taza”, assim como outros espanholismos deste e de outro tipo. Enfim, agarram-se a uma ortografia mutilada e pedem que nada mude nem melhore a bem da perfeição, beleza e integridade de tão belo estropiado.
Contava com essa interpretação, PPorto. Tentei responder-lhe no texto. Aparentemente, não fui bem sucedido. É certo que não seria fácil se a argumentação partisse da defessa dos burrinhos da santa terrinha. Verá que em nenhum momento tal argumento foi utilizado.
Como burrita da terra não me sinto mal. Somos muitos. Com os inteligentes é que me preocupo. São poucos. E não os entendo…
Helena,
Lido o seu comentário e o do R.Rocha, só me resta pedir desculpa aos dois pelo meu abuso de linguagem.
O meu pedido de desculpas é extensivel aos outros militantes anti-AO.
Aliás, eu já deveria saber que não se devem ofender minorias, sejam elas raciais, sexuais, ou anti-AO…
Tem razão. As minorias são sempre um problema. Mas eu tenho uma natural simpatia por elas…
Cara Helena
Sabe que a inteligência é limitada. Já pensou se a burrice tem limites?
Dizer que não entende os inteligentes é fazer a famosa afirmação da criança na história do Rei Vai Nú: “O Rei vai nú!”
Os “inteligentes” que indica são de 2 tipos:
1) Os alfaiates que afirmam coisas que toda a gente vê que é asneira, mas glorificam-se dizendo que só os inteligentes as percebem;
2) Os burritos que verificam que não percebem mesmo, mas fingem perceber para fingir serem inteligentes.
Resta-nos a criança. Gostei que tenha sido uma. Prova a sua inteligência.
Cumprimentos
J. Menezes
Na minha idade volta-se sempre a ser criança e a ficar encantada com os adultos. Estou nessa.
Cumprimentos
Quando for grande…
…talvez a encontre e conversemos.
Uma bica no Nicola? (Quando (eu) fôr ao sul, pf)
Tá já agendado. Cresça depressa, senão já só nos encontramos no Paraíso!
Cara Helena
Hahahahaha
Tenho uma prima lisboeta, aproveito e vou visitá-la. Mora no Saldanha e quando ela vinha ao Norte, aproveitava para me mostrar que era parolo, tínhamos 12 anos.
Gosto do Nicola, mas conheço histórias de nortenhos relacionadas com a “Mexicana” que envolviam o meu amigo (ou melhor, conhecido) Gaspar Malheiro e outros quejandos. Não as vivi. Lisboa nesses tempos devia ser fenomenal.
Um abraço, e não morra entretanto.Convide-me.
O Nicola está óptimo e tem um belo bife. A Mexicana está um pouco decadente. E Lisboa era, de facto, especial, nessa época em que havia uma minoria de iluminados que debitavam excelência no VáVá, na Mexicana e noutros locais menos conhecidos.
Mas as tertúlias tinham bastante graça e num país fechado houve uma certa lufada de ar fresco. Depois, bom depois, alguns de esquerda tornaram-se empresários e perderam a graça.
Proponho em, alternativa, o Café Império que continua a manter o belo bife e também a tradição.
Vou tentar não morrer já, para que este encontro se faça brevemente. Aguarde o meu convite!
:-))
Cara Helena
Foi muito gira neste seu convite. Lá estarei. Faço-me de convidado e aceito o bife no Império. Conhece Lisboa melhor do que eu. Quando lá vou como o bife da Portugália porque tem fama de muitos anos (embora fique aquém das espectativas, aquilo é molho de manteiga).
Convide-me. Vai ser divertido. Depois, se tudo correr bem, vai comer um bife regional em Braga. Digo regional porque não tem sabedoria alguma, mas é delicioso. É parecido com o bife argentino ou texano. O segredo é a boa carne… e mais nada.
Claro que tb sei fazer molhos (a minha mulher adora molhos). Os molhos que faço cá em casa são de influência sulista. A minha avó materna era lisboeta e 1) martelava os fifes, 2) cozinhava com MANTEIGA, 3) natas, cogumelos, molho inglês da “Lea Perrins Worchester” e o molho que ficava do próprio bife; 4) come-se o bife e mistura-se o molho no arroz (bem minhoto).
PS: pensei sinceramente que não iria responder. Era o mais provável e fiquei até envergonhado porque me todos me dizem que sou disparatado. Vou aguardar. Seja quem a Helena for, acho que vai ser divertido.
Um abraço
J. Menezes
Ó José Menezes, eu sou uma criatura deliciosa, creia.
Mas só facto de não saber quem sou, garanto-lhe, já me encheu de alegria. Nem calcula.
Haja Deus! Tem garantido o seu bifinho.
Deixe só eu rever as provas do meu último livro e o convite seguirá!
Oh caraças
Não confirmei nada, mas quando escrevi o PS já adivinhava (aliás foi a minha mulher q me chamou a atenção).
Na minha adolescência, os meus amigos já me chamavam “o franco” porque não sabia mentir. Claro q sei mentir, mas aflige-me e não o faço.
Cara Helena, creio que sei quem é, seria horroroso fingir (ficava mais aflito que um “pimiento de padron” pintado de vermelho).
Mas isso não altera nada e continuo a pensar que vai ser divertido.
Um beijo para si
J. Menezes
Vai ser divertido, sim senhora!
Abreijo da Helena
Molho de manteiga? Essa agora…
A orthographia é um reflexo e isto também. Mas isto não é ortho coisa nenhuma. É só cacographia. Tal como aquela macacada do… do «coiso».
Cumpts.
Sabemos todos que o pessoal anti-AO tem QIs para o lado do fraquinho
É melhor ter um QI fraquinho do que não ter inteligência alguma.
Isto prova que a apreensão das palavras é global, pelo que serem compostas por 7 letras ou 9 ou 5 letras é a mesma coisa cmoo se pvroa cmo fcidalidae dsete txeot
O corte de “c “e “p”s “mudos” com função diacrítica nada facilita, antes dificulta.
«É tão disparatado afirmar que escrever uma palavra com menos letras aproxima a grafia da fonética como afirmar que imaginar um cisne com menos penas torna a nossa imagem mental do cisne mais “próxima” do cisne real.» escreve Victor Guerreiro aqui http://criticanarede.com/ed1.html
Afinal, nos países anglófonos o grau de analfabetismo é ZERO há muitos anos….
Caro “c”
Acordo ortográfico e analfabetismo não estão ligados. Suponho que não há nenhum acordo ortográfico na língua inglesa e também suponho que não há nenhum organismo oficial que decrete como se escreve (ou como se pronuncia). he-world-factbook/rankorder/rankordergui de.html , Portugal terá cerca de 5% de analfabetismo, enquanto a maioria dos países desenvolvidos anda por 1%.
Quanto ao analfabetismo, segundo dados credíveis https://www.cia.gov/library/publications/t
Já agora conto-lhe um facto curioso: A Suécia e a Noruega tinham, por 1900, talvez 10% de analfabetos. Portugal tinha perto de 80%. Isto deveu-se a um decreto real (lá) que obrigava a saber ler e escrever quem quisesse casar. O resultado foi pôr os pastores Luteranos a ensinar quem vivia “em pecado”. Mas criou tb o hábito (social) da experiência pré-matrimonial, de que tanto fazia crescer (água na boca) aos rapazes do meu tempo.
Cumprimentos
José Menezes
Caro José Menezes,
Também considero que ortografia e analfabetismo nada têm a ver. Mas essa relação foi usada em 1911 e ainda hoje, para justificar «reformas» e «acordos». Bastará «googlar» para ler afirmações de acordistas que dizem que assim será mais fácil para as crianças!…
O nosso nível de analfabetismo andará, oficialmente, pelos 10%. No entanto, segundo o último censo (2011), 19% da população que afirmou não ter tido qualquer educação formal. Haverá 10% de autodidactas? Não acredito.
Aliás, se Portugal não mantivesse o baixíssimo nível cultural gastaríamos tanto tempo a discutir «acordos ortográficos» como os ingleses ou os franceses…. Isto é, nenhum.
A «reforma» de 1911 – feita por um governo ditatorial – obedecia a algumas crenças infundadas. Uma delas era a de que o nº de analfabetos (75%) era motivado em grande parte pela ortografia etimológica. Não era, e hoje Portugal é o país europeu com maior índice de analfabetismo, 21 lugares abaixo da Espanha. E sim, os republicanos de 1911 eram maçons e iberistas e queriam aproximar as línguas ibéricas.
Agora, também o «acordo» prossegue fins abertamente políticos… correspondendo a fórmulas de um total e vergonhoso vazio.
Infelizmente, e dado o baixo nível cultural ainda falamos de assuntos já esquecidos no resto do mundo. Um deles é a célebre «aproximação da escrita e da oralidade» como se não fosse «tão disparatado afirmar que escrever uma palavra com menos letras aproxima a grafia da fonética como afirmar que imaginar um cisne com menos penas torna a nossa imagem mental do cisne mais “próxima” do cisne real.» (Vítor Guerreiro http://criticanarede.com/ed1.html). Por outro lado, ao contrário do que o comentador P. Porto afirma, «aquilo que lemos é essencialmente o resultado da transmissão oral de que a ortografia é um reflexo». Em qualquer sociedade moderna, é impossível negar o primado da escrita. Ensina o Prof. Doutor António Emiliano («O fim da Ortografia», pg. 35): «do ponto de vista da estrutura das sociedades alfabetizadas com elevada difusão e penetração extensionais da literacia e da textualização, o que importa é o estatuto funcional (já não histórico) da escrita. O que importa é a forma como a escrita se inscreve nas comunidades linguísticas alfabetizadas. […] Desse ponto de vista é impossivel negar o primado da escrita: os textos não são a fixação intemporal de enunciados orais […] Os textos escritos são muito mais do que isso, sejam de carácter literário, jurídico, jornalístico ou epistolar: são enunciados concebidos e produzidos à margem de toda e qualquer oralidade. Além disto a escrita é uma tecnologia que permite a construção de uma memória externa aos indivíduos, memória que, inevitavelmente, influencia e determina a produção de enunciados orais. […] Em sociedades industrializadas, urbanizadas e informatizadas como a nossa, negar a primazia da palavra escrita […] é não entender o funcionamento do mundo em que vivemos. É ignorar o estado actual das ciências da escrita, e também da didáctica»
Imagine que a decisão ditatorial da república maçónica de 1911 sobre ortografia foi o acidente ou o crime que mutilou a Vénus de Milo. Que fazer? Destruí-la mais? Inventar-lhe braços? Ou, sensatamente, pensar que o tempo a tornou em si mesma algo de acabado e preservá-la tal como está?
Caro c.
Fiz um pequeno estudo acerca da alfabetização em Portugal. Os resultados (e as fontes) estão numa imagem que suponho ainda está no meu Face Book. A realidade é que vários países começaram campanhas de alfabetização pelos anos 70 do séc XIX. Portugal não fugiu à regra. Tivemos um aumento acelerado. O gráfico alfb. Vs ano, mostra um concavidade virada para cima, mas ao contrário de outros países que estavam em situação igual à nossa, essa aceleração terminou precisamente em 1910. A partir daí tivemos um crescimento linear (não acelerado) que se prolongou pelo estado novo e continuou após o 25 de Abril. Isto é tanto mais crítico quanto, à vista dos dados, já éramos o país menos alfabetizado da Europa.
Sou professor e aterroriza-me o número de alunos do 10º ano que não sabe ler nem escrever (ie, não interpreta o que lê nem se consegue exprimir por escrito). Estão no 10º ano!
Os índices de alfabetização têm em conta a literacia funcional?
Provavelmente estamos muito pior do que as estatísticas mostram.
Conheço profundamente o RVCC e as Novas Oportunidades. Trabalho nessa área. E ainda não consegui perceber o que o governo Sócrates quis com aquilo. Será só para falsificar estatísticas?
Abraço
J. Menezes
Parece-me que É o SEU texto consegue um resultado precisamente oposto ao desejado. Mostra que:
1-O autor é preconceituoso e arrogante:” […] Sabemos todos que o pessoal anti-AO tem QIs para o lado do fraquinho […]”.
2-O autor disserta sobre o que ignora (a fala e a escrita). Grande parte dos leitores frequentes pratica uma forma de leitura (dinâmica) não necessariamente sequencial e reconhece e integra palavras e até frases inteiras sem necessidade de “soletrar”.
Os restantes são reconhecíveis pela “vocalização subliminar” i.e. lêem balbuciando sílaba a sílaba, o que condiciona a velocidade da sua leitura e leva a que no final de uma frase longa já não se recordem bem do princípio da mesma. Para estes o Novo Acordo Ortográfico é igual ao litro!
No entanto, para a maioria dos leitores, a grafia portuguesa contém traço/símbolos de identidade (consoantes mudas e outros) cuja supressão prejudica a aquisição pelo leitor e é uma mutilação da Sua/Minha/Nossa Língua, que não decorreu da evolução natural desta, mas antes foi imposta por acordo cozinhado por quem não estava mandatado para tal.
Embora eu consiga ler integralmente o seu texto e compreender integralmente o seu significado, não obtenho prazer nenhum nessa leitura, que ademais decorre muito vagarosamente. De onde se induz que a ortografia, não sendo de facto essencial para a leitura, pode no entanto dificultá-la substancialmente.
Não é bem assim, Luís Lavoura. Este texto do Rui assenta na tese de que o cérebro humano letrado descodifica facilmente um texto escrito desde que a primeira e última letras de cada palavra estejam no lugar certo. O que é arbitrário é o que se encontra no meio, desde que os símbolos sejam vagamente parecidos (3-E, 1-I, 4-A, etc). A princípio a leitura pode ser mais vagarosa, mas depois das primeiras linhas já se lê tão depressa como se as letras estivessem lá todas. Logo, a ortografia facilita, mas está longe de ser essencial.
Então… espere lá, afinal não se trata do novo projecto de acordo ortográfico para apresentar após a conclusão do referendo?!
Corr3cto. Está bem escrito.
Você só acaba de provar (aos contrário do que os defendores do acordo tentam impingir aos cérebros como os deles) que mudar de ph para f (substituição) é radicalmente diferente do que suprimir consoantes mudas (supressão) e dar cabo dos sentidos implícitos nas hifenações. Portanto, ganhámos.
1qst10n4v3l.
Caro Rui
Já agora o q se passa com a língua inglesa? Existe algum acordo ortográfico? Pergunto-lhe, pois não sei. Tenho a leve impressão de que não.
Creio que deixam a língua evoluir. Novas palavras criadas por eles (3 n1sso são profícuos) vão directamente para o dicionário.
Mas creio tb que há um grande investimento educacional no “soletrar” (vejo isso nos filmes). Nós pronunciamos “femenino” quando é feminino, nós pronunciamos mesirecórdia quando é misericórdia, para não falar nas “Bacas” (pronúncia que vem desde o tempo do romanos) e na hipercorrecção “Voi” (marido da baca).
Ficaria triste se a palavra misericórdia mudasse a ortografia (mesmo mantendo a miséria intrínseca à mudança).
Mas mudar por decreto… Bem, é latino. Já Bertrand Russell afirmava q a democracia era quase exclusivamente anglo-saxónia.
Cumprimentos
J. Menezes
PS: Li alguns outros “post’s” seus e gosto da escrita, por vezes nem tanto pelo conteúdo. A crítica que lhe fiz a respeito do Bispo, é apenas a minha opinião. Acho que fica bem criticar quando não concordamos.
Claro que sim, caro José Menezes. O modo como entendo estas trocas de ideias é exactamente esse. Valorização dos pontos de vista pela discussão e pela troca de argumentos. No post do cardeal não respondi a todos os comentários ou optei por respostas curtas porque já vai em mais de 350 e não é humanamente possível responder a todos, muito menos em profundidade. Um abraço.
Lembro-me de um blog, por acaso no Sol, que iniciei. Mas aborreci-me. Não esperava fama e glória, mas o facto é que ninguém lês estes blogs individuais. Descarreguei (a minha fúria apenas). Hoje vou usando o FB para os meus amigos.
Escrever para um blog famoso, como faz o Rui, deve ser stressante. Assusta-me “ter de escrever”.
Aqui vai o endereço: http://comunidade.sol.pt/blogs/samenezes/
perdão:
http://comunidade.sol.pt/blogs/samenezes/d efault.aspx
Fui ver. E pareceu-me muito interessante. Quanto ao stress que refere, não é bem assim. Uma das vantagens de um blogue colectivo é não haver uma obrigação de escrever para o alimentar de conteúdos. No meu caso, se escrevo muito é mesmo porque gosto de escrever e de partilhar argumentos.
Obg.
(mesmo q esta n conste do tão inteligente AO)
A Língua Inglesa não teve qualquer reforma. O mesmo para o Francês, que se fixou em 1740. A recente acordo do castelhano mudou 9 palavras.
A questão é simples: quanto mais mais fácil o acesso à norma, através da escolarização, menos erros e, por isso, maior estabilidade ortográfica. A tão falada evolução da língua não se verifica na ortografia mas no léxico e da sintaxe.
Em alemão, francês e inglês escreve-se philosophia, philosophie ou philosophy e aqui ouve-se dizer que o ph é «arcaico» quando faz parte das línguas que veiculam os mais sofisticados conhecimentos….
Em qualquer escola onde se se aprenda inglês lê-se Shakespeare no original e no Zimbabué (com um nível de literacia bastante superior ao do Brasil) há festivais Shakespeare (no original do séc. XVII) com centenas de alunos participantes! Há alguma coisa de idêntico em Portugal?
Em Portugal, até Camilo Castelo Branco saiu do programa – com o aplauso de associação dos professores de português, grandes adeptos do «acordo».
Caro c.
Pois é. Não vou aqui dizer que o nível cultural e intelectual dos professores é elevado. Os professores são pessoas normais, e os alunos também.
Infelizmente não há ensino, embora se pague aos professores com o erário público. Claro que pagar está bem, e do erário público também. O que está mal é que serve para quase nada. Os alunos com REAL aproveitamento são apenas os MUITO inteligentes ou os que provêm de famílias com cultura superior. Com indisciplina generalizada não se consegue melhor. A pior herança do Estado Novo (para o ensino) reside no facto de se afirmar na escola e nos departamentos universitários de ciências ocultas (ligados à educação) que disciplinar é repressivo e isso é salazarismo. Os inteligentes do ensino (versão 1 ou 2) propõem tudo e mais alguma coisa, desde que não haja disciplina. Experimentam tudo, mudam os programas de 4 em 4 anos, cada um dizendo que encontrou a fórmula milagrosa.
Camilo é chato, Eça também, talvez os novos? Experimente-se Saramago?, Camões está ultrapassado porque viveu no século XVI? Experimentam artigos de jornal?
Mas se, para os alunos, numa acção grupal que nenhum ousa divergir sem ser apelidado de “copinho de leite”, as aulas são para tourear professores, poderá haver ensino?
Entretanto, professores modernos, de bigode trasmontano e professoras plenas de eufemismos obviamente de esquerda (porque só querem o bem social) defendem todas as novidades desde que sejam progressistas (sabem lá eles/as o que é isso), mais os doutos da demagogia universitária da educação cujo pedantismo fede a estupidez doutorada, continuam a defender o “à vontade” do aluno.
Para um liberal como eu, basta esperar uns anos para que todos nós reclamemos o direito a escolher a educação que queremos para os nossos filhos.
O estado falhou, democraticamente, em Portugal, assim como falhou, menos democraticamente, no nazismo e no comunismo (ambos europeus).
Tenho a sensação que a maioria dos cidadãos ainda não se apercebeu desta tragédia.
A escola ainda vive no pós 25 de Abril. Assim não vamos lá.
Já chega, um abraço
J. Menezes
Caro Rui, também sou daqueles que acham que o post acaba por invalidar o (contra-)argumento que se pretendia defender. Por uma simples razão: é que o código introduzido só funciona por ser… uniforme.
Os uniformes são nazis, ou coisa assim. Se o AO pretende ser uniforme…
Senhor Menezes, a que propósito vem essa tirada dos nazis? Trata-se de uma graçola inócua? Ou é uma tentativa de baixar o nível da discussão?…
Caro/a Sampy
Sempre me horrorizei com a ideia da uniformidade. Quando vivia na cidade odiava escovar os dentes de manhã e ver todas as janelas dos WC do prédio em frente com as luzes ligadas.
– Estávamos todos a fazer o mesmo.
O texto do Rui foi uniforme contra a uniformidade forçada.
A tirada dos NAZIS foi de facto excessiva. Não quis escrever muito. Mas V/ defendeu uma uniformidade por decreto e elitista.
Que horror! Mas dizem que dá segurança… Talvez…
Um abraço
J. Menezes
Ok, ganhámos. Para quando é que marcaram a data da revogação da coisa?
Caro Vasco
Quando a data da “revogação da coisa”, não sabe bem.
O que se sabe ao certo é que o JN passou a ser mais um a aplicar o AO.
Agora é só fazer mais umas três ou quatro petições e publicar umas tantas opiniões dos Vasco Desgraça Moiro desta vida e vai ver que o assunto se resolve num instante.
O que interessa não são os jornais que vão sendo forçados a aplicar o «acordo».
O que interessa é que Angola e Moçambique não parecem interessados.
E o tempo em que a ortografia do português era movida por picardias entre meia dúzia de pessoas em Lisboa e no Rio de Janeiro passou.
Deixe-me ver se percebi: quanto à aplicação do AO, não interessa os jornais, não interessa as televisões, não interessa as agências de notícias, não interessa o DR.
Interessa é que “Angola e Moçambique não parecem interessados”.
Eu só não escrevo outra vez que o pessoal anti-AO é verdadeiramente estúpido porque o Rui Rocha me censurava (e com muita razão) o comentário. Senão, dizia.
E de facto não interessam: os jornais, as agências e as televisões e tudo o mais são para deixar de ler e ver. O DR… mas quem diabo quer ler aquilo? Em último caso, caso vença a sua peculiar inteligência, há ainda a solução final: a emigração. Você e os outros espertos ficarão aqui a chafurdar na vossa própria pasta que eu vou pagar impostos para outro lado onde se respeitem as pessoas.
Sabe, o «acordo» é, oficialmente, para unificar a língua portuguesa, objectivo impossível se Angola e Moçambique não aderirem.
Seria no mínimo estranho que Portugal abandonasse a sua ortografia, igual à daqueles países e adoptasse a brasileira. A subserviência tem limites.
Quanto ao que se faz por aqui, televisões, etc. são “uniões de fatos” como se pode ler no delicioso crioulo do DR. Nada que um telefonema ou dois telefonema não resolvam.
Ok, esse seu telefone é dos bons, não é como o meu.
Já agora, também acredito que “c.” tenha por aí um desses telefones dão para resolver crises de dívida soberana.
Depois, quando puder, empreste-o por um dia ou dois ao PPC, sff.
Um telefone do mesmo modelo do usado para fazer uns telefonemas a dizer que era preciso ajudar o amigo Joaquim.
O amigo Joaquim que tanto precisava de ajuda do governo era o dono de Crontolinveste que
«Com a aquisição do Grupo Lusomundo Serviços (actualmente denominado Controlinveste Media), o Grupo Controlinveste obteve o controlo dos seguintes jornais diários: Jornal de Notícias, Diário de Notícias, 24horas e Açoriano Oriental, bem como a estação de rádio TSF. Nos títulos não diários, o Grupo Controlinveste é também o detentor do semanário regional Jornal do Fundão e das revistas mensais Evasões e Volta ao Mundo. A gráfica Naveprinter, participações na VASP, Agência Lusa, Diário de Notícias da Madeira e ainda uma participação de 50% da Gráfica Funchalense, fazem também parte do portfolio de empresas e marcas do Grupo Controlinveste. Mais recentemente, o leque de publicações cresceu, com o lançamento do gratuito Global Notícias.
É Presidente do Conselho de Administração das seguintes empresas:
Controlinveste, SGPS, S.A.
Sportinveste, SGPS, S.A.
Controlinveste Media, SGPS, S.A.
Global Notícias Publicações, S.A.
Global Notícias ? Agência de Informação e Imagens, S.A.
Jornalinveste – Comunicação, S.A.
Rádio Notícias – Produções e Publicidade, S.A.
Açormedia – Comunicação, Multimédia e Edição de Publicações, S.A.
Naveprinter – Indústria Gráfica do Norte, S.A.
Sport TV Portugal, S.A.
PPTV – Publicidade de Portugal e Televisão, S.A.
Olivedesportos – Publicidade, Televisão e Media, S.A.
É ainda membro do Conselho de Administração da ZON Multimédia, SGPS, S.A. »
Sim senhor… isto é de 31337 !
(http://en.wikipedia.org/wiki/Leet)
🙂