A noticia provoca choque e indignação. António Nunes Coelho vivia na Bélgica há 12 anos. Em Novembro de 2011, sofreu um ataque cardíaco quando estava a trabalhar ilegalmente numa obra. Por indicação do responsável foi colocado, como um animal, no chão de uma furgoneta e acabou por ser abandonado numa ruela deserta de Bruxelas. Sabe-se agora que ainda estava vivo quando foi abandonado. E que os responsáveis pelo abandono tentaram aliciar a viúva para que permanecesse silenciosa. Uma historia sórdida de seres humanos que exploram seres humanos e de desprezo pelos princípios básicos da dignidade e da solidariedade. A noticia, tal como o Público ou o Diário de Noticias a escrevem, tem pormenores abundantes que vão desde a marca da furgoneta ao nome das empresas para as quais António trabalhou. Da mesma maneira, não faltam alusões aos locais onde os factos ocorreram e a indicação da nacionalidades dos envolvidos. Bem, na verdade não de todos. Ricas em detalhes, tais noticias não revelam todavia a nacionalidade dos autores do crime. Pois bem, o dono da empresa EG Batineuf que empregava ilegalmente António quando este sofreu o ataque cardíaco chama-se Victor Correia Narciso. Português. E este Victor Narciso envolve no assunto Carlos Pinto da Silva, fornecedor de mão-de-obra. Português. Terão sido estes cidadãos portugueses os responsáveis pelo transporte de António, como um animal, no chão da carrinha e pelo seu abandono quando ainda estava vivo. Tenho muita dificuldade em entender a relevância da nacionalidade na descrição de crimes. Fazem-me confusão as noticias que referem “brasileiro assalta Ourivesaria Correia” ou “romeno desvia papo seco na Lanchonete do Martins”. Todavia, custa-me ainda mais a perceber as noticias em que a nacionalidade portuguesa da vitima fica sublinhada e em que se omite a nacionalidade portuguesa dos criminosos.
Brandos costumes
Rui Rocha,

A propósito de notícias, permita-me que refira a que ouvi no TVI ( Jornal da Uma):
… ” Cinco carros incendiados em Massamá … perto da residência do primeiro Ministro..”
1º. Não fica perto… seria o mesmo que avaliar a distancia entre o Palácio Belem -Jerónimos!!
2º Perguntar à Direcção de Informação da TVI… o que pretende alcançar com esta estúpida… mentirosa.. noticia?
Na Antena 1 foi o mesmo…
Eu tinha pensado: Na Béçgica, que estranho, que horror, eu a julgar que estas coisas eram puro terceiro-mundismo…
Pelos vistos são.
São humanas, Gi . No pior sentido, mas são Por muito que nos custe a aceitar ou a compreender. E não dependem da nacionalidade.
E estes Victor Correia Narciso e Carlos Pinto da Silva, além de portugueses, são ciganos, ou não?
Não devem ser, pois caso contrario a noticia já poderia sair com a nacionalidade desde que fosse feita indicação da etnia.