Velhas/novas causas


cadernoelastico,

Hoje estava na praia a ler o jornal, quando me deparei com o seguinte excerto na entrevista a Heloísa Apolónia. E ainda dizem que o feminismo é uma causa velha.

 

Como concilia a vida de deputada com a pessoal?

Não é muito diferente da de pessoas que fazem advocacia ou outra profissão. Há um senão em termos de compatibilização: temos hora para começar as reuniões, mas nunca temos hora para acabar. E eu tenho horas para ir buscar os miúdos à escola. Às 19h00 no máximo tenho de ir buscá-los ao ATL. Há uma coisa em que reparo, por exemplo, a necessidade de apanhar um avião, a necessidade de ir para uma reunião é factor de justificação aqui nesta comunidade para sair mais cedo de uma reunião. Mas se disser, como já disse, que tenho de sair porque tenho de ir buscar os miúdos à escola isso não é entendido pela generalidade dos deputados. Já saí uma vez de uma reunião em que já tinha manifestado a minha opinião, pedi que o meu voto fosse considerado porque estaria ausente da reunião para ir buscar os miúdos e não aceitaram. Foi típico de filme, fui buscar os miúdos tipo seta, ficaram aqui na Assembleia, entrei na reunião e pus o dedo no ar para votar, porque estavam a começar as votações. Fiz isso por teimosia. Não hei-de deixar de votar.

O parlamento ainda é uma casa de homens?

Já ouvi alguém dizer, não para mim mas para a pessoa que estava ao lado, “não percebo estas mulheres que querem ser mães a tempo inteiro e querem ser deputadas”. Não vou deixar de ser mãe pelo facto de ser deputada, nem vou deixar de ser deputada pelo facto de ser mãe. Cabe-me gerir isto no dia-a-dia, às vezes com grandes dores de cabeça. Devo ser a deputada que mais olha para aquele relógio grande no plenário.

Ler faz bem


cadernoelastico,

 

“Dave conhece demasiada gente. A sua vida é um contínuo tour de force de intimidade. Eu próprio, em qualquer altura, consideraria imoral ter intimidade com mais de quatro pessoas.”

Das perseguições idiotas


cadernoelastico,

Então? Podemos começar a espancar esses sacanas que têm cartão partidário, ou as ordens ainda são só para lhes cuspir em cima? 

 

Já agora, recordo aos odiadores profissionais que a nossa democracia representativa, até ver, ainda assenta nos partidos (como, aliás, qualquer outra democracia representativa), e que a militância num partido até é uma conquista das liberdades, e não uma aberração de sacanas sem lei. A participação social, que inclui a militância, é um pilar da sociedade democrática. O problema dos boys não está no governo – onde é suposto eles estarem – mas nas nomeações políticas e partidárias para cargos que nada de político e partidário deveriam ter: administração pública, entidades reguladoras, etc., etc.

Esta perseguição imbecil é só mais um tiro ao lado, que permite a confusão das águas, em vez de denunciar o que há para denunciar.

Welcome.


cadernoelastico,

Às vezes o umbigo é uma coisa tramada. Fui verificar ao site da Carris quanto custa um passe mensal urbano e de rede. Agora, com os aumentos, custa, respectivamente, 27,50 € e 32 €. A Carris é uma empresa de transportes altamente subsidiada pelo governo central, que sempre controlou os preços.

 

Querem então saber quanto custa um passe nos SMTUC, empresa de autocarros de Coimbra, que recebe zero euros anuais do governo? Está, neste momento, nos 35 €. Isso, mais 3 euros que o passe de rede da Carris. As pessoas de Coimbra são mais ricas que as de Lisboa? Não, está visto que não: com dados de 2004 (base=100), Coimbra estava nos 132,47, enquanto que Lisboa atingia uns muito confortáveis 277,93. 

 

Lisboa (e Porto) estão a responder, finalmente, quase aos mesmos critérios que o resto do país, que, com serviços muito piores, sempre pagou bem mais pelo mesmo tipo de bem. Welcome to the club, amigos.

Exercício prático


cadernoelastico,

O que há de errado na seguinte frase? “No próprio sábado, último dia em que foi secretário-geral do PS, Sócrates também não quis atrasar-se nos detalhes e mandou o motorista do partido regressar com o carro de Espanha – onde tem estado a acompanhar o irmão em tratamentos médicos – à sede nacional.” (Sábado de hoje)

Uma questão de cultura


cadernoelastico,

A Finlândia tem um sistema partidário antigo, estabelecido depois da Segunda Guerra Mundial. Sofreu alterações entretanto, com entrada de partidos novos como o True Finns, mas a base foi a mesma durante muitos anos: um partido de centro-esquerda (social-democrata), um de centro (Keskusta) e um de centro-direita (Kokoomus). Uma série de partidos menores completam o sistema. Frequentemente, os votos eram distribuídos pelos três maiores, de maneira quase igual. Para evitar a instabilidade de governos minoritários (que também aconteceram), o processo negocial que se segue às eleições é duríssimo, e praticamente inevitável. Isto levou às combinações mais estranhas, aos olhos de uma “freguesa” do sistema português: o partido centro-direita já se coligou com o partido do centro-esquerda, sem o centro (1987); o partido do centro coliga-se com o centro-direita, deixando de fora o centro-esquerda, mas incluíndo o Bloco de Esquerda local (1991); e finalmente o centro e o centro-esquerda também já se coligaram (2003). Estas são apenas algumas das combinações mais coloridas, que demonstram bem o espírito negocial finlandês. A ideia é a negociação, numa lógica de diálogo, por mais difícil que seja, para que todos tenham vantagens no final (incluíndo a nação, que ganha um governo estável e firmemente apoiado no parlamento). 

Agora, imaginem estes arco-íris negociais no panorama português… 

Coisas tristes


cadernoelastico,

Na sexta-feira passada, o jornal Sol publicou um texto de Jaime Nogueira Pinto, de homenagem a Maria José. Entre vários aspectos, falava de como Maria José Nogueira Pinto tinha encarado a obrigação de despedir um certo número de pessoas. Na altura, chamou os funcionários em causa, e interessou-se pelo seu destino, seu e das suas famílias. Porque havia um sentido de responsabilidade enquanto pessoa – e enquanto cristã – que a impelia a esse cuidado, a esse interesse. Ao despedir aquelas pessoas, recaía sobre ela um peso diferente, e soube honrá-lo.

 

Hoje, descubro pelo telejornal que uma empresa transportadora despediu 136 homens e mulheres por sms. Assim, sem qualquer espécie de dignidade. Como se todos, administradores e trabalhores, fossem bestas não humanas. E a morte de Maria José Nogueira Pinto, e o seu sentido de justiça, parece ainda mais triste. 

Sá Carneiro visto pelos outros


cadernoelastico,

Perdoem a publicidade institucional, mas parece-me uma boa oportunidade para uma discussão menos mitológica:

 

Por ocasião da celebração do aniversário do nascimento de Sá Carneiro, o Instituto Francisco Sá Carneiro organiza uma tertúlia – debate sob o tema «Sá Carneiro visto pelos outros», que irá ter lugar no Centro de Congressos da Alfândega, no Porto, pelas 19 horas do dia 19 de Julho.

 

Qual a importância do legado pessoal e político de Francisco Sá Carneiro? Como o vêem hoje os que não pertencem à sua familia ideológica? Ou será que a dimensão de estadista e homem ultrapassa as fronteiras da ideologia?

Para conversar sobre este assunto estarão presentes no Centro de Congressos alguns representantes de conhecidos blogues de esquerda: Ricardo Santos Pinto (5 Dias), António José Maia Teixeira (Aventar). Bruno Góis (Adeus Lenine), Tiago Barbosa Ribeiro (Kontratempos, Metapolítica, Blog De Esquerda, Simplex) e Tomás Vasques (Hoje Há Conquilhas). A moderação estará a cargo de Filipe Caetano (do programa Combate de Blogues, TVI24).

 

A entrada é livre, embora por confirmação através do número 963116001(Alexandra Stilwell).

O Verão também é isto


cadernoelastico,

O Bruno resolveu aqui perguntar pelas minhas leituras. Aqui está a resposta:

 

1 – Existe um livro que lerias e relerias várias vezes?

Existem vários que já li e reli. A qualidade dos livros e o orçamento apertado a tanto obrigam. Assim de repente lembro-me de A Luz em Agosto, do Faulkner, que reli no Verão passado.

 

2 – Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?
Houve um tempo em que me obrigava a ler os livros até ao fim. Depois, felizmente, cresci e percebi que o tempo não estica. E que aquela quarta ou quinta página do Exortação aos Crocodilos não significava assim tanto.

 

3 – Se escolhesses um livro para ler para o resto da tua vida, qual seria ele?
Não sou assim tão obsessiva.

 

4 – Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste?
Ainda sou muito nova para esse género de arrependimentos.

 

5- Que livro leste cuja ‘cena final’ jamais conseguiste esquecer?
Não sou muito de finais, mas de começos.

 

6- Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual era o tipo de leitura?
Sim. É um verdadeiro milagre da natureza só ter precisado de óculos aos 27 anos. Lia tudo o que me aparecesse à frente. Se por algum motivo me parecesse desapropriado para a idade, metia debaixo da cama e lia de lanterna.

 

7. Qual o livro que achaste chato mas ainda assim leste até ao fim? Porquê?

O livro que mais me entediou até hoje é O Pêndulo de Foucault, do Umberto Eco. A dada altura, apetecia-me atirá-lo contra as paredes. Don’t ask.

 

8. Indica alguns dos teus livros preferidos.

Mais que livros, tenho autores. Alice Munro, Iris Murdoch, Vergílio Ferreira, John Updike, Gore Vidal, Colm Toibin, Ali Smith, Rentes de Carvalho, Halldór Laxness, Knut Hamsun, Lars Saabye Christensen, Somerset Maugham. E mais, e mais. Mas o critério é mesmo esse, de autores.

 

9. Que livro estás a ler neste momento? 
Ali Smith, A Primeira Pessoa. A Quetzal achou por bem publicá-la em português, e eu agradeço.

 

10. Indica dez amigos para o Meme Literário:

Deixo o questionário aberto aos leitores. Partilhem na caixa de comentários, se vos apetecer.

E o reaccionário sou eu?


cadernoelastico,

Há coisas que nunca mudam. Ontem a Sic passou uma Grande Reportagem sobre gente que tinha dado a volta ao desemprego. Basicamente, apresentava casos de sucesso de gente que se recusou a desistir face à perda de emprego: um casal montou uma carrinha de lavagem de cães e gatos, outro montou uma empresa de limpezas, três ex-operários compraram as máquinas da fábrica fechada e são agora exportadores, e por aí fora. Nenhum omitiu a dificuldade da nova situação, nenhum falou em mares de rosas. Trabalham agora sete dias por semana, com uma responsabilidade enorme em cima dos ombros, mas trabalham. E levam dinheiro para casa. A jornalista resolveu perguntar então a um líder ou porta-voz da CGTP o que pensava do assunto. A resposta foi alucinante: do alto de um paternalismo inenarrável, o tal sindicalista (com emprego certo, pois então) dizia que nem todos podem ser empreendedores, e que criar empresas é muito complicado, porque estes trabalhadores ganham esperanças e depois podem perder tudo de novo. Terminava dizendo que ainda é mais difícil dado que passam à condição de patronato, e toda a gente sabe o que isso quer dizer. Eu juro que não entendo. O reaccionarismo daquela cabeça bolorenta é tanto que prefere o desemprego ao sucesso. Pobrezinhos, mas honrados, que isso de ser patrão é coisa para cair no inferno. E pobrezinhos, mas honrados, porque ninguém deve sair do seu cantinho de operário ou de empregado. A ordem social existe por algum motivo, não é para ser alterada. Já agora, a taxa de insucesso destes novos empreendedores é de 7% ao final de dois anos. Quer isto dizer que 93% garantem o seu próprio emprego, quando não criam até emprego para outros. Mas para os nossos sindicatos são uns traidores da sua situação de pobrezinhos. Ah, Salazar, Salazar, ainda estás em tanto lado.

Indignidades


cadernoelastico,

A cultura política portuguesa ficou mesmo de rastos, depois destes últimos anos. Infelizmente, não foi no domingo que se resolveram todos esses problemas, a transição vai ser mais lenta. O ar já é outro, mas algumas personagens ainda vivas persistem em chafurdar na imundície e mediocridade. Ana Gomes, com estas insinuações (não são declarações, são só a forma mais vil de boato), revestiu-se de indignidade e vergonha. Seria bom termos um pedido de desculpas, mas não tenho grandes esperanças em relação a tal. Fica só o incómodo por termos figuras públicas com responsabilidades relevantes – eurodeputada, diplomata – tão nojentinhas (perdoem a palavra).

Questões de consciência


cadernoelastico,

Roubado descaradamente ao Henrique Raposo

 

– Sócrates classificou de “selvajaria” a actuação de jornalistas brasileiros . Porquê? Porque os jornalistas brasileiros, desconhecendo os costumes brandos da nossa imprensa, rasgaram o código deontológico do jornalismo e ousaram fazer perguntas ao nosso primeiro-ministro , perguntas que não estavam nos cartõezinhos do Luís.

– Em Bruxelas, Sócrates insinua que jornalistas europeus estão ao serviço dos maléficos mercados . Porquê? Tal como os jornalistas brasileiros, os jornalistas europeus são péssimos profissionais e fazem perguntas difíceis.

– Foi preciso um motim de Teixeira dos Santos para forçar José Sócrates a pedir ajuda . Reparem bem: foi preciso um motim do ministro das finanças para que o primeiro-ministro acabasse com o seu teatrinho. Ainda estou para saber como é que isto não dominou as últimas semanas em Portugal. São os mistérios da República do “ó Luís”.

– O primeiro-ministro abandonou o parlamento no início da mais importante sessão parlamentar em décadas. Este desrespeito pelo parlamento não gerou polémica nos jornalistas e nos comentadores. E depois é o povo que não tem cultura cívica.

– O governo quis silenciar a UTAO, essa instituição que já veio desmentir as contas do governo em relação à execução orçamental deste ano.

– O primeiro-ministro mentiu aos portugueses sobre o documento da troika, nomeadamente na questão da TSU.

– O governo não disse a verdade sobre o uso de fundos da Segurança Social para a compra de dívida.

– O primeiro-ministro disse que algumas pessoas que se manifestavam contra o PS eram “pessoas que não sabem o que é a democracia”. Ou seja, uma manif anti-PS só pode ser composta por bandidolas. Aliás, protestar contra o PS devia ser proibido.

 – No debate com Passos, José Sócrates disse que o líder da oposição não devia criticar o governo daquela maneira, porque isso punha em causa o país. Notável teoria política: criticar o governo é o mesmo que criticar a nação. O dr. Salazar ia gostar muito.

– No debate com Passos, Sócrates subia às paredes sempre que Passos dizia “bancarrota”. Sócrates chegou a dizer qualquer coisa como isto: “mas v. está sempre a falar de bancarrota, que mania”. Os contactos com a realidade são, de facto, raros na mente no nosso primeiro. A bancarrota já é um facto (é por isso que pedimos ajuda), mas Sócrates continua a negá-la.

Ainda a propósito de DSK


cadernoelastico,

Por causa deste texto da Carla, pensei mais um bocado no assunto. A questão do silêncio dos media durante este tempo todo, havendo relatos em primeira mão de abusos de DSK, incomoda-me bastante.

 

No Reino Unido, um futebolista teve um affair extra-conjugal com uma modelo. Um jornal ia publicar o “caso”, com nomes, mas não chegou a fazê-lo, porque o futebolista interpôs uma providência cautelar. O jornal pode publicar a notícia sobre um affair, mas sem mencionar o nome do futebolista em causa. Como os homens nunca se comportam como santos, o nome rapidamente se espalhou pela internet, estando agora o tribunal numa posição dúbia: toda a gente sabe quem é o futebolista em causa, mas ninguém o pode escrever num jornal, apesar de um deputado ter nomeado esse futebolista em plena sessão parlamentar.

 

Em França, um político poderoso tinha por hábito fazer comentários lascivos às mulheres com quem privava, colaboradoras ou jornalistas. Falava-se que o referido político até teria ido mais longe que isso, com abusos físicos de cariz sexual, raiando a tentativa de violação, mas o caso poucas vezes transpareceu nos jornais. A perspectiva da comunicação social reflectia a cultura política francesa: abusos ou não (de poder, físicos ou psicológicos), são questões do foro privado. Aliás, as histórias contadas sem grandes pormenores até aumentavam a fama do político: um mulherengo, um sedutor, alguém a invejar.

 

São duas perspectivas radicalmente opostas de comunicação social. Numa, a liberdade de informação é um valor quase absoluto, independentemente da relevância do conteúdo, independentemente das consequências que esse porventura irrelevante conteúdo possa ter. Noutra, a falta de transparência impera, a comunicação social serve o poder e as vontades dos seus políticos, independentemente de estar a encobrir crimes e das consequências que esse encobrimento possa ter para futuras vítimas. A nenhuma ocorre que no meio talvez resida alguma virtude esquecida, a do bom senso. 

 

*By the way, não quero nem vou entrar na discussão da presunção de inocência. Por norma, confio nas instituições (é, sou uma tola), mas não é sobre isso o meu texto.

Evidências que não o são – condição feminina


cadernoelastico,

Surpreende-me que em pleno século XXI ainda seja preciso discutir este género de questões:

1. em Portugal, um violador de uma grávida de 8 meses (pior, um prestador de cuidados médicos) sai impune, porque a juíza considera que não houve violência (é a chamada violação gentil, ou com jeitinho). Como se uma violação não fosse violência suficiente.

2. em Inglaterra, discute-se a diferença entre violação a sério, e violação mais ou menos (parece que há umas que têm vontade de ser violadas).

3. em França (e também por aqui), um homem poderoso é um santo, e tudo o que faz em privado são meros pecadilhos (incluindo a tentativa de violação). A polícia e o sistema judicial são abusadores deste mesmo homem, ou jogadores numa teoria internacional de conspiração. A vítima? Não interessa nada, é só uma empregada de hotel.

 

Um problema europeu? Pois, parece bem que sim. Na Europa, aparentemente é perigoso ser-se mulher. E eu confesso que não o sabia.

Informação gratuita à Geração à Rasca


cadernoelastico,

O FMI, o BCE e a Comissão fizeram bem mais do que seis anos de governo socialista: na página 20 do memorando, propõe-se o subsídio de desemprego para os falsos recibos verdes. Reconhece-se finalmente a existência deste grupo, que paga segurança social, e dá-se-lhe a contrapartida. Apesar da precariedade que é não terem um contrato, ganham finalmente uma rede de segurança, justificada pelas suas contribuições. Podemos votar neles?