Das perseguições idiotas


cadernoelastico,

Então? Podemos começar a espancar esses sacanas que têm cartão partidário, ou as ordens ainda são só para lhes cuspir em cima? 

 

Já agora, recordo aos odiadores profissionais que a nossa democracia representativa, até ver, ainda assenta nos partidos (como, aliás, qualquer outra democracia representativa), e que a militância num partido até é uma conquista das liberdades, e não uma aberração de sacanas sem lei. A participação social, que inclui a militância, é um pilar da sociedade democrática. O problema dos boys não está no governo – onde é suposto eles estarem – mas nas nomeações políticas e partidárias para cargos que nada de político e partidário deveriam ter: administração pública, entidades reguladoras, etc., etc.

Esta perseguição imbecil é só mais um tiro ao lado, que permite a confusão das águas, em vez de denunciar o que há para denunciar.

8 comentários em “Das perseguições idiotas”

  1. Os critérios desta notícia são extraordinários. Rui Machete, meu ex-professor de Direito Administrativo na década de 80 e antigo presidente do PSD, é um ‘boy’: deve ter rejuvenescido consideravelmente desde a última vez que tive o prazer de conversar com ele. O meu amigo António Nogueira Leite, com um longo currículo profissional e político (que inclui o desempenho de funções de secretário de Estado do Tesouro e das Finanças num dos governos de António Guterres) é também considerado ‘boy’.
    Reparo que outro amigo, o João Villalobos, recebe a etiqueta de ‘boy’ por ter mantido uma “prestação de serviços de assessoria em Comunicação Social e New Media, junto do gabinete dos Vereadores PPD/PSD na Câmara Municipal de Lisboa”. É um trabalho técnico, que não implica ter cartão partidário. Mas o rótulo lá está.
    Nesta extraordinária lista, até as ‘girls’ são ‘boys’. Uma delas recebe a etiqueta por ter sido “adjunta do gabinete da secretária de Estado da Educação, Mariana Cascais, no Governo de Durão Barroso”. Outra foi “adjunta no gabinete do Secretário de Estado do Tesouro e Finanças, Miguel Frasquilho e chefe de gabinete da secretária de Estado Maria do Rosário Águas.” Há ainda uma ex-adjunta do secretário de Estado Adjunto e das Pescas, Luís Filipe Gomes, no Governo de Durão Barroso. E por aí fora…
    Bem sei que estamos na estação pateta, mas convinha não abusar. Sobretudo convinha não abusar do preconceito antipartidos. Que é sempre o primeiro passo para justificar uma ditadura.

  2. É preciso “privatizar” o PSD, assim, os “boys” deixarão de possuir esse anátema e então poderão substituir os “boys” do PS responsáveis pela gestão danosa da coisa pública. Quando os militantes do PSD forem todos “independentes” então poderão participar activamente na implementação do projecto político que os identifica.

  3. cada um terá a sua opinião, mas a que mais colhe é a de que o critério para a ocupação de cargos públicos, incluindo os “governamentais”, deveria ser o da competência própria, mesmo dentro do círculo partidário do governo.
    portanto, quando surgem assessores e outros cujo currículo é desconhecido, para além do vinco partidário e uma ou outra vaga ocupação daí resultante, é justo ser chamado de “boy”, mesmo no círculo governamental, e isso é o que mais acontece, juntamente com outras situações de figuras “venerandas” que se eternizam em dezenas de lugares em empresas públicas, e em privadas, e em privadas e em públicas…, consoante os governos vão e vêm.
    o próprio actual governo procurou dar uma imagem de “competência” ao incluir um considerável número de “independentes”, nalguns ministérios mais técnicos (obviamente).
    portanto, o artigo do dn é provocador, mas a teoria da Ana Margarida defende, neste seu post, é a de uma “girl”, na minha opinião.

    1. girl? pois, desde que nasci. mas não se preocupe, não tenho cartão de partido, por acaso, e o que ganho por mês foi justificado num concurso com júri, tendo eu de apresentar relatórios anuais à entidade.

      quanto ao resto, ainda bem que assinalou uma diferença: círculo governamental e empresas públicas. já as privadas são definidas pelos seus proprietários, e nós não temos nada a ver com isso (ex: o bcp, como se viu, foi estúpido em optar por admins como armando vara. agora paciência, a escolha foi deles). mas explique-me lá: se o governo não é uma escolha partidária, para executar uma escolha política, então é o quê? que eu saiba, é obrigatório votar em partidos para o parlamento, de onde resulta o governo.
      quanto às empresas públicas, suponho que leu o parágrafo acima. com certeza que incluo os seus funcionários (que não é bem o mesmo que a direcção) na categoria de gente que nada tem a ver com confiança política.

      1. confesso que não entendo a questão que coloca com “mas explique-me lá: se o governo não é uma escolha partidária, para executar uma escolha política, então é o quê?”
        no meu comentário digo o seguinte:
        “o critério para a ocupação de cargos públicos, incluindo os “governamentais”, deveria ser o da competência própria, mesmo dentro do círculo partidário do governo.
        portanto, quando surgem assessores e outros cujo currículo é desconhecido, para além do vinco partidário e uma ou outra vaga ocupação daí resultante, é justo ser chamado de “boy”, mesmo no círculo governamental.”
        certamente fui pouco claro, mas eu queria dizer que sim, concerteza, nessas situações a escolha partidária é legítima (e até prioritária, se calhar) mas que tivesse como critério também a competência, entre os encartados. e isso nem sempre acontece.
        é a minha opinião.

      2. Boa, Ana Margarida. Que cidadania tão pobre a nossa, que não consegue distinguir entre o bom e o mau uso das prerrogativas democráticas.Pois eu considero fundamental que as pessoas, livremente, dêem a cara, sem esperar benesses, mas afirmando-se, e ‘alinhando’, de cabeça levantada. Isso é que é particicipação cívica. Normalidade. Saúde política. Desconfio sempre de quem não tem opções. Críticos de sofá não constroem um país.

  4. Não querendo estar a meter-me no diálogo.
    Quem é que será penalizado pela má gestão da coisa pública? O partido ou os ministros? Pelo que se vê os boys ” do PS já andam a dizer que não têm nada a ver com o Sócrates e mais até vêm a “terreiro” defender a transparência, … para as nomeações, … e até querem fiscalizar etc e tal.
    Estamos perante a hipocrisia total.
    Penso que o partido do governo é que tem que ser penalizado o que significa que todos mas mesmo todos os que colaboraram directa ou indirectamente na execução das medidas governamentais deverão ser “julgados”. A escolha dos “melhores” elementos para os cargos dirigentes deve ser da exclusiva responsabilidade do partido vencedor, para que depois não venha dizer que sofreu as “forças de bloqueio”

  5. Como definirão então o motorista do ex sec de estado Paulo Campos, esse pilar da transparencia, que levava para casa mais de 4 mil euros por mes? Acho que o Marcelino de preocupado que anda com a agressão do Proença, ainda não deu por isso. De outro modo, já estaria a fazer as parangonas do DN. Por exigencia até do amigo Joaquim!
    Faz-me uma certa impressão como determinadas pessoas que querem ser levadas a serio, se prestam a fazer estes papéis. Refiro-me aos directores dos jornais, e aos editores das tvs.

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