Da revolta


escafandro,

A destruição é atraente. Ver carros desfeitos e prédios a arder. Uau. Qualquer justificação é desnecessária, excepto a oportunidade. Subitamente, pode-se fazê-lo. Talvez não se deseje matar alguém mas não se pensa nisso. Se acontecer, acontece. E se for um polícia, nem conta. Dificilmente os polícias podem ser considerados «alguém». São o factor de risco. O acréscimo de adrenalina. Os filhos da puta e os soldados dos filhos da puta. São a justificação formal, juntamente com a sociedade de consumo, o capitalismo, a injustiça social. Não importa. O que importa é deixar marca. Destruir coisas. Ver prédios a arder e saber que se fez aquilo. Uau. Duplo uau. É a coisa mais fantástica que já se fez na vida – a mais fantástica que provavelmente alguma vez se virá a fazer (mas não se pensa nisso; o futuro é uma entidade abstracta que nada significa). A emoção de ser um fora-da-lei, de conseguir deixar zonas da cidade a ferro e fogo, de obrigar toda a gente a prestar atenção e a borrar-se de medo. E ainda de ver especialistas na televisão e nos jornais explicando que há motivos válidos para os actos. Que estes são cometidos por pessoas que devem ser ouvidas. Que têm ideias. Uau. Fucking uau.

 

Mas já agora, que estamos numa de vandalizar e assaltar lojas, que sejam de material electrónico, de modo a poder levar-se para casa um iPad ou uma PS3. No fundo, é o que verdadeiramente se deseja.

25 comentários em “Da revolta”

    1. Roubou-me o comentário. Ia a dizer qualquer coisa parecida com isso. Ia dizer isto:
      No fundo, o que verdadeiramente se deseja
      Foi desejo caído do céu, colocado numa bandeja
      (os guetos, a violência, o acesso aos ícones da moda e ao sagrado consumo, os-sem-salário , não resultam de causas políticas. O que os putos querem é dar nas vistas. Há quem diga…)

  1. É impressionante ver o contorcionismo de certos comentadores, incluindo alguns blogueiros, em busca de pretextos “políticos” para justificar actos de vandalismo e pilhagem. Aparecem como cogumelos nestas ocasiões. Vivessem eles na Roma antiga e emocionavam-se com a lira de Nero ao contemplar as chamas.

    1. Ora bem.
      Nada como um Ipad para compensar o “Capitalismo” a “sociedade de consumo”, os milhares de milhões de impostos gastos no social.

    2. Tudo serve, Pedro. Desde que, de alguma forma, encaixe na narrativa. Não tenho grandes dúvidas que, dentro de dois, três ou dez anos, alguém há-de mencionar os “motins de Londres” como se tivessem tido profundas motivações políticas. A História é uma de várias possíveis ficções.

  2. Se é um facto que estes actos não são justificáveis, a verdade é que devem (diria mesmo, têm que) ser compreendidos. Estes motins/distúrbios/destruições não nascem do nada. Há algo que os provoca. E isso deve ser compreendido para que não se volte a repetir.

    1. Lamento, mas não. Estes actos não têm de ser compreendidos. Que as desigualdades sociais mereçam atenção e combate (mas como, em países falidos em que toda a gente se acha com direito a tudo?), com certeza. Mas estes actos – convocados por Blackberry, atingindo gente remediada – não podem ser compreendidos nem desculpados.

      1. Não podem ser desculpados, mas DEVEM tentar ser compreendidos. Algo semelhante aconteceu em PARIS, com incêndios de carros, está agora a acontecer em LONDRES. É curioso que em ambos os casos aconteceu com JOVENS e não estou tão a par do caso de Londres, mas se calhar, tal como em Paris, são igualmente descendentes de imigrantes. A forma como o poder local / central relega as responsabilidades e coloca tudo num bairro com piores condições, agrupando-os e desta forma potenciando estes acontecimentos, se calhar deveria ser pensada (e compreendida). Obviamente que as coisas não são tão redutoras e existem mais factores que levam a estes fenómenos, mas para além duma crise de valores tremenda que assistimos no mundo actual, há também uma crise financeira e um sem número de problemas, que os gadgets muitas vezes vão controlando e entretendo as pessoas. Mas um dia as necessidades básicas tb atingirão uma parte significativa do mundo ocidental, os gadgets deixarão de “entreter” o suficiente esses ocidentais e revoluções como esta, passarão a ser cada vez mais recorrentes. É curioso que os culpados da crise são intocáveis, mas as pessoas não passam de números. Tudo em prol das economias de cada país. Vão atrás das Trioikas e das Moody’s e daqui a pouco andamos todos mas é à porrada nas ruas… Obviamente que é de lamentar que inocentes sejam apanhados no meio de selvagens… Mas também se deve tentar COMPREENDER como foram gerados esses “selvagens”, que mais não seja, para não voltarem a ser gerados. Ou acreditam que os “selvagens” também nascem de geração espontânea!(?)

        1. Se reler o meu post, talvez perceba que eu até os compreendo. Posso é não obter as mesmas explicações que você. Onde você razões de fundo, eu recuso vê-las. A maioria destes jovens vive melhor do que os pais (provavelmente do que os meus pais) alguma vez viveram. E, no entanto, acham-se com direito a tudo o que vêem. Acham que a sociedade lhes deve emprego estável, habitação, gadgets e felicidade. E, como a insatisfação se tornou algo que ninguém parece saber gerir hoje em dia, aproveitam as oportunidades para exprimi-la. Porque, de facto, a violência é atraente. Sempre foi. Destruir dá tanto ou mais prazer do que construir – e exige muito menos esforço. Que é outra coisa a que pouca gente está disposta, hoje em dia, nas sociedades de consumo.

      2. Acho que não me entendeu. Quando escrevo que têm que ser compreendidos não os estou de forma nenhuma a desculpar. O que quero dizer é que têm que se compreender o que os causou, quais são os motivos. Mesmo que sejam motivos idiotas (poderão ser meia dúzia de energúmenos à espera de uma qualquer desculpa para acender o cocktail molotov), é preciso saber aquilo que fez começar isto tudo. Por forma a que, da próxima vez, se possa evitar.

        Só para esclarecer ainda mais: quando escrevo “compreender” é da mesma forma que tem que se compreender o que moveu uma nação como a Alemanha a começar a II Guerra Mundial e a causar o Holocausto. Terão sido os maiores crimes da História da Humanidade (talvez, há outros candidatos), mas até por isso é preciso evitá-los. Digamos que é como as doenças.

        1. João: ok. Eu percebo o que quer dizer. Mas faça-me o favor de ler a resposta ao comentário acima. Eu acho muito bem que se tomem medidas para diminuir a injustiça social (mas a única eficaz é o crescimento económico e esse é difícil em países sobreendividados, e que o estão em grande medida por causa do peso das despesas sociais a que muita gente se habituou) mas não aceito que isso sirva para “compreender” estes actos. Não mais do que os de uma pessoa que, exasperada pelo trânsito, saia do carro e desate a destruir os veículos mais próximos.

    1. «O investigador lembrou que uma das “principais reivindicações é que querem emprego, querem protecção, [mas] isso acabou e já não há”, tendo as “pessoas de se qualificar, para terem mais acesso.

      José Vegar justificou que a “cultura profissional e laboral dominante em Portugal é a de ter direito”.

      “Por muitas qualificações que as pessoas tenham hoje em dia, o acesso ao emprego não é automático, só os melhores vão ter acesso”, o que aumenta a probabilidade de contestações e problemas sociais.

      No caso inglês, “há uma extrema tolerância pelos pensadores, especialistas e académicos classificando os acontecimentos de movimentos sociais”, o que é na óptica do “totalmente absurdo”, porque os contestatários estão a “roubar, pilhar, e a destruir indiscriminadamente”.»

      Não sou o Pedro Correia mas, passando por cima das falhas de edição do texto, acho que faz todo o sentido.

  3. Eu percebi que o autor deste post não era o Sr Pedro Correia, mas dirigi-me a ele porque achei a sua generalização no mínimo leviana. E passo a citá-la:

    «É impressionante ver o contorcionismo de certos comentadores, incluindo alguns blogueiros, em busca de pretextos “políticos” para justificar actos de vandalismo e pilhagem. Aparecem como cogumelos nestas ocasiões. Vivessem eles na Roma antiga e emocionavam-se com a lira de Nero ao contemplar as chamas.»

    É que se calhar há outros que acham «impressionante ver o contorcionismo» que «certos blogueiros» fazem em busca da desculpabilização de certos governos e governantes, suas políticas e clientelismo.

    Se calhar, outros há que acham impressionante que meia-dúzia de papalvos que se safaram bem na vida, porque têm conhecidos bem sentados, se estejam agora a borrifar para a sociedade que os serve. E que só pensem em números pelo bem das finanças da nação. Ou porque mais 2% de IVA aqui, mais 6cent de gasoleo ali, um aumento da electricidade ou dos transportes, afinal nem os afecta assim tanto!…

    É muito fácil pensarmos que a vida é um mar de rosas quando as coisas nos correm bem, o pior é sabermos colocar-nos no lugar de quem não tem assim tanto a perder.

    Reforço, não estou de acordo com estes motins. Mas devemos tentar compreendê-los. Que mais não seja como um acto de inteligência, para de futuro sabermos evitá-los, ou em último caso, minimizar as suas consequências…

    1. Chama-se a isto chutar para canto. Fala-se dos motins e do vandalismo no Reino Unido, em que as principais vítimas são membros das classes trabalhadoras, e vem você falar do aumento do IVA. Isso significa o quê? Que as “crianças” munidas de Blackberry enquanto praticam pilhagens nas cidades britânicas pagaram um preço mais elevado pelos sofisticados aparelhinhos?
      Volto ao ponto inicial: justificar politicamente actos criminosos é ser conivente com esses crimes. Equiparar revoltas em democracia com actos de rebelião em ditaduras é uma profunda desonestidade intelectual. E vislumbrar gestos “revolucionários” nas pilhagens é de uma ignorância política atroz. “Compreender” é bonito. Mas espero que nunca ninguém lhe queime a casa ou o carro. Se isso acontecesse, nem quero imaginar como seria cansativo para si “compreender” esses desmandos.

      1. E eu espero, Sr Pedro Correia, que nunca seja apanhado no meio de um motim desses com a sua familia, só porque pessoas como o Sr acham que estas coisas não devem ser COMPREENDIDAS.

        Há entre várias, uma coisa que eu apesar de ter reforçado, parece que o Sr não percebeu. Não estou a desculpabilizar estes actos, simplesmente, acho que a classe política também tem culpa e é urgente que estes actos sejam compreendidos.

        Aliás, não sei se se recordam, numa praia da zona de Cascais, não há muitos anos, existiram o que se apelidaram na altura de “Arrastão”… Um “Arrastão” não deixa de ser algo de menor dimensão mas comparável a isto.

        O Sr Pedro Correia teima em persistir em preocupar-se com a sua própria segurança. Não deixando esta de ser uma necessidade de qualquer humano, relembro-o que existem necessidades mais básicas, como a alimentação, e o trabalho.

        Digo-lhe também, porque parece óbvio que o Sr desconhece, que em Bairros pobres existe muita droga e esta se calhar esta não é barata, existem muitos “blackberry” e estes não são baratos, existe Nike, Adidas, Levi’s… E tudo isto não significa que as pessoas tenham possibilidades. A diferença entre si e essas pessoas, é que o Sr eventualmente pode ter as marcas e os gadgets quando quiser. Mas estas pessoas sem recorrerem ao crime (roubando ou comprando roubado) jamais o conseguem ter.

        Portanto, dizer que o facto de possuirem “blackberry” é sinónimo de que vivem abunadamente, é no mínimo um desconhecimento duma realidade, e ainda bem para si, além do mais é uma bacocada total!

        1. Duas notas (vá, três):

          1. Os gadgets não são um direito; eu não tenho um iPad nem um iPhone (nem um BlackBerry) e fico verde de inveja quando vejo passar alguém ao volante de um Aston Martin – mas ainda não fui dar umas marretadas na montra da Aston para tentar tirar um lá de dentro.

          2. A classe política tem culpa. Especialmente de ter andado a iludir as pessoas, ajudando a gerar uma economia não assente na realidade mas na dívida, fazendo muita gente pensar que nunca mais passaria por dificuldades.

          3. E se ler com atenção este blogue (ou, no meu caso, que só aqui estou há três meses, o meu: http://escafandro.blogs.sapo.pt/), vai encontrar muito pouca “desculpabilização de certos governos e governantes, suas políticas e clientelismo”. Pode é não concordar com as soluções avançadas mas isso é normal em democracia.

          1. Desde já agradeço o facto de ter apagado o meu 2º comentário, repetido por lapso.
            Depois, deixe-me dizer que concordo com os 2 primeiros pontos que referiu. Quanto ao 3º, existem demasiados contribuintes neste blog para acreditar totalmente nessa premissa. Até porque não leio todos os posts aqui apresentados, no entanto, também não a estou a refutar…
            No seu caso particular, fico contente que tenha feito questão de se afastar dos blogueiros «coniventes» com as políticas mais recentes e sobretudo ,com o clientelismo praticado pelos nossos (des)governantes. Basicamente, isso foi também o que tentei mostrar quando referi que a generalização do Pedro Cordeiro era sem sentido. Aliás, como a maioria das generalizações. Para mais quando usadas para rotular pessoas, apenas porque não partilham da mesma opinião. Seja ela a minha, a sua, a do Pedro Cordeiro, ou outra pessoa qualquer…Por isso, fiz questão de exemplificar também com uma generalização antagónica e igualmente sem sentido para ver se também não se «sentiam».
            Aliás, costuma-se dizer que «quem não se sente, não é filho de boa gente»…
            Quanto às suas considerações, eu também não tenho um «Blackberry» entre outros gadgets, mas também, eu não sou mais adolescente… E enquanto o fui, porventura se usasse o argumento «de os meus amigos têm e eu não» para «manipular» os meus pais, ganharia certamente as mesmas… Mas a sociedade evoluiu, os adolescentes de hoje, não são os mesmos que nós fomos. No tempo dos meus pais, por exemplo, havia emprego para a maioria e para toda a vida. A conjuntura mudou, e nessa óptica a sociedade também, assim como as políticas e economia (globais). Os valores mudaram drasticamente. Se estivéssemos a falar de regimes ditatoriais, se calhar não poderíamos falar de uma evolução tão rápida. Mas felizmente estamos a falar de regimes democratas e por conseguinte, de sociedades de transformação mais célere.
            Não faz sentido tentar COMPREENDER o que falhou durante este período?
            Não tentar compreender as razões do que se passou, INDEPENDENTEMENTE dos culpados, é ignorar o que aconteceu e por conseguinte voltar a potenciar acontecimentos idênticos. Isto parece-me demasiado óbvio. E foi por isto que me insurgi! Assim como é igualmente óbvio que os criminosos devem ser devidamente punidos. É exactamente a mesma coisa!!!

          2. Sr. AJM: em primeiro lugar agradeço que não me chame cordeiro, coisa que nunca fui. E carneiro muito menos.
            Diz você que “existem necessidades mais básicas, como a alimentação e o trabalho”. Ora aqui começamos finalmente a estar de acordo. Os saqueadores no Reino Unido estão a roubar postos de trabalho e o ganha-pão a muita gente ao vandalizarem e inutilizarem centenas de estabelecimentos comerciais em várias cidades do país. Choca-me ver gente tão sensível à temática “social” fechar os olhos a esta realidade elementar: sem segurança não existe liberdade.
            As democracias na década de 20 e de 30 começaram a ceder lugar às ditaduras precisamente por “compreenderem” em excesso os motins de rua. Os incendiários começam por partir lojas de qualquer um. Depois partem só as lojas dos judeus. A seguir marcham em direcção a Roma com camisas negras. Finalmente, queimam o Reichstag.
            “Compreender” a História e as lições que ela nos fornece ajuda a enquadrar melhor tudo isto. E não pode haver posições ambíguas nesta matéria.

          3. Peço desculpa pelo Cordeiro, não era intensão, Sr. P.Correia. De qualquer forma não pretendi fazer analogia nenhuma com o Cordeiro/carneiro, assim como também não farei com o Correia, até porque já se falou aqui em liberdade e democracia/pensamento livre…

            Acho que voltou a não perceber o ponto de vista do “ter que compreender” e cisma em querer misturar com o “não ter que punir”.
            São coisas totalmente distintas!
            Para mim uma coisa não tem nada a ver com a outra. Inclusive, acho que qualquer pessoa minimamente inteligente percebe que estes indivíduos DEVEM ser punidos…

            O ser premente compreender, se calhar servirá para no futuro não se cometerem os mesmos erros sociais, políticos, económicos. O ter que punir é um dado adquirido, que se pratica desde as civilizações mais remotas, e é praticado sobre qualquer individuo que viola uma ou mais leis de determinada civilização/sociedade! Acho que esta premissa nem vale a pena falar dela de tão óbvia que é!

            O Sr Correia está a querer acabar com o trabalho dos sociólogos(?)… (lol)

            É que depois da sua afirmação a dar a entender que ninguém se lembra das vitimas desses arruaceiros, só poderei interpretar o seu comentário em tom de brincadeira.

            É que às páginas tantas ainda parece estar a querer sugerir que a história das décadas de 20 e 30 têm tudo a ver com a sociedade actual e portanto está tudo “compreendido”. Aliás, todos nós já ouvíamos falar da UE, agências de rating, Moody’s e Troikas desde essa altura… Basta consultar qualquer manual de história para se perceber isso!… E se procurarmos bem, com um pouquinho de sorte ainda encontraremos lá um Bin Laden e um Obama dos anos 20. 😉

  4. Concordo em absoluto, Jaa. Destruir é atraente, fácil e dá nas vistas. E acrescento: qualquer tolerância com estes actos selvagens, de pura ganância e provocação cega, de “destruir por destruir”, é um profundo desrespeito por outras lutas e protestos – de rua, inclusivamente – em nome de uma causa, mesmo que errada.
    Estamos a falar de miúdos que atacam bombeiros em acção, gente que arrisca a vida para apagar os incêndios que eles próprios atearam só para se divertir; que pontapeiam até à morte os donos das lojas que já pilharam; que tudo o que querem é sacar o mais possível no meio da confusão, doa a quem doer; que destroem tudo à sua passagem, em nome de nada…
    Reflectir sobre as sociedades que criámos é importante e deve ser feito, evidentemente. É trabalho para muitos anos e muitos especialistas. Mas, para já, há que punir esta pura selvajaria totalmente gratuita!

    1. Precisamente, Ana. Chamar a isto manifestações é meter no mesmo saco manifestações verdadeiras, com ideias e propósitos definidos, que podem ser afirmados e contestados. Aqui não há ideologia, a não ser a que alguns – muitos no conforto das suas casas ‘burguesas’, em frente a MacBooks reluzentes – tentam criar para justificar – e aproveitar -estes actos.

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