Serem capazes de transformar


Pedro Correia,

 

Existe um blogue onde há quem considere que “a Noruega não é um exemplo de tolerância, de democracia e de respeito pelos direitos humanos”, que o recente massacre ali cometido foi “um alívio para os resistentes islâmicos, árabes, povos do médio oriente, oprimidos pelo imperialismo europeu” , e constituiu até um aviso a “quem semeia ventos”.

Existe um blogue que, celebrando os “levantamentos nas praças insurrectas”, enfia Atenas e Damasco no mesmo saco e – pela mesma lógica – enaltece as pilhagens em Londres, Birmingham, Liverpool e Bristol, confundindo-as com actos revolucionários.

Existe um blogue onde se escreve neste português extraordinário: “Se não forem experimentadas novas formas de vida colectiva, reinventada a revolta e os indignados serem capazes de transformar o espontaneísmo do movimento em militância organizada, a resistência forjada por modernas vinhas da ira continuará distante do clássico do homem novo que teimosa e vagarosamente se arrasta no ventre das ideias generosas.”

Que blogue é? O do costume. Verdadeiramente inimitável.

Foto: Leon Neal (AFP) 

23 comentários em “Serem capazes de transformar”

          1. Ah, isso aí já concordo 😉

            Agora, quando um grupo significativo de animais sociais manda às malvas uma parte significativa das regras que tornam a comunidade viável, nem o problema nem a solução do problema pode ser simples.

  1. Já não é a Ana Vidigal a fazer de corrector ortográfico?

    Quanto ao resto é assim a vida. Uns incapazes de surpreender, outros inimitável. Uns no governo, outros na oposição.

    Vai um passeio a Londres ou prefere Birmingham ou Cardiff?

    1. Há uma expressão do Álvaro Cunhal (e que deu título a uma das suas obras) que associo ao Renato Teixeira e outros inquilinos do ‘5 Dias’: radicalismo pequeno-burguês de fachada socialista.

  2. É incompreensível que esta gentalha use tudo para justificar aquilo que eles querem como o “clash” da Revolução Socialista e da revindicação contra o capitalismo. Não. Isto é crime. O que se está a passar. Há pessoas que já morreram, há pessoas que vão morrer. Não estamos a brincar ás revoluções nem ás greves. Estamos a falar de pessoas normais que estão a ser atacadas nos seus negócios, nas suas casas. No meio disto tudo, fico orgulhosa por ter amigos que me disseram que vão sair das cidades onde estão a estudar para irem para Londres ajudar à recuperação da cidade. Se eu pudesse faria o mesmo. É VERGONHOSO que haja gente na blogosfera, de esquerda ou de direita, que tome estas posições. Isto não tem a ver com ideologia, isto é PURO FANATISMO.

    O que nos vale são os Londoners como já alguém disse. Os ingleses não tem na sua natureza desistir. Podem deitar tudo abaixo. Mas eu garanto a esta gentalha, que vão haver muitas mais pessoas para voltar a pôr de pé.

    1. As viaturas utilitárias, as lojas modestas e as habitações que estão a ser queimadas são, na esmagadora maioria, de gente da classe trabalhadora, da classe média-baixa, de imigrantes. A claque ululante cá do sítio, que vibra com os acontecimentos à distância como se estivesse a jogar ‘playstation’, ignora por completo esta questão. E ainda se diz de ‘esquerda’…

      1. Pedro nem a propósito. Um amigo meu acabou de me telefonar e depois de eu lhe contar desta opinião de parte da nossa esquerda, ele disse: One would almost think that these morons were attacking Harrods.

  3. Isto não ficou bem, Pedro.
    Este não é o único blogue que defende estas “teses” e outras do género.
    Há mais.
    E hoje, num dos blogues que sigo (seguia??), apanhei uma desilusão.
    Ter ideias e opiniões diferentes é saudável.
    Quando se falta ao respeito a outros, inaceitável.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *