E o reaccionário sou eu?


cadernoelastico,

Há coisas que nunca mudam. Ontem a Sic passou uma Grande Reportagem sobre gente que tinha dado a volta ao desemprego. Basicamente, apresentava casos de sucesso de gente que se recusou a desistir face à perda de emprego: um casal montou uma carrinha de lavagem de cães e gatos, outro montou uma empresa de limpezas, três ex-operários compraram as máquinas da fábrica fechada e são agora exportadores, e por aí fora. Nenhum omitiu a dificuldade da nova situação, nenhum falou em mares de rosas. Trabalham agora sete dias por semana, com uma responsabilidade enorme em cima dos ombros, mas trabalham. E levam dinheiro para casa. A jornalista resolveu perguntar então a um líder ou porta-voz da CGTP o que pensava do assunto. A resposta foi alucinante: do alto de um paternalismo inenarrável, o tal sindicalista (com emprego certo, pois então) dizia que nem todos podem ser empreendedores, e que criar empresas é muito complicado, porque estes trabalhadores ganham esperanças e depois podem perder tudo de novo. Terminava dizendo que ainda é mais difícil dado que passam à condição de patronato, e toda a gente sabe o que isso quer dizer. Eu juro que não entendo. O reaccionarismo daquela cabeça bolorenta é tanto que prefere o desemprego ao sucesso. Pobrezinhos, mas honrados, que isso de ser patrão é coisa para cair no inferno. E pobrezinhos, mas honrados, porque ninguém deve sair do seu cantinho de operário ou de empregado. A ordem social existe por algum motivo, não é para ser alterada. Já agora, a taxa de insucesso destes novos empreendedores é de 7% ao final de dois anos. Quer isto dizer que 93% garantem o seu próprio emprego, quando não criam até emprego para outros. Mas para os nossos sindicatos são uns traidores da sua situação de pobrezinhos. Ah, Salazar, Salazar, ainda estás em tanto lado.

8 comentários em “E o reaccionário sou eu?”

  1. É simples: esses 97% de sucesso (aliás, nº enorme, gigantesco) deixam de votar nas alimárias da esquerda. certo e sabido. Como sabido é o dirigente da CGTP que está apenas a tratar da vidinha dele.

    1. É omisso no seu texto o facto de que para constituirem esses negócios beneficiaram, quase todos, de subsídios e derivados do estado/UE.

      Se o estado não tem de garantir emprego a ninguém, também não tem de garantir criação de emprego a ninguém.

      São os meus dois cêntimos.

  2. Cara amiga: já sabe k lhe escrbvo de Lyon. Logo, não vi o Programa. Mas, imaginei-o. Como se o tivésse visto aqui, há uns anos. Porque agora, até me suprimi a TV, para ganhar tempo! Mas, voltando ao assunto. Trabalhbi há muitos anos na Formação Profis. e Continua. Formei muita gente à Criação de PME/PMI. Sei, k criar 1 empresa exige muito esforço e investimento pessoal. Sei ainda k, mesmo se ela se criou e tem clientes, ela exige trabalho criando stress. E sei ainda, k o criador k veio do desemprego, tem maior motivação e, melhor compreensão do mundo! Quanto aos sindicalistas, eles não podem ver, nem acreditar, num mundo que desconhecem. Eles, vão imaginar um patrão, nâo os desejos, competências e força de vontade, em homens e mulheres k desconhecem¡

  3. Há coisas que nos ajudam a perceber melhor porque é que Portugal é um país pobre e que não consegue sair da cepa torta. Quando alguem quer melhorar a sua vida, (neste caso a poder trabalhar) há logo quem se oponha por palavras, ou até por actos. Creio que os desempregados podem receber de uma vez o subsidio de desemprego a que teriam direito, para investir num novo modo de vida. Vi um dia destes uma estatistica que aponta para apenas cerca de 10% de desempregados que aproveitam esta situação. É pena, devia ser ao contrario: um aproveitamento de 90%, e o país estaria certamente melhor do que está.

  4. O Salazar tem as costas tããããããããão largas…
    Vem de longe, minha querida, de muito longe… Ainda tou pra saber como é que descobrimos o mundo, juro, com mares tão perigosos e desconhecidos pela frente…

    Bjos, pá, sódades tuas 😉

  5. Isto lembra-me uma pergunta que o Ricardo Araújo Pereira fez em tempos ao Jerónimo de Sousa, qualquer coisa como isto: “Então se um simples empregado assalariado um dia se tornar dono da sua própria empresa, a partir de que volume de vendas é que vocês deixam de gostar dele?”

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