Manhã de nervos. Prova de fogo. Teste com fogo real. Pelo visto, a coisa está mesmo muito séria. Nestes momentos, sinto-me um bocadinho envergonhado por não cumprir aquilo que parece ser o meu dever patriótico. Tendo em conta estes títulos, e outros do género, lidos na imprensa e ouvidos na rádio, por esta hora o meu coração devia alternar entre palpitações, arritmias e taquicardias. Nos dedos das mãos já não deviam existir unhas para roer. E o chão à minha volta devia estar atapetado por cabelos arrancados a esmo. Todavia, nada disto acontece. Esforço-me quanto posso, mas não consigo angustiar-me com o drama que envolve a eleição de Fernando Nobre. Não consigo, pronto. Agora, que confessei esta culpa sinto-me ainda menos angustiado. Lamento muito. Dito isto, estou pronto para aceitar as consequências. Julguem-me por falta de amor à pátria se a tanto se sentirem obrigados. Peço apenas a realização de três desejos derradeiros. Antes de ir a Tribunal, pretendo ser julgado pela opinião publicada de forma sumária, bárbara e expedita. Até trânsito em julgado da sentença que vier a ser proferida, não aceito qualquer limitação aos meus direitos. E, hoje em dia, não se nega a ninguém o direito a um julgamento na praça pública. O segundo pedido é o de o processo em Tribunal decorrer com as delongas próprias do nosso sistema judicial. Tudo o que seja uma condenação antes de decorridos sete anos sobre a constituição como arguido parece-me um abuso. Para além do mais, esse será o tempo necessário para que um dos auditores que foi apanhado a copiar no CEJ possa ascender ao Supremo Tribunal de Justiça. A Justiça dos Deuses far-se-á a seu tempo. De momento, pretendo que o meu veredicto seja assinado por homens ou mulheres cheios de defeitos como eu. O ultimo pedido relaciona-se com uma ideia de justiça relativa. Não quero ir sozinho. Os milhões de estarolas que hoje estiveram no trânsito a ouvir o Café da Manhã ou as pilhérias do Vasco Palmeirim na Comercial também se devem sentar no mocho. Vi-os na fila, ao meu lado, tão despreocupados com a eleição do Nobre como eu. E isto é assim. Ou há moralidade, ou comem todos.

não percebo esta discussão à volta de Nobre.
Acho que o CDS não vai faltar à chamada.
Solidariedade institucional em primeiro lugar.
Nem eu, Francisco. Parece-me que temos outras prioridades em que focar a atenção nesta altura.
é um alarido inutil, até porque Passos Coelho tem consciência daquilo que faz e tambem do barulho que se ia criar.
Este país não está habituado a mudanças, e se NObre for eleito será uma mudança radical no sistema.
A questão é que Nobre sempre teve um discurso contra os politicos e agora está prestes a ser a segunda figura do Estado.
Tudo isto é um bocadinho tonto, Francisco. O país a arder e os barões continuam entretidos em jogos palacianos.
Caro Rui, todos os seus desejos vão ser atendidos. Até nem pediu muito.
Para a semana ninguém se lembra do episódio e nos próximos anos estamos todos em julgamento. Uns no mocho, outros de toga e outros de beca. Todos com pena suspensa!
É bem capaz de ter razão, José. Gostei de o rever por cá.
Não lamente,eu também não votaria nele.Seria voltar atrás,ao tempo do facilitismo do outro que nem quero escrever o nome para não contaminar o ar que está mais puro.
Seria muito Nobre se renunciasse.
Pois, o facto de Nobre não ser eleito também é para o lado que durmo melhor, Isabel. E também dormiria bem se fosse eleito.