Às vezes o umbigo é uma coisa tramada. Fui verificar ao site da Carris quanto custa um passe mensal urbano e de rede. Agora, com os aumentos, custa, respectivamente, 27,50 € e 32 €. A Carris é uma empresa de transportes altamente subsidiada pelo governo central, que sempre controlou os preços.
Querem então saber quanto custa um passe nos SMTUC, empresa de autocarros de Coimbra, que recebe zero euros anuais do governo? Está, neste momento, nos 35 €. Isso, mais 3 euros que o passe de rede da Carris. As pessoas de Coimbra são mais ricas que as de Lisboa? Não, está visto que não: com dados de 2004 (base=100), Coimbra estava nos 132,47, enquanto que Lisboa atingia uns muito confortáveis 277,93.
Lisboa (e Porto) estão a responder, finalmente, quase aos mesmos critérios que o resto do país, que, com serviços muito piores, sempre pagou bem mais pelo mesmo tipo de bem. Welcome to the club, amigos.

Péssimas administrações levam a isso, mais dinheiro não resolve. É caso de polícia.
Há duas coisas que podem infirmar este post.
(1) Os transportes coletivos de Coimbra não recebem, de facto, nada do governo, mas possivelmente recebem da Câmara Municipal de Coimbra, de quem dependem (não sei se estão concessionados ou não a uma empresa privada, mas mesmo que estejam é possível que sejam subsidiados pela Câmara).
(2) Os transportes coletivos de Coimbra têm uma rede que possivelmente difere muito, em extensão, da da Carris lisboeta. Enquanto a Carris abarca uma ampla cidade, os transportes conimbricenses têm uma urbe muito menor, mas possivelmente servem também aldeias das redondezas.
Info adicional:
– sim para a primeira, porque os transportes de Coimbra são uma empresa municipal.
– sim para a segunda, a rede é alargada, e não só urbana.
Relatório e Contas dos SMTUC de 2009 (o último disponível no site do IMTT:
– Com a adesão voluntária aos passes de estudante 4_18@escola.tp, em 2008, e sub23@superior.tp, em 2009, os SMTUC passaram a ter direito à comparticipação financeira da Administração Central estabelecida nos seguintes moldes: em 2009, o valor da comparticipação a Receber por cada passe mensal vendido (5,50 €) corresponde à diferença entre o preço do passe de estudante dos SMTUC (23,00 €) e 50% do preço do passe social geral dos SMTUC (35,00
€/2=17,50 €, valor pago pelo estudante).
– Assim, durante o ano de 2009 os SMTUC mantiveram a política de renovação de frota, que só foi possível com o apoio financeiro da Câmara Municipal de Coimbra e do Instituto de Mobilidade dos Transportes Terrestres (IMTT).
– Durante o ano de 2009 entrou também em circulação um novo troleicarro, comparticipado pelo IMTT e pela Câmara Municipal de Coimbra.
– O aumento do Activo Bruto foi financiado do seguinte modo:
• Administração Central no âmbito do Acordo de Colaboração Técnico-Financeiro n.º 30/06/PIDDAC IMTT – Aquisição de um troleicarro – 182.250,00 €;
• Administração Central no âmbito do Acordo de Colaboração Técnico-Financeiro n.º 24/08/PIDDAC IMTT – Aquisição de quatro veículos pesados de passageiros – 274.024,48 €;
• Administração Central no âmbito do Acordo de Colaboração Técnico-Financeiro n.º 07/09/PIDDAC IMTT – Aquisição de quatro veículos pesados de passageiros – 150.413,76 €;
• Câmara Municipal de Coimbra – Aquisição de um troleicarro – 200.000,00 €;
• Fontes de financiamento internas – € 620.485,40 €.
Os SMTUC têm um papel estruturante na mobilidade das populações do concelho e, a política de transportes definida pelo município foi sempre, e continua a ser, no sentido de incentivar os munícipes à utilização do transporte público, sendo o seu principal instrumento a utilização do Passe Social, com tarifas adequadas aos diferentes perfis dos utilizadores em função das suas condições sócio-económicas, idade e ocupação.
Para minimizar os efeitos dessa política social praticada pelos SMTUC a Câmara Municipal assegurou em 2009 e à semelhança dos anos anteriores transferências mensais a título de Subsídios à Exploração.
Mais havia naquele Relatório e Contas acerca das comparticipações públicas nos SMTUC, mas deixo à autora do post para os ir ver.
Aliás, uma das queixas dos SMTUC é precisamente sobre a não transferência de fundos por parte da Administração Central para compensação das tarifas sociais, coisa de que a Carris também se queixa e que explica em parte os défices crónicos destas empresas.
Relembro que os SMTUC também gerem os parquímetros e aparentemente alguns parques automóveis da cidade.
Obrigada pelo seu comentário. Fui então induzida em erro pelos autocolantes na parte de trás dos autocarros, e por diversas notícias em jornais locais.
De nada,
É o que dá basear as informações em jornais…ir sempre à fonte, ir sempre à fonte…
Apanhamos destas surpresas frequentemente. O fornecimento de água, por exemplo. É muito mais caro nos pequenos municípios adjacentes das cidades maiores (e falo de Coimbra, para cotejar com exactidão, e nos burgos anexos). Sei do que falo, porque sou pagante nas 2 coordenadas administrativas. Mera questão de massa crítica, ou seja, de dimensão. Nada demais, para um português informado. É uma questão de tamanho. E de número de divisores. Muitos nem fazem a menoir ideia…
A verdade é que quem compra o passe em Coimbra ou em Lisboa gasta mais em Coimbra e por zonas mais pequenas. Andam a berrar pelo aumento em LX quando continuam a pagar menos que cá. E cá acabaram com a Linha da Lousã e a linha da Figueira foi diminuída. Além disso para sair de Coimbra por estradas de jeito é A1 para Norte ou Sul, A14 para a Figueira e o perigoso IP3 para o interior ou a velhinha estrada da Beira. Temos ou que pagar ou de ir em estradas dos anos 50. Em LX têm a A2 de graça desde o Fogueteiro, a A5 desde Oeiras, não pagam na Cril nem no IC 19 e na A1 desde Alverca também não. Há um anel com mais de 20 km em que só pagam nas pontes, têm inúmeras alternativas de transportes públicos entre Metro, Carris e Refer , pagam menos, mas ainda se queixam!!!
Ah Calimeros !