A Finlândia tem um sistema partidário antigo, estabelecido depois da Segunda Guerra Mundial. Sofreu alterações entretanto, com entrada de partidos novos como o True Finns, mas a base foi a mesma durante muitos anos: um partido de centro-esquerda (social-democrata), um de centro (Keskusta) e um de centro-direita (Kokoomus). Uma série de partidos menores completam o sistema. Frequentemente, os votos eram distribuídos pelos três maiores, de maneira quase igual. Para evitar a instabilidade de governos minoritários (que também aconteceram), o processo negocial que se segue às eleições é duríssimo, e praticamente inevitável. Isto levou às combinações mais estranhas, aos olhos de uma “freguesa” do sistema português: o partido centro-direita já se coligou com o partido do centro-esquerda, sem o centro (1987); o partido do centro coliga-se com o centro-direita, deixando de fora o centro-esquerda, mas incluíndo o Bloco de Esquerda local (1991); e finalmente o centro e o centro-esquerda também já se coligaram (2003). Estas são apenas algumas das combinações mais coloridas, que demonstram bem o espírito negocial finlandês. A ideia é a negociação, numa lógica de diálogo, por mais difícil que seja, para que todos tenham vantagens no final (incluíndo a nação, que ganha um governo estável e firmemente apoiado no parlamento).
Agora, imaginem estes arco-íris negociais no panorama português…

Quer dizer não há nenhum partido de direita, sem que seja apelidado de extrema-direita ou nacionalista xenófobo? É igual ao nosso país.
Eu sabia que em Portugal a direita também não existia.
Nós cá já vimos o PSD coligado com o PS, o CDS coligado com o PSD e o CDS com o PSD. Falta ver o PS com o PCP e/ou o BE, o que parece lógico – mais lógico que o CDS com o PS.
Curioso, não?
Já vimos o PS coligado com o CDS.