O título diz logo tudo: «Conselho regional da JSD de Setúbal analisa resultados das eleições legislativas» daqui a quatro dias (31 de Julho). Assinada pelo presidente da mesa, a ordem de trabalhos confirma isso mesmo nos seus dois únicos pontos:
«1 – Análise dos resultados das legislativas;
2 – Encerramento do ano político.»
Sobre o ponto 1, não será correr muito? Afinal, as eleições legislativas ainda nem foram bem há dois meses. Qual é a pressa?…
Quanto ao ponto 2, vai ser preciso explicar àquela rapaziada que este ano político não será encerrado, por vontade manifestada e prometida pelo próprio primeiro-ministro e líder do PSD.
Em suma: a ideia que fica é a de que encerrada tem estado a JSD de Setúbal.

São os excessos da juventude, João.
Só pode ser isso, Rui. São tão irrequietos…
Pode ser que me esteja a escapar o carácter eminentemente sarcástico deste post. Mas, no caso de se tratar apenas de um exercício de crítica, gostaria de deixar aqui algumas reservas perante o argumentário.
Insinua-se que a dita agendada análise peca por tardia. Isto, comparado com quê? Com o tempo das televisões, que às 20h01 do dia das eleições já têm dezenas de paineleiros dispostos a arrotar insofismáveis postas de pescada analítica sobre os pseudo-resultados eleitorais? E que às 20h25 estão já prontas a dar por concluídas as emissões, não fosse esse facto extremamente desagradável dos líderes dos partidos quererem esperar pelos resultados oficiais para se pronunciarem?…
Considerar-se-á muito mais atempada, e portanto mais lúcida e correcta, a análise entretanto promovida pelos órgãos do Bloco de Esquerda? Ou talvez se queira tomar por exemplar a análise efectuada (?) pelos socialistas?…
Será que dois meses de distância retiram objectividade à dita análise, a tornam inútil e até mesmo perniciosa? Terá a referida estrutura partidária comprometido irremediavelvente a sua eficácia operativa, manifestando assim a total incompetência dos seus dirigentes?…
E sendo o dito conselho composto maioritariamente por estudantes, seria suposto que o presidente da mesa não tivesse quaisquer dificuldades em convocá-lo em época de exames e avaliações finais?…
Só me espantou que a coisa fosse caso de notícia. Mas deixe lá, porque…
Quanto ao incómodo com a jotista pretensão de encerrar o ano político:
Terá saído algum decreto que passe a medir as temporadas políticas em biénios?
Estarão todos aqueles jotinhas sujeitos ao calendário laboral da troika?
Ou será que se deverá tomar o dito encerramento por sinónimo de “paralisação de todos os serviços durante um período mínimo de dois meses”, como em “encerramento do ano judicial”?…
Concluindo: deixem os jotinhas ir de férias. Não é por aí que o PSD vai entrar em descalabro. E não falta floresta a precisar de voluntários para vigilantes (para já não falar da Festa do Avante…).
… nada disto merece tamanha atenção e correspondente análise!
Mesmo assim, peço o favor de não coarctarem a minha verborreia, que a obstipação intelectual é coisa muito triste. Gradecido.
‘Pareça sempre.