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Fernando Nobre

 

À segunda será de vez? O presidente da Ajuda Médica Internacional candidatou-se a Belém em 2011, sem apoios partidários, e obteve um terceiro lugar, com 14% dos votos. Surpreendendo assim os “analistas políticos” do costume – incapazes de enxergar o óbvio, especialistas em acertar no totobola à segunda-feira – que lhe vaticinavam uma percentagem microscópica nas urnas.

Fernando Nobre concorreu de seguida às legislativas, como independente nas listas do PSD. Viria a ser eleito mas renunciou ao mandato depois de falhar a eleição para a presidência da Assembleia da República. Foi um manifesto erro de casting: aquele não era o seu filme.

Desde então regressou àquilo em que mais se notabilizou: o auxílio a países e povos desfavorecidos. É particularmente reconhecida a sua ligação a África. Foi, aliás, em Luanda que há 63 anos nasceu este sagitariano, João Semana dos novos tempos, cujo raio de acção é a aldeia global.

O seu nome volta a circular nos bastidores políticos. Mas será possível um bom samaritano chegar ao Palácio de Belém?

 

Prós – A generosidade e o altruísmo de que tem dado provas ao longo da sua longa carreira médica, o que o distingue de outros portugueses que falam, falam, falam e a gente não os vê a fazer nada.

 

Contras – Para alguns, o coração deste clínico bate demasiado à esquerda; para outros, que não lhe perdoam a aproximação episódica ao PSD, o seu prognóstico é muito reservado.

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António Guterres

 

Depois de mim virá quem de mim bom fará. O contestadíssimo António Guterres já deve ter pensado muitas vezes neste provérbio popular que certamente conhece bem desde a infância passada na aldeia das Donas, perto do Fundão. Um provérbio que se adequa na perfeição a muitos titulares de cargos políticos, recordados com alguma nostalgia uns anos após abandonarem os cargos. Talvez por isso, não falta hoje no PS quem defenda a candidatura à Presidência da República do antigo secretário-geral do PS, primeiro-ministro entre 1995 e 2002. Guterres, de 65 anos e signo Touro, conseguirá resistir a tais apelos?

 

Prós – O ar bonacheirão, o espírito dialogante, o alto cargo internacional que desempenha actualmente (alto-comissário das Nações Unidas para os Refugiados). O seu perfeito domínio da língua inglesa, que em nada se confunde com “inglês técnico”. Angelina Jolie, de quem é amigo, poderia fazer campanha ao lado dele.

 

Contras – Abandonou o poder quando o PS dispunha de 50% dos lugares no Parlamento invocando um pretexto irrisório (derrota tangencial numas autárquicas). O discurso do “pântano” que então proferiu leva a que muitos ainda lhe roguem pragas – fora do PS e dentro do próprio partido que liderou entre 1992 e 2002. O célebre “diálogo” guterrista tornou-se sinónimo de passividade e frouxidão.

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Rui Rio

 

Há quem jure que será bom a exercer qualquer cargo. Há quem aposte nele seja para o que for. E não falta quem esteja desde já disposto a fazer-lhe a campanha, puxando por ele nas colunas de jornais.

Rui Rio – 57 anos, signo Leão – mostra sempre alguma relutância, o que é de bom tom nestas ocasiões. Volta e meia faz umas proclamações vagas, demonstrando um desinteresse olímpico por cargos mas deixando implícito que sempre poderão contar com ele num movimento que se destine a purificar a democracia portuguesa.

Será ele um candidato capaz de unir as diversas sensibilidades da direita na próxima corrida a Belém? Eis a questão.

 

Prós – A imprensa amiga, sobretudo ao sábado. O balanço positivo da sua gestão camarária no Porto. Fala fluentemente alemão, o que dá sempre jeito nos tempos que correm.

 

Contras – Tem mau feitio. Não gosta de bola. Ganhou fama de hesitante. Dilacera-o a aparente incapacidade de se concentrar num objectivo: apetecer-lhe-á mais Belém ou São Bento?

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António Vitorino

 

Nativo de Capricórnio, será sempre um nome a ter em conta: a opinião dele pesa no PS. Poucos ainda se lembram que António Vitorino entrou no partido pela ala esquerda, vindo da UEDS de Lopes Cardoso: hoje é um dos expoentes da ala direita, que vê a velha guarda não como um trunfo mas como um empecilho para o futuro do partido. Este qualificado jurista de 58 anos – na opinião de muitos, uma das personalidades mais brilhantes do PS, com as funções de vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa, juiz do Tribunal Constitucional e comissário europeu a dourarem-lhe o currículo – seria certamente aplaudido com mais entusiasmo pelo aparelho socialista do que aconteceu com Manuel Alegre em 2011.

Bastava querer. Alguma vez quererá?

 

Prós – Tem um discurso fluente, embora fale com excessiva rapidez para o entendimento de alguns, que não lhe acompanham o raciocínio. Sabe bem o que quer e para onde vai – e conhece  a importância das pontes em qualquer trajecto. É relativamente jovem, mas com melhor currículo do que muitos veteranos.

 

Contras – A política parece seduzir cada vez menos este socialista definitivamente convertido à economia de mercado. Mário Soares talvez o encare como expoente de “neoliberalismo”. Nas “fotos de família” da União Europeia corria o risco de não ser visto se alguém cometesse a maldade de o colocar na segunda fila.

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Alberto João Jardim

 

Disse adeus à presidência do Governo Regional da Madeira após superar Salazar em longevidade governativa. De facto, 36 anos é muito tempo: tinha chegado ao poder quando Brejnev era senhor absoluto da União Soviética, o Papa chamava-se Paulo VI e o inquilino da Casa Branca respondia pelo nome de Jimmy Carter. E só agora saiu.

Deixou a presidência, mas a presidência não terá saído dele: não falta quem jure que ambiciona chegar a Belém.

Férias não são com Alberto João Jardim. Reforma, ainda menos. Nada melhor do que uma campanha presidencial para repor os habituais índices de adrenalina política neste nativo de Aquário com 72 anos recém-completados, campeão nacional de vitórias eleitorais e recordista regional de défices das finanças públicas.

 

Prós – Seria seguramente a campanha presidencial mais divertida de sempre. Teria o voto maioritário do PPD. E jamais alguém o imaginaria a defender que não deve haver feriado no Carnaval.

 

Contras – O “senhor Silva”, ainda algo influente na agremiação social-democrata, dificilmente veria com bons olhos esta candidatura. Nenhum Coelho, de esquerda ou de direita, lhe daria o voto.

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Diogo Freitas do Amaral

 

Já foi candidato à Presidência da República – perdeu por uma unha negra contra Mário Soares, em 1986, entre gritos histéricos de que viria aí o “fascismo” se este pacato professor de Direito Administrativo chegasse ao Palácio de Belém. Não chegou. E Soares apressou-se logo a travar amizade com o ex-adversário, esquecido dos duros epítetos que lhe dirigiu durante a campanha, a mais disputada de sempre em Portugal.

Freitas do Amaral – um Caranguejo de 73 anos – foi incensado pela direita e hoje é uma figura reverenciada por alguma esquerda, o que o confirmará como homem capaz de gerar consensos. Ou talvez não. Foi um fugaz ministro dos Negócios Estrangeiros de José Sócrates, de quem acabou por se afastar. Elogiou e criticou alternadamente Pedro Passos Coelho. E chegou a figurar em manifestações ao lado de Francisco Louçã.

Já agradou a muita gente em separado, mas nunca a todos em simultâneo. E desagradou a outros tantos na proporção inversa. Conseguiria finalmente gerar consensos prolongados como inquilino de Belém?

 

Prós – Tem um respeitável currículo político e académico. Foi presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas.

 

Contras – À esquerda, muitos ainda não lhe perdoaram ter fundado o CDS. À direita, muitos ainda não lhe perdoaram ter afundado o CDS nem o descarado flirt que desde então manteve com os socialistas.

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Leonor Beleza

 

É uma das mulheres mais carismáticas que já passaram por gabinetes ministeriais. Atrai eleitores de esquerda e de direita. Tem verbo fácil e pose de Estado. E uma idade apropriada (66 anos) para uma senhora com aspirações presidenciais. Além disso, não lhe falta currículo. Histórica social-democrata, ex-ministra de Cavaco Silva, membro do Conselho de Estado, esta nativa do signo Balança mobilizaria certamente as bases do seu partido numa candidatura a Belém.

A propósito: Portugal não tem uma mulher nas mais altas funções do Estado desde 1853. A última foi a rainha D. Maria II, que morreu de parto. A anterior tinha sido D. Maria I, que morreu louca em 1816.

 

Prós – Congrega simpatias nos mais diversos tabuleiros políticos: Mário Soares, por exemplo, nunca escondeu a admiração que tem por ela. Poderia ficar na História como a primeira mulher com verdadeiras hipóteses de ascender à Presidência da República (ao contrário do que sucedeu com Maria de Lurdes Pintasilgo em 1986).

 

Contras – Parece cada vez mais distante da política desde que assumiu a presidência da Fundação Champalimaud. As acusações de que foi alvo na década de 80, quando era ministra da Saúde, acerca de supostas responsabilidades políticas na administração de amostras contaminadas a hemofílicos poderiam ser desenterradas por adversários sedentos de sangue.

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 Henrique Medina Carreira

 

Advogado, ex-docente universitário, comentador de assuntos financeiros. Mário Soares, verdadeiro expert na matéria, escolheu-o como ministro das Finanças do I Governo Constitucional. Medina Carreira é uma das cassandras do regime: praticamente não passa um dia sem escutarmos a sua voz bem timbrada a antever toda a espécie de catástrofes prontas a abater-se sobre o solo pátrio.

 

Prós – Este sagitariano dispõe de tribuna garantida na TVI 24, conseguiu ultrapassar Vasco Pulido Valente como profeta máximo das desgraças nacionais e conta com a admiração incondicional de Judite Sousa.

 

Contras – Usa pêra, algo hoje muito fora de moda na política: o último Presidente da República a usá-la por cá foi Bernardino Machado, entre 1925 e 1926 – um mandato que terminou manifestamente mal. Tem 83 anos, embora não pareça.

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Guilherme d’ Oliveira Martins

 

Há quem diga que o Presidente ideal é aquele que melhor conseguir patrocinar um novo “bloco central” a partir de Belém. Se for esse o caso, o cargo pode adequar-se ao actual presidente do Tribunal de Contas. Guilherme d’ Oliveira Martins – signo Balança, 62 anos – começou na política como secretário-geral da JSD (o primeiro a assumir estas funções) e chegou a ministro da Educação e das Finanças em Executivos socialistas.

 

Prós – É culto e polido. Sabe distinguir Thomas Mann de Thomas More. Distinguiu-se como presidente do Centro Nacional de Cultura e tem feito bom trabalho à frente do Tribunal de Contas, dando provas de isenção e rigor. No PS gostam dele e no PSD não desgostam.

 

Contras – Há quem lhe aponte parecenças físicas com o Mr. Bean, o que não é das comparações mais lisonjeiras. Ter sido ministro das Finanças – e, como tal, um dos responsáveis pelo défice das contas públicas – está longe de ser um dos melhores cartões de apresentação nos tempos que vão correndo.

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Pedro Santana Lopes

 

Haver mais que um candidato presidencial à direita numa primeira volta, à semelhança do que sucede em França, não é nenhum drama. Se a esquerda tem sempre vários candidatos a Belém, por que motivo a direita não há-de fazer o mesmo para não ficar dependente de uma só personalidade, chamada Basílio Horta, Ferreira do Amaral ou Cavaco Silva?

Pedro Santana Lopes, que tem “andado por aí”, pode ser esse candidato. E há mesmo quem vaticine que será o primeiro a anunciar a corrida a Belém. Com a fúria de viver que caracterizou outras participações suas em mais de trinta anos de vida política e show off nas colunas sociais.

 

Prós – O ex-líder do PSD quer ser Presidente e não esconde esta ambição, ao contrário do que seria politicamente correcto, bem à portuguesa. Tem um grupo de fiéis apoiantes que mobiliza a qualquer momento. Ultimamente tem surgido na televisão com pose de senador, o que fica sempre bem no retrato de qualquer político.

 

Contras – Persegue-o a fama de se candidatar a cargos para os quais não chega a aquecer o lugar – de presidente da câmara de Lisboa a primeiro-ministro, passando pela presidência do Sporting. Permanecem vivas na memória de muitos as trapalhadas do seu efémero executivo, a que Cavaco Silva – de quem foi secretário de Estado – pôs fim com um célebre artigo no Expresso sobre a “má moeda”.

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António Marinho e Pinto

 

Desempenhou o cargo de bastonário da Ordem dos Advogados, entre aplausos e apupos, dizendo representar os pequenos contra os grandes escritórios que costumam mexer os cordelinhos da profissão. Amado e odiado, divide as águas onde quer que esteja. O problema, muitas vezes, é estar pouco tempo: concorreu às europeias pelo MPT, que rapidamente abandonou, fundando o Partido Democrático Republicano. No Parlamento Europeu, cedo se decepcionou, admitindo candidatar-se às legislativas. De olhos postos nas presidenciais.

Este transmontano de signo Virgem e verbo fácil pode vir a ser, aos 64 anos, o Alexis Tsipras português. Conquistando votos à esquerda e à direita. Dêem-lhe palco – e ele improvisa a peça. Passem-lhe um microfone – e logo o discurso brota, em doses ferventes e torrenciais.

 

Prós – Tem o dom da palavra. É temível nos confrontos televisivos. Sabe tocar a corda mais sensível do cidadão comum com a sua retórica capaz de cruzar Che Guevara com Jesus Cristo.

 

Contras – Tem o coração demasiado perto da boca e costuma ferver em pouca água. Afirmou que 4800 euros não chegam para viver bem em Lisboa, algo manifestamente exagerado.

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Marcelo Rebelo de Sousa

 

Avança ou não?

Marcelo Rebelo de Sousa alimenta um sonho antigo: a Presidência da República. Seria um Chefe do Estado muito diferente de todos quantos figuram na solene galeria dos retratos presidenciais no Palácio de Belém. Pela irreverência, pela descontracção, pela capacidade de romper as regras, pela empatia que consegue estabelecer com os portugueses – bem reflectida nas audiências que atinge, semana após semana, o Jornal das 8 de domingo na TVI onde ele pontifica, rivalizando em número de espectadores com qualquer jogo grande do calendário futebolístico português.

Sagitário, de 66 anos, membro do Conselho de Estado, Marcelo Nuno Duarte Rebelo de Sousa mal precisará de percorrer o País em sessões de campanha: já o faz, de algum modo, no telecomício semanal em que se confirma como um dos mestres da comunicação política portuguesa. Com uma linguagem que todos entendem – dos seus colegas catedráticos na Faculdade de Direito de Lisboa ao mais humilde cavador de Celorico de Basto, terra de uma das suas avós e que se tornou torrão adoptivo deste lisboeta adepto do Sporting de Braga e recordista nacional de velocidade de leitura.

Desta vez não terá de mergulhar no Tejo, guiar um táxi ou recolher lixo nocturno, como fez na campanha autárquica de 1989 na capital. Na altura não lhe valeu de muito: foi derrotado pelo socialista Jorge Sampaio.

Aparentemente, os dois maiores rivais deste antigo líder social-democrata no próximo escrutínio presidencial estão fora de combate: António Guterres e Durão Barroso eram os que Marcelo mais temia. Abre-se assim, à sua frente, uma larga avenida destinada a desembocar em Belém.

Quererá ele percorrê-la? A verdade é que não precisa de pedir licença a ninguém: nunca o antigo sonho esteve tão próximo de tornar-se realidade.

 

Prós – Os seus méritos como professor de Direito e jurisconsulto. A simpatia natural. Os dotes de comunicador. O público fiel que foi granjeando ao longo de muitos anos de aparições regulares na televisão. A certeza de que só ele consegue federar as direitas.

 

Contras – O comentário político na TVI dá-lhe graça mas retira-lhe gravitas. Falta-lhe uma vitória eleitoral expressiva num currículo político iniciado em 1975, quando foi eleito deputado constituinte enquanto exercia jornalismo no Expresso. Passos torce o nariz e Cristo tarda em voltar a descer à Terra.

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Jaime Gama

 

Mário Soares chamou-lhe “peixe de águas profundas”. Mas este nativo de signo Gémeos nunca deixou de estar à superfície de 1974 para cá. Foi um dos mais jovens deputados da democracia portuguesa, entrou num Governo socialista quando José Sócrates ainda militava na JSD e ascendeu a segunda figura do Estado, como presidente da Assembleia da República. Falta-lhe apenas um degrau para ascender ao patamar supremo. Sonhará com Belém? Não falta no PS e respectivas águas adjacentes quem sonhe ainda mais que ele. Quem tiver dúvidas é favor telefonar a José Lello, Miranda Calha, Francisco Seixas da Costa ou Sérgio Sousa Pinto.

 

Prós – O sentido de Estado. A moderação. A seriedade. O equílíbrio. A experiência.

 

Contras – A impassibilidade. A distância. O excesso de frieza. A aparente incapacidade de soltar uma saudável e sonora gargalhada.

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António Barreto

 

O mais conhecido sociólogo do País, há décadas com tribuna nos órgãos de informação, quase nem precisaria de fazer campanha se quisesse candidatar-se à Presidência da República: toda a gente sabe o que pensa sobre as mais diversas matérias. Este Escorpião de 72 anos já foi ministro da Agricultura, com Mário Soares. E deputado do PS. Hoje é uma das vozes mais pessimistas que se vai escutando, apesar de se proclamar uma pessoa optimista. Quadratura do círculo? Talvez os portugueses apreciem esta flagrante contradição.

 

Prós – Tem voz de Presidente, boa para pronunciar discursos. Não lhe falta gravitas de Estado. E nas fotos de família das cimeiras internacionais representaria bem este país de gente mediana com o seu 1,90m de altura.

 

Contras – O pessimismo militante que lhe serve de bilhete de identidade causa urticária a vários arautos da opinião pública e publicada. Muitos socialistas não lhe perdoam a deserção para o campo da “direita” intelectual. Foi destronado por Medina Carreira nos cenários catastrofistas que vai traçando sobre o destino de Portugal.

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Francisco Pinto Balsemão

 

Já fez praticamente de tudo: administrador e director do jornal mais influente do País, deputado, líder partidário e primeiro-ministro. Tem assento no Conselho de Estado e continua a ser proprietário do jornal ainda mais influente do País: nem o Sol conseguiu fazer-lhe sombra.

É uma raridade: único fundador vivo do PSD, o partido que adora liquidar líderes, e um dos poucos militantes que se orgulham de ser sociais-democratas (os outros são liberais, conservadores, populistas ou tudo isto junto e o seu contrário).

Idade? 77 anos bem vividos. Signo Virgem.

 

Prós – É proprietário de um influente grupo de comunicação social e o militante nº 1 do PSD.

 

Contras – É proprietário de um influente grupo de comunicação social e o militante nº 1 do PSD.

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Manuel Carvalho da Silva

 

Ex-secretário-geral da CGTP, com presença regular nos ecrãs televisivos agora enquanto comentador da actualidade. Foi militante do PCP, mas desvinculou-se discretamente do partido, ampliando espaço de manobra. Doutorado em Sociologia pelo ISCTE, alma mater da esquerda portuguesa. Tem 66 anos. Signo: Escorpião.

 

Prós – A longa experiência sindical. A capacidade de congregar apoios de várias sensibilidades de esquerda. Mário Soares poderá fazer campanha ao lado dele.

 

Contras – Jerónimo de Sousa é capaz de torcer o nariz: o PCP não costuma perdoar a dissidentes. Mário Soares poderá fazer campanha ao lado dele.