Presidenciáveis (5)


Pedro Correia,

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Marcelo Rebelo de Sousa

 

Avança ou não?

Marcelo Rebelo de Sousa alimenta um sonho antigo: a Presidência da República. Seria um Chefe do Estado muito diferente de todos quantos figuram na solene galeria dos retratos presidenciais no Palácio de Belém. Pela irreverência, pela descontracção, pela capacidade de romper as regras, pela empatia que consegue estabelecer com os portugueses – bem reflectida nas audiências que atinge, semana após semana, o Jornal das 8 de domingo na TVI onde ele pontifica, rivalizando em número de espectadores com qualquer jogo grande do calendário futebolístico português.

Sagitário, de 66 anos, membro do Conselho de Estado, Marcelo Nuno Duarte Rebelo de Sousa mal precisará de percorrer o País em sessões de campanha: já o faz, de algum modo, no telecomício semanal em que se confirma como um dos mestres da comunicação política portuguesa. Com uma linguagem que todos entendem – dos seus colegas catedráticos na Faculdade de Direito de Lisboa ao mais humilde cavador de Celorico de Basto, terra de uma das suas avós e que se tornou torrão adoptivo deste lisboeta adepto do Sporting de Braga e recordista nacional de velocidade de leitura.

Desta vez não terá de mergulhar no Tejo, guiar um táxi ou recolher lixo nocturno, como fez na campanha autárquica de 1989 na capital. Na altura não lhe valeu de muito: foi derrotado pelo socialista Jorge Sampaio.

Aparentemente, os dois maiores rivais deste antigo líder social-democrata no próximo escrutínio presidencial estão fora de combate: António Guterres e Durão Barroso eram os que Marcelo mais temia. Abre-se assim, à sua frente, uma larga avenida destinada a desembocar em Belém.

Quererá ele percorrê-la? A verdade é que não precisa de pedir licença a ninguém: nunca o antigo sonho esteve tão próximo de tornar-se realidade.

 

Prós – Os seus méritos como professor de Direito e jurisconsulto. A simpatia natural. Os dotes de comunicador. O público fiel que foi granjeando ao longo de muitos anos de aparições regulares na televisão. A certeza de que só ele consegue federar as direitas.

 

Contras – O comentário político na TVI dá-lhe graça mas retira-lhe gravitas. Falta-lhe uma vitória eleitoral expressiva num currículo político iniciado em 1975, quando foi eleito deputado constituinte enquanto exercia jornalismo no Expresso. Passos torce o nariz e Cristo tarda em voltar a descer à Terra.

0 comentários em “Presidenciáveis (5)”

  1. O comentário político na TVI [assim como os que tem feito por outros lados – acrescento meu] dá-lhe graça mas retira-lhe gravitas. Concordo.

    E depois, ao fim de tantos anos de comentário, não será difícil encontrar contradições no que tem vindo a afirmar (o que é natural, mas não deixaria de ser explorado).

    E depois também, fala de demasiadas coisas e mete-se nuns assuntos onde não será “autoridade” e noutros onde eles (os assuntos) não justificam que neles se meta.

    E finalmente, nota-se constantemente que não aprecia ser interrompido nem se digna ouvir o que lhe diz o interlocutor.

    Não considero impossível votar nele, mas prefiria Barreto ou Gama (ou mais algum dos futuros 35, coisa em que não acredito muito). Só que Marcelo é provável candidato, Barreto ou Gama não.

    1. Sobre MRS, notícia do semanário ‘Sol’ de hoje:
      «O noticiário da TVI com a estrela Marcelo Rebelo de Sousa esta semana superou-se: a maior audiência desde o início do ano – um milhão e 686 mil espectadores – garantiu ao Jornal das 8 do dia 1 de Fevereiro a entrada para o primeiro lugar do pódio dos programas mais vistos da semana.»

      1. Sim… mas nota-se que eu, até para poder fazer os reparos que fiz, sou espectador. Diga-se que nem sempre com grande atenção. Considero que a extensão do comentário mais acertada e a interlocutora que não deixava que MRS se espraiasse demasiado aconteceram ambos na RTP, com Maria Flor Pedroso.

  2. Acho que o carácter negociador e a manipulação cerebral dos assuntos políticos lhe retira espontaneidade e autenticidade. Não sabemos se alguma vez daria um murro na mesa e é de gente corajosa e agressiva para com a banalidade e a imbecilidade parlamentar que nós precisamos — não precisamos de ratinhos sem esqueleto nem de gente que trabalha nos bastidores. = chega de cavacos.

  3. Deixei de o ouvir há muito.A facilidade com que ora sobre tudo e todos.Eram tantas as prédicas que a dada altura me pareceu contradizer-se alegremente.Houve até um banqueiro a acusá-lo de inverdades(termo forjado post-Abril, não quer significar mentira).Diziam-no bom manipulador de bastidores.A história da sopa-fria revelou-o perito no emprego da lâmina curta e perfurante.Apesar de tanta manobra não conseguiu estribar-se na política.E logo em 1976 Adolfo Portela Filho contou um conto:O Mistério dos Dez Negrinhos.

    Antes o Barreto.

  4. Falta-lhe, a meu ver: cultura que não seja pop, convicções que não sejam de plástico, opiniões que não sejam as do ar do tempo, e vontade que não seja calculista. É um grande comunicador – mas não tem nada a comunicar.

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