Por isso, é defensável que Portugal tenha uma posição clara e inflexível sobre o assunto: queremos exatamente as mesmas condições que forem oferecidas aos gregos. Se quiserem usar esquemas que só se apliquem a eles, estamos contra, em nome da igualdade na Europa. Se as negociações não forem a lado nenhum, não temos problema com isso. Não defendemos as propostas gregas, não temos de concordar com elas, nem podemos ser contados como aliados de ninguém nas negociações ou gastar qualquer capital em nenhuma negociação. Entramos nas reuniões mudos e saímos calados.
Ricardo Reis, no Dinheiro Vivo. Vale a pena ler o resto do artigo, no qual se abordam as questões da conversão da dívida grega em perpetuidades e do pagamento indexado à taxa de crescimento da economia.

Sem dúvida que vale a pena ler todo o artigo.
Só que, a recomendação prática que Ricardo Reis faz é uma receita para que continue tudo na mesma até ao desastre final. Inexoravelmente.
Porquê esperar? E que tal exigir já uma taxa de juro semelhante à que eles pagam? Eles já pagam menos em dívida do que nós em percentagem do PIB.
Podiamos começar por ali, se tivéssemos um governo português digno desse nome.
Para ler Ricardo Reis, prefiro Pessoa.
Análises desse calibre são para o Querida Júlia. Só falta aconselhar para só bater palmas quando levantarem o cartaz.
Talvez dê um bom romance o conteúdo do link que anexa. É necessário o autor continuar a esforçar-se para ver se faz mais uns capítulos.