Presidenciáveis (3)


Pedro Correia,

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António Barreto

 

O mais conhecido sociólogo do País, há décadas com tribuna nos órgãos de informação, quase nem precisaria de fazer campanha se quisesse candidatar-se à Presidência da República: toda a gente sabe o que pensa sobre as mais diversas matérias. Este Escorpião de 72 anos já foi ministro da Agricultura, com Mário Soares. E deputado do PS. Hoje é uma das vozes mais pessimistas que se vai escutando, apesar de se proclamar uma pessoa optimista. Quadratura do círculo? Talvez os portugueses apreciem esta flagrante contradição.

 

Prós – Tem voz de Presidente, boa para pronunciar discursos. Não lhe falta gravitas de Estado. E nas fotos de família das cimeiras internacionais representaria bem este país de gente mediana com o seu 1,90m de altura.

 

Contras – O pessimismo militante que lhe serve de bilhete de identidade causa urticária a vários arautos da opinião pública e publicada. Muitos socialistas não lhe perdoam a deserção para o campo da “direita” intelectual. Foi destronado por Medina Carreira nos cenários catastrofistas que vai traçando sobre o destino de Portugal.

0 comentários em “Presidenciáveis (3)”

  1. E a um e outro, Barreto e Carreira – ninguém, muito que os critiquem e os acusem de “conversa de taxista” (já o li, algures, quanto a Barreto; para com Medina os mimos costumam ser piores) opôs argumentário que objectivamente os provasse errados.

    Talvez fosse tempo de alguém se apresentar perante os portugueses, visando um lugar de poder, afirmando o que verdadeiramente se lhes(nos) pode ser prometido, ressalvadas as devidas proporções: sangue, suor e lágrimas. Alguém que apontasse o dedo e chamasse o nome apropriado às insaciáveis e intocáveis clientelas que nos parasitam há muito.

    Mesmo que de nada valesse, bem o sabemos, pois por cá o que dá votos é prometer umas centenas de milhares de empregos.

    Mas, cá está: conversa de taxista, temos os políticos que merecemos.

    Costa

    1. Medina Carreira também passará por cá. No final, perguntarei aos nossos leitores em quem votariam. Os taxistas, naturalmente, não serão excluídos desta votação. Nem os tachistas.

      1. Ao terceiro presidenciável por si apresentado, eu teria – até ver (e a recente leitura do seu Douro, Rio, Gente e Vinho não deixará de pesar nisso que um homem é também a sua sensibilidade e estética; e não se trata aqui de barriga ou pilosidades) – a minha escolha feita.

        Mas se ele não quer, eu – até ver – sempre pouparei uma saída de casa, consulta de assembleia de voto, fila, esperas e etc. Ou então vou e voto em branco.

        Costa

  2. Excelente, se ele quisesse. Do melhor que se podia arranjar. Mas tem repetidamento marcado o seu afastamento da política e vincado a sua idade. Em poucos os quase nenhuns votaria com o mesmo entusiasmo que nessa figura de absoluta referência. Com pena, não acredito de todo que se candidate.

  3. Aleluia, Pedro, até que enfim um tipo que teria o meu voto. Não por causa das soluções – poucas tem, e mesmo essas discutíveis – mas porque sabe quais são os problemas. E depois não envergonha quando abre a boca. Já é muito.

  4. Votaria nele excepcionalmente, apesar de eu estar em modo abstencionista até abolirem o AO. Ou ainda melhor ainda, até cair a IIIª República e depois abolirmos o AO.

  5. Eu também sou dos que pensam que uma candidatura do António Barreto tinha pernas para andar e de chegar a bom porto.
    Aguardemos.

    1. Só ele dentre os do “pântano” me levaria a pedir aos soldados da paz para me transportarem à secção de voto.

  6. Teria o meu voto garantido. Acha-lo pessimista? Eu vejo-o simplesmente como uma pessoa lúcida. Gosto sempre de o ouvir, porque tem um discurso inteligente mas despretensioso. E porque é um homem livre, diz-nos exactamente o que pensa. Já não é pouco.

  7. Provavelmente teria o meu também. Um PR, com experiência política/governativa, mas afastado das tricas e intrigas, com ideias sólidas sobre o país (o que, via FFMS, estudou com alguma profundidade recentemente) e sem dever favores a ninguém seria o ideal.

  8. Certamente o menos mau da lista.
    Pelo menos alguém que vê mais que o tempo corrente.

    Mas o Regime é Populista e o tuga quer obra feita, mesmo que seja inutíl, quer que lhes afaguem o ego – o cão do Obama – palavras doces, paixões, promessas que sabe incumpríveis para depois poder queimar os políticos nessas palavras doces quando o pote não entorna para o seu lado.

    Cepticismo nunca ganhou nada em Portugal.

  9. Este chico-esperto fugiu à tropa e eu a precisar que me ajudasse.

    De portugas oportunistas e que fogem na hora do perigo não precisamos.

    1. Confesso, Helena: também admitiria votar nele. É pena as presidenciais serem praticamente monopolizadas pelos partidos, o que afasta todos quantos não estão envolvidos nos bastidores partidários.

  10. A única personagem com postura de estadista.
    O problema é que não está para fazer favores a ninguém e dessa forma ninguém o levará até Belém.
    Lúcido como poucos, Barreto tem um grande contra e que não é o seu pessimismo mas somente a sua forma de ver a política em Portugal.
    Levava o meu voto!
    Assim vou dá-lo ao Garcia Pereira. Desde que se apresente!

      1. A camarada Carmelinda manda dizer que só se candidatará se tiver antecipadamente a certeza absoluta de não ser eleita. Por respeito à tradição que inaugurou em mil novecentos e troca o passo.

    1. O maoísmo puro e duro? O livrinho vermelho guia para a acção,como os “livros das horas”? A Gloriosa Revolução Cultural Proletária que tanto pão trouxe ao país? Os “maus tratos aos cativos”infligidos pelos “guardas” que tanto afligiram o Presidente Mao(em entrevista a Daniel Snow,rectifique se tiver melhor informação).E Garcia Pereira já terá feito o seu “vigésimo congresso”?
      Tudo perguntas que talvez não se justifiquem,sejam só coisas do passado.Há tanto tempo que não ouço nem vejo o dirigente desse partido maoísta que talvez já nem o seja.Fico pelo Barreto,apesar de.

      1. Por vezes é difícil entender os Portugueses não é? Tanto dizem que votam num tipo quase conservador , talvez um dos poucos em Portugal – aquela agremiação do CDS tem tudo menos conservadores a começar pelo dito Portas – como dizem que votam num maoísta que quer nacionalizar tudo e prender o capitalistas.

        Vem alguma coisa na água, para esta policromia política?

          1. Só confia num maoísta com barquinho de recreio?
            E num trotsquista não?
            Depois da revolução cada operário,cada camponês terá o seu barco de recreio.Os dirigentes,como sempre, vão à frente alumiando as águas,dando o exemplo.

          2. Na primeira fase está previsto darem uma ajuda preciosa aos estalinistas.Que mil flores desabrochem,lembra-se decerto,vem no tal livrinho-guia.E Lenine gabou-os publicamente,que Trostsky fora fundamental na organização dos especialistas militares.Consolidado o poder do partido comunista(o verdadeiro,claro)um oportuno ataque com picador de gelo afastará definitivamente o esquerdista doente infantil do comunismo.E o proletariado vencerá.

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