Alberto João Jardim
Disse adeus à presidência do Governo Regional da Madeira após superar Salazar em longevidade governativa. De facto, 36 anos é muito tempo: tinha chegado ao poder quando Brejnev era senhor absoluto da União Soviética, o Papa chamava-se Paulo VI e o inquilino da Casa Branca respondia pelo nome de Jimmy Carter. E só agora saiu.
Deixou a presidência, mas a presidência não terá saído dele: não falta quem jure que ambiciona chegar a Belém.
Férias não são com Alberto João Jardim. Reforma, ainda menos. Nada melhor do que uma campanha presidencial para repor os habituais índices de adrenalina política neste nativo de Aquário com 72 anos recém-completados, campeão nacional de vitórias eleitorais e recordista regional de défices das finanças públicas.
Prós – Seria seguramente a campanha presidencial mais divertida de sempre. Teria o voto maioritário do PPD. E jamais alguém o imaginaria a defender que não deve haver feriado no Carnaval.
Contras – O “senhor Silva”, ainda algo influente na agremiação social-democrata, dificilmente veria com bons olhos esta candidatura. Nenhum Coelho, de esquerda ou de direita, lhe daria o voto.


Ninguém pode levar a mal que este cavalheiro seja (e se considere) “presidenciável”.
Terça-feira Gorda. Ninguém leva a mal.
Creio que com tantos anos de dedicação à satrapia da Madeira já mereceria ir gozar a reforma. Nas Desertas.
Outros mereceriam um estágio prolongado nos Farilhões. Ou na ilha do Pessegueiro.
Quanto a Jardim gosto de o ver assim. Partir loiça mesmo que não lhe sobre arte para juntar os cacos.
Jardim, aliás, é de uma ilha onde o caco ascende à condição de obra de arte – pelo menos gastronómica. Refiro-me ao bolo do caco.
O problema é não pertencer a uma família Lisboeta e não faz parte do Clube de Esquerda por acaso histórico.
Tirando isso, acredita em défice, acredita em dívida, é populista, Keynesiano dos quatro costados, compra votos com o dinheiro vindo de fora criticando os “estrangeiros – cubanos e outros” quando estes mostram não quererem contribuir apelando ao nacionalismo quando conveniente.
É certamente a pessoa mais próxima da raiz da Republica Populista saída do 25 de Abril.
Só não tem o verniz Lisboeta da “classe alta” e numa cultura narcisista as aparências contam muito.
Não sei se está próximo da raiz da República Populista. Mas sei que, nos longos anos em que demorou a cursar Direito em Coimbra, integrou a República do Farol das Ilhas.
O símbolo abrilista por excelência.
A colónia mais antiga de Portugal, tem neste gajo o seu Tiradentes, o seu Simon Bolívar do século xx.
Acabou com as bordadeiras a pataco!
Na Madeira eles têm os bolos do caco. Com Jardim por lá, nós fomos os bobos do taco.
Rima e é verdade.