Torres Vedras forever


Teresa Ribeiro,

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Uau! Está sol! Não sei como é no resto do país, mas pelo menos em Lisboa e arredores as sereias arrepiadas dos corsos carnavalescos podem abanar o bum bum sem se constiparem. Digo “bum bum” não por acaso. Se quisesse usar uma expressão genuinamente portuguesa podia dizer, por exemplo, “sim senhor”, uma designação amável, mas fora de moda. Aliás, no Carnaval é todo o país que está fora de contexto, incluindo o clima, esse velho do Restelo que teima em boicotar o trabalho (ia a dizer suado, mas até parece que estou a gozar com as aquelas meninas tadinhas tão roxinhas, com as suas plumas em pele de galinha) das comissões organizadoras dos festejos carnavalescos.

Só em Torres Vedras não se leva a mal que o Carnaval seja português, o que é um alívio para quem não gosta de acompanhar o espectáculo da possidoneira nacional, ao som de sambas, sempre os mesmos, que o Brasil já esqueceu.

Mamã eu quero, uma ova. Se é tradição secular, o que eu quero é, se me apetecer, reviver o Carnaval como o faziam os meus pais e avós em Torres. E mai nada!

 

(foto: sereia arrepiada em Loulé)

0 comentários em “Torres Vedras forever”

  1. Não há samba em Torres Vedras? devemos estar a falar de duas cidades diferentes. Por sinal não há escolas de samba, pois não, mas o inevitável sambinha faz-se ouvir. Eu abomino o carnaval, por sinal, mas na quinta-feira tive de ir ao centro da cidade e o sambinha era bem audível. E o mesmo sucedeu em outros anos, nas colunas que a câmara generosamente espalha por lá, para oferecer a boa música aos cidadãos.
    Quanto ao resto, ridículo por ridículo, tanto é este como os outros.

    1. Pois, não digo que seja perfeito, mas pelo menos recupera alguma tradição, como a dos cabeçudos. E puxa a brasa à nossa sardinha através do marketing, afirmando-se como o Carnaval mais português de Portugal. Já é qualquer coisa.

  2. Ainda vai havendo os “caretos”, lá por Trás-os-Montes.

    Ignoro se já foi apresentada a respectiva candidatura a património da humanidade, mas são tão ou mais dignos dela que a carrada de candidaturas a que vamos assistindo…

  3. Muito gostava o meu Pai, por esta altura, de “moer” a minha Mãe, Torreense de gema, com a persistência dos saloios em não alterarem as tradições carnavalescas da terra.
    Nascido em Santarém e tendo vivido em Torres muito tempo, ele lá se prontificou, pelo menos num dos anos, em ser a “mulher” do primeiro-ministro, personificado pelo bom e saudoso amigo Chico Meira, conforme fotos do corso desse ano atestam.

    Essas fotos eram a vingança materna…

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